Animais

Eis o Que a Cauda do Seu Gato lhe Está a Dizer

Especialistas falaram-nos do comportamento dos gatos – desde a forma como comunicam através da cauda e os seus hábitos cleptómanos, às frenéticas fugas, sem motivo aparentemente, pela casa fora. quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por Liz Langley
General Boots, um gato de raça mista, na Capital Humane Society, em Lincoln, Nebrasca.

 

Os donos de gatos mantêm uma relação muito forte com os seus animais de estimação. Embora tenham um conhecimento profundo da sua linguagem corporal, não são raras as vezes em que os gatos os surpreendem. Muitas vezes, o segredo está na cauda.

Quando um gato boceja, a cauda abana como se estivesse a desfrutar de um clássico disco que não conseguimos escutar. Descodificar este sinal pode ser um processo um pouco confuso.

Então como devemos interpretar os movimentos de cauda dos nossos felinos?

DICAS SOBRE A CAUDA

“Para ler os sinais que nos envia através da cauda, temos de ter em conta todo o corpo do gato”, diz-nos Carlo Siracusa, docente da Faculdade de Medicina Veterinária da Pensilvânia.

Um gato que abana a cauda enquanto se prepara para uma sesta, por exemplo, está-nos a dizer, “estou a descansar, mas continuo atento aos sons e aos movimentos à minha volta”, ou seja, está relaxado, mas não a dormir em serviço.

“Se estiver mesmo a dormir”, complementa Siracusa, “uma cauda dançante pode indicar-nos que está a sonhar.”

Uma cauda que chicoteia, num gato vigilante, pode indicar nervosismo e, possivelmente, agressividade, “Não lhe toquem!”, afirma Siracusa.

Num gato calmo, uma cauda no ar que desenha um gancho na ponta representa um simpático cumprimento, enquanto uma cauda completamente esticada pode denunciar um gato potencialmente agressivo. Um assustador “gato de Halloween” posará assanhado, de costas arqueadas e com a cauda bem espetada.

Um gato doméstico não está especialmente entusiasmado com a sessão fotográfica.

“Uma curvatura descendente pode significar que o animal adotou uma postura defensiva”, diz Siracusa. “Num gato relaxado, a cauda assume uma posição mais baixa ou neutra.”

CAÇA DOMÉSTICA

As caudas podem confundir-nos, mas os pés não mentem.

Katy Prudic, uma entomóloga da Universidade do Arizona, já colaborou connosco muitas vezes, mas agora encara um novo desafio: provar que os gatos são um mistério até mesmo para a comunidade científica.

“Porque decidem os gatos, de repente, que estão atrasados para um compromisso noutra divisão da casa?”, pergunta Prudric,  a respeito de todas as vezes em que os nossos gatos saem disparados e nos deixam a pensar: “Será que disse alguma coisa que o ofendeu?”.

Acredita-se que estas explosões de energia, por vezes conhecidas como zoomies, sejam “o resultado de excitação acumulada, frustrações, medo, ou energia reprimidos”, diz Siracusa.

Os gatos “precisam de muito enriquecimento e estímulo” e, se estivessem no exterior, estariam a subir às árvores e a perseguir as presas. As nossas casas são espaços mais seguros, mas não são muito estimulantes, ou o tipo de estímulo não é o melhor — como, por exemplo, quando são perseguidos por crianças.

“Os gatos são caçadores muito ágeis e velozes”, diz-nos Nick Dodman, autor do livro The Cat Who Cried for Help.

Os especialistas concordando que os picos de excitação em gatos domésticos podem efetivamente estar relacionados com energias acumuladas que poderiam ser utilizadas para caçar se não estivessem em ambiente doméstico.

Os gatos são seres crepusculares, ou seja, são mais ativos durante a noite e ao nascer do dia. O resto do tempo, passam-no a dormir, a poupar energias só para nos enganarem.

GATOS LADRÕES?

Ou será que andam a fugir à justiça?

A leitora Helen Farmer Kowalchuk é dona de um autêntico ladrão compulsivo de quatro patas.

O seu gato de duas cores apodera-se de meias, joias, cartões de visita, “tudo o que conseguir tirar”, diz-nos, “de armários, cómodas e malas,” quando a família não está por perto ou “quando ela acha que a família não está por perto”.

Kowalchuk não é, certamente, a única a ter um gato com tendência para a cleptomania. A Internet está cheia de histórias de gatos com tendência para a criminalidade, de Inglaterra à Califórnia, ou até mesmo à Austrália.

Alguns gatos têm um instinto caçador mais apurado, como os cães, diz Dodman, mas tal como os súbitos picos de energia, roubar pode ser uma manifestação de um gato que quer caçar e não tem presa.

Estes gatos podem simplesmente estar a viver a sua rotina diária quando decidem agarrar e transportar um artefacto roubado para o seu território, geralmente o sítio onde têm a tijela da comida.

As fémeas costumam armazenar o que caçam como provisões, ou trazê-lo para junto das crias para as ensinarem. Os machos também podem ter um comportamento semelhante.

“Há uma raça de gatos, os Munchkin, conhecida por, tal como os corvos, ser atraída por e roubar objetos brilhantes”, diz-nos Dodman.

Somos uns sortudos. A única coisa que um gato alguma vez nos roubou foi o nosso coração.

Não perca também estes vídeos que compilam alguns dos comportamentos mais caricatos dos gatos.

Continuar a Ler