Animais

Redescoberta Serpente Venenosa que Estava “Extinta”

"Estávamos, literalmente, abraçados e aos saltos”, dizem os cientistas da descoberta desta víbora-de-Albany (Bitis albanica), na África do Sul. Thursday, November 9, 2017

Por Jason Bittel
Os preservacionistas mantêm secreta a localização dos répteis recentemente descobertos, para manter os caçadores furtivos afastados.

A maioria das pessoas nunca ouviu falar da víbora-de-Albany – uma cobra pequena e venenosa, nativa da África do Sul, que tem um magnífico padrão desenhado na pele e umas sobrancelhas pontiagudas. Há quase uma década que este réptil extremamente raro não era visto, e os cientistas temiam que já estivesse extinto – até hoje.

Uma equipa de herpetologistas anunciou recentemente a descoberta de uma vida – quatro víboras-de-Albany, vivas e de boa saúde.

A expedição, para encontrar a serpente perdida, foi iniciada em novembro passado e depois de uma semana a examinar arbustos, a revirar pedras e a espreitar, com muita cautela, para dentro de buracos, Michael Adams, um dos membros da equipa, encontrou uma fêmea de 15 centímetros a deslizar pela estrada.

Sabe-se muito pouco sobre esta serpente, nem sequer se conhece a potência do seu veneno.

“Acho que nunca nos abraçámos tanto”, diz Grant Smith, um agente de campo da Endangered Wildlife Trust,  que fez uma parceria com a Rainforest Trust para esta expedição.

“Estávamos literalmente, abraçados e aos saltos.”

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UMA SERPENTE DE MISTÉRIO

O que é ainda mais incrível é a equipa ter encontrado quatro animais vivos – só foram registados 12 indivíduos desde que a espécie foi identificada em 1937 (os cientistas encontraram uma quinta serpente morta por um veículo).

Contudo, pensa-se que a espécie tenha um número de indivíduos extremamente baixo.

“Penso que está, certamente, entre as espécies mais ameaçadas do mundo”, declara Bryan Maritz, um coordenador regional do Grupo de Especialistas em Víboras da União Internacional para Conservação da Natureza que não integrou a recente expedição.

Esta serpente, que só foi encontrada em várias espécies de arbustos e no meio do matagal, tem na perda de habitat a maior ameaça. E, para agravar, os limites da zona em que é encontrada são cada vez mais pequenos.

Grupos de conservação estão a trabalhar para preservar o habitat da cobra rara.

“Há registos históricos em áreas vizinhas, mas essas populações foram consideradas extintas porque ninguém encontrou um espécime nessas áreas durante mais de 40 anos”, esclarece Maritz, outro herpetologista da Universidade na Cidade do Cabo, na África do Sul

Minas, urbanizações e trânsito podem também estar a colocar em perigo a espécie, como é sugerido pelos cadáveres na estrada.

PRECAUÇÕES COM A CAÇA FURTIVA

O local preciso onde foram encontradas as víboras de Albany está a ser mantido em segredo como precaução em relação à caça furtiva. Mesmo que a espécie nunca tenha sido vendida no mercado negro, nada garante que não possa vir a ser.

“Se os colecionadores descobrissem onde e como as localizar, isso poderia ser uma ameaça real ao futuro da espécie”, declara Maritz.

Agora começa o trabalho a sério: por exemplo, os especialistas não sabem quase nada sobre a dieta, a reprodução ou sobre o comportamento desta cobra.

“Nunca ninguém foi mordido por uma víbora-de-Albany; portanto, desconhece-se a potência do seu veneno”, acrescenta Smith, do Endangered Wildlife.

Depois de confirmado que a víbora-de-Albany não teve o mesmo fim do Dodo, os grupos de preservacionistas estão a trabalhar no sentido de zelar pelo futuro da espécie. Fazem-no comprando e preservando a maior quantidade de habitat possível.

“A ideia é: se protegermos o habitat”, explica Smith, “tudo o resto seguirá naturalmente o seu curso.”

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