Animais

Xanda, Filho de Cecil, o Leão, Também foi Assassinado por um Caçador de Troféus

O leão de seis anos de idade foi morto a tiro no Zimbabué, perto do local onde o seu célebre pai morreu.quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por Casey Smith
Xanda, na imagem, foi morto quase da mesma forma que o seu pai, Cecil.

Dois anos depois de Cecil, o leão, ter sido morto numa caça controversa no Zimbabué, um dos seus filhos também foi morto a tiro durante uma caça de troféus legal, precisamente no mesmo mês, de forma alarmantemente semelhante à morte do seu pai.

Xanda, a cria de seis anos, foi morto a tiro por um caçador de troféus fora do Parque Nacional de Hwange no Zimbabué — perto da área onde Cecil foi morto com um arco e flecha em 2015 — divulgou o The Telegraph.

Andrew Loveridge, um investigador de zoologia da Universidade de Oxford, não respondeu ao pedido de comentário, mas disse ao Telegraph que Xanda estava a utilizar uma coleira no momento da sua morte, o que permitiu aos investigadores a monitorização dos seus movimentos na área.

"Eu coloquei-lhe a coleira em outubro passado", disse Loveridge ao jornal. "Foi monitorizado quase diariamente e sabíamos que Xanda e o seu bando estavam a passar muito tempo fora do parque nos últimos seis meses, mas não podemos fazer muito sobre esse assunto".

Richard Cooke, caçador profissional zimbabuense, alega ter visto a coleira após ter morto Xanda e, mais tarde, devolveu-a aos investigadores. Como o leão tinha mais de seis anos de idade e estava fora dos limites do parque, a morte foi considerada legal no país.

A morte de Xanda levanta novas dúvidas sobre o valor da caça de troféus, afirma Luke Dollar, biólogo e ambientalista que lidera a Iniciativa de grandes felinos da National Geographic. "Muitas vezes, preocupamo-nos com esta questão — será o valor do animal que foi atingido a tiro igual ao benefício económico que a existência sustentável do animal e o chamariz para o turismo teria tido ao longo da sua vida para as economias local e nacional?" Dollar interroga-se. "Este é um debate contínuo entre caçadores e ambientalistas."

Apesar de não se saber ao certo se Xanda era um macho dominante, Dollar afirmou que a morte do leão poderia ter sido ainda mais trágica para o seu bando se, de facto, tivesse essa posição. Outros leões poderiam morrer se um novo macho dominante tentasse conquistar o lugar.

"De qualquer forma, é obviamente muito triste saber que perdemos este leão", afirmou Dollar. "Do ponto de vista do ecossistema, os leões e todos os grandes predadores desempenham um papel muito importante na preservação do equilíbrio de longo prazo da natureza, no seu estado natural, sem uma intervenção e gestão constantes, isso é algo importante para as pessoas terem em conta."

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A FAMIGERADA HISTÓRIA DE CECIL, O LEÃO

A morte do leão Cecil a 1 de julho de 2015, no Zimbabué, desencadeou um sentimento de revolta internacional — o que muitos chamam da maior reação de sempre a uma história relacionada com a vida selvagem. Um leão conhecido que fazia parte de um estudo inovador conduzido pela Universidade de Oxford, Cecil, foi morto a tiro por Walter James Palmer, dentista de Minnesota, na altura com 55 anos de idade. Em resposta a uma torrente de protestos on-line e presenciais, Palmer escondeu-se durante semanas, encerrando temporariamente o seu consultório.

O Zimbabué suspendeu temporariamente a caça legal ao leão durante dez dias. E apesar de ter existido pressão pública para condenar Palmer no Zimbabué, nunca chegou a ser alvo de nenhum processo judicial. Afirmou que tinha adquirido as licenças legais para matar um leão no Zimbabué e disse que não sabia que o animal era famoso nem que fazia parte de um estudo (embora os investigadores defendem que a coleira de localização de Cecil teria sido facilmente detetada). As acusações também foram retiradas contra o caçador local que organizou a excursão.

Diz-se que Palmer pagou 54 mil dólares para matar com arco e flecha Cecil, um magnífico leão de 13 anos, de juba preta, que vivia no Parque Nacional de Hwange, no Zimbabué, onde era muito famosos entre os visitantes. Palmer atingiu Cecil com uma seta numa quinta privada fora do parque, um local onde o leão ia normalmente para explorar. O grupo de caça perseguiu o felino e voltou a atingi-lo novamente, com um tiro, 11 horas mais tarde.

Os cientistas preocuparam-se imediatamente com o bando de 14 crias de Cecil, que geria em parceria com o seu irmão Jericho, pois poderia ser morto por um macho rival, mas tal nunca chegou a acontecer.

Mesmo assim, a morte de Cecil deu origem a um maior escrutínio sobre a caça de troféus pelas cabeças, peles ou outras partes do corpo de animais selvagens. Oito países africanos permitem a exportação consistente de partes de leão, entre os quais Moçambique, Zimbabué Namíbia e Tanzânia, que detém quase metade dos leões selvagens do continente.

Mas após a morte de Cecil, os países começaram a controlar melhor a prática. Muitas companhias aéreas baniram o transporte de partes de leões e ouros animais, citando a publicidade negativa associada. A caça de troféus já tinha sido banida no Quénia e Botswana mas, após a morte de Cecil, a Austrália baniu totalmente a importação de troféus. O mesmo aconteceu em França. Os EUA, os maiores importadores de troféus de leões, acrescentaram novas proteções para os leões ao abrigo da Lei das Espécies em Vias de Extinção. Os caçadores já não podem trazer os seus troféus consigo a menos que o animal seja originário de um país que utilize as taxas de caça para financiar a preservação dos leões.

No contexto do incidente, a população de leões diminuiu vertiginosamente no mundo selvagem, passando de cerca de 200 mil no continente africano há um século, para cerca de 20 mil na atualidade. Os defensores da caça de troféus e alguns ambientalistas defendem que as taxas resultantes da caça apoiam os esforços de preservação dos grandes felinos, cujas maiores ameaças são a perda do habitat, a diminuição das presas e o aumento dos conflitos com os humanos. Mas a prática permanece altamente controversa, sobretudo entre o público ocidental que gosta de animais.

 

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