Animais

A Aflitiva Captura de uma Preguiça com Destino ao Mercado Negro

Um vídeo acompanha a captura de uma preguiça na selva peruana. Com destino ao mercado negro, acabará por ser vendida a comerciantes de animais ou ao ‘mercado das selfies’. Quinta-feira, 2 Novembro

Por Natasha Daly

No vídeo: Na selva, nos arredores de Iquitos, no Peru, lenhadores ilegais capturam uma preguiça e vendem-na ao mercado negro por 13 dólares.

Enquanto a preguiça trepa até ao topo da árvore, na selva peruana, dois lenhadores cortam o tronco da árvore pela base. Quando a árvore finalmente tomba, leva consigo a preguiça, que cai de uma altura de 30 metros. Os homens, lenhadores ilegais, puxam o animal preso nos ramos e, agarrando-o pela cabeça, colocam-no num saco de plástico preto. Fecham o saco com um nó, e caminham pela selva até o atirarem para dentro de um barco. Abrem o saco e espreitam – a preguiça está húmida por causa da condensação provocada pela respiração dentro do saco, sem ventilação alguma. Voltam a fechar o saco, deixando a preguiça novamente na escuridão.

Após uma breve viagem pelo rio Amazonas, atracam em Iquitos e vendem a preguiça por 13 dólares. O mercado de Belén, onde o vendedor trabalha, é conhecido como sendo um dos pontos mais altos do comércio ilegal de animais selvagens.

Filmado no início de agosto, e cedido à National Geographic pela organização internacional sem fins lucrativos World Animal Protection, o vídeo mostra-nos a chocante viagem de um animal, da selva até ao universo cruel do mercado negro. Uma preguiça com o ar mais dócil do mundo – ou um papa-formigas, ou uma tartaruga, ou um papagaio, ou uma cobra, ou um caimão - é uma das principais atrações para turistas em busca de uma ‘selfie’ com uma espécie exótica; uma situação que ilustra o sofrimento por que passam muitas destas criaturas, só para alcançarem os braços destes amantes de animais.

No início de outubro, a National Geographic investigou a exploração ilegal de animais selvagens por parte da indústria do turismo na Amazónia. Em Puerto Alegría, no Peru – a cerca de 320 quilómetros do local onde esta preguiça foi capturada —, encontrámos animais, de cerca de 18 espécies diferentes, mantidos em cativeiro para que os turistas tirassem fotografias com eles todos os dias.

Situações como esta são más para todas as espécies envolvidas, mas o caso das preguiças é especialmente preocupante, explicou-nos Neil D’Cruze, da World Animal Protection. Na natureza, dormem cerca de 20 horas por dia. São animais calmos e a sua natureza dócil faz com que sejam fáceis de capturar e transportar. O stress a que estão sujeitos em cativeiro pode levar a que morram prematuramente.

O operador de câmara capturou esta imagens acidentalmente. Estava a trabalhar num projeto em que mostraria “um dia na vida de um lenhador ilegal no Peru.” Sabia que o comércio de animais selvagens era uma atividade paralela para estes lenhadores, mas não esperava assistir a uma captura. Quando detetaram a preguiça, limitou-se a continuar a filmar.

Não sabemos ao certo o que aconteceu a esta preguiça, mas é provável que tenha sido vendida a traficantes de espécies selvagens ou a comerciantes que convidam os turistas a tirarem fotografias com estes animais. “Assim que estes animais abandonam o seu habitat natural, é altamente improvável que venham a ter um final feliz”, desabafa D’Cruze.

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