Animais

“Peixes-bruxa” Explodem em Autoestrada Após um Estranho Acidente

Num cenário verdadeiramente sci-fi, milhares de mixinas segregadoras de muco — que tinham como destino último pratos de jantar na Ásia — revestiram uma estrada em Oregon com a viscosa substância. Thursday, November 9, 2017

Por Jason Bittel

Não, não se trata de uma cena de uma filmagem de Caçadores de Fantasmas. No dia 14 de julho, um camião que carregava milhares de peixes teve um acidente numa autoestrada em Oregon, cobrindo a estrada e pelo menos um carro de muco e criando, seguramente, um dos mais estranhos engarrafamentos de sempre.

O culpado? Mixinas, animais parecidos com enguias que vasculham o fundo do mar e são capazes de gerar enormes quantidades de muco antripredador de um momento para o outro. O noroeste do Pacífico conta com vários zonas pesqueiras onde este peixe é capturado para ser enviado para diversos países asiáticos, incluindo a Coreia do Sul, país em que é um alimento muito apreciado.

Até que ponto é que o muco da mixina é inconveniente? Bem, o Departamento dos Transportes do Oregon está atualmente a usar uma pequena escavadora para remover a substância do meio da estrada. (A maioria dos peixes morreu no acidente.)

Muco da mixina não é, na verdade, muco — é mais uma espécie de gel composto por filamentos.

Como é óbvio, no seu ambiente natural no fundo do mar, a mixina usa esta arma secreta de maneira diferente.

“O muco é um meio diabolicamente eficaz de se defenderem contra ataques de peixes predadores”, diz Douglas Fudge, investigador de biomateriais da Universidade de Chapman, na Califórnia.

“O muco é ativado muito rapidamente e é incrivelmente eficaz a colar-se às guelras e a obstrui-las, pelo que habitualmente os peixes, ao não conseguirem combater o muco, desistem de atacar as mixinas.”

Os peixes, com origem numa zona pesqueira no noroeste do Pacífico, destinavam-se à culinária na Ásia.

Mas porque haveriam as mixinas de libertar tanto muco sem nenhum tubarão por perto? Fudge diz que estes animais, que identifica como mixinas-do-Pacífico (Eptatretus stoutii), também segregam o muco em situações de tensão. E sim, “serem despejadas para cima de um Prius conta como situação de tensão”.

É também provável que o camião que transportava legalmente as mixinas em aquários já estivesse cheio de muco ainda antes de o acidente acontecer, uma vez que é difícil transportar estes peixes sem ativar a resposta por muco.

“MONSTROS SEGREGADORES DE MUCO”

O ecologista marinho Andrew Thaler diz que as mixinas são visitas frequentes sempre que há comida gratuita, como carcaças de baleias.

“Quando se alimentam de uma carcaça, expelem o muco, cobrindo a carcaça e impedindo que outros necrófagos invadam o seu território”, diz Thaler, diretor executivo da firma de consultoria ambiental Blackbeard Biologic.

“As mixinas são monstros segregadores de muco! É uma das razões por que são maravilhosas.”

Na verdade, acrescenta Thaler, “muco” não é sequer a palavra certa.

As mixinas vivem habitualmente no fundo do mar, vasculhando — e às vezes vivendo em — corpos mortos.

“É um filamento viscoelástico composto por microfibras que formam um gel semissólido. Parece-se mais com a teia do Homem-Aranha do que com gelatina pegajosa.”

O MARAVILHOSO MUNDO DAS MIXINAS

Ainda há muito mais que não sabemos sobre as mixinas e o seu muco, mas quanto mais de perto olhamos, mais estranheza encontramos. As mixinas conseguem fazer nós sobre si próprias, às vezes fazem de corpos mortos a sua casa e têm corações que batem sem oxigénio.

No que respeita ao seu estatuto de iguaria, Fudge diz que nunca provou carne de mixina.

“Pelo que ouço, o sabor assemelha-se muito ao cheiro, o que, na minha opinião, não é muito tentador.”

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