Animais

Antraz Pode ter Matado 100 hipopótamos na Namíbia

As carcaças, que pesam várias toneladas, foram encontradas num parque em pouco mais de uma semana. Sexta-feira, 3 Novembro

Por Sarah Gibbens

É uma imagem chocante: uma grande quantidade de hipopótamos, uns caídos para o lado, outros completamente de pernas para o ar, mas todos misteriosamente mortos e parcialmente submersos num lago na Namíbia. O que deixa os locais ainda mais confusos é a velocidade com que tudo aconteceu.

O primeiro hipopótamo foi encontrado no dia 1 de outubro, afirmou o diretor interino do Ministério do Ambiente e Turismo da Namíbia, Johnson Ndokosho. Desde então, apareceram pelo menos 100 hipopótamos mortos na região oeste do Parque Nacional de Bwabwata, que se situa na faixa nordeste da Namíbia, entre Angola e o Botswana.

"É algo que não acontece há algum tempo", contou Ndokosho. As primeiras teorias acerca desta série de mortes centram-se numa bactéria bem conhecida que provocou mortes em série no passado.

"Suspeitamos que os hipopótamos morreram devido a antraz, mas ainda temos de confirmar a suspeita," diz o responsável ministerial numa entrevista telefónica.

Saliente-se que, enquanto os testes decorrem, é difícil impedir o envenenamento por antraz. "Não há muito que possamos fazer", diz Ndokosho. "Não podemos reacomodar os animais."

Há também relatos de que terão aparecido vários búfalos-asiáticos mortos. Mas, uma vez que os hipopótamos mortos se encontram num local remoto do parque, longe do trabalho com o gado, não existe uma grande possibilidade de a doença se espalhar, afirmou Ndokosho.

Em 2004, morreram cerca de 200 hipopótamos no Uganda devido a um surto mortífero de antraz. Os investigadores demoraram alguns meses até que chegarem ao diagnóstico oficial, tendo, pelo menos, 10 pessoas morrido depois de terem comido carne de hipopótamo contaminada.

DE ONDE VEIO?

A infeção por antraz é provocada pela bactéria Bacillus anthracis, que, de acordo com o que se sabe, entra diretamente em contacto com a fauna quando se verifica um recuo das águas. Embora o antraz seja conhecido infamemente como uma potencial arma biológica, a bactéria ocorre naturalmente no solo, onde pode permanecer incógnita durante décadas.

De acordo com os Centros de Controlo da Doença, a bactéria produz esporas que podem ser “ativadas” quando entram num organismo vivo. Dali, a bactéria multiplica-se e propaga-se pelo corpo, provocando uma doença grave e, se não for tratada, a morte.

Numa entrevista ao jornal local New Era, Colgar Sikopo, diretor do departamento de parques e vida selvagem da Namíbia, atribuiu o surto ao abaixamento dos níveis de água do rio, que expôs os segmentos mortais do solo.

O ministério está a alertar os habitantes locais para não comerem carne de animais mortos na região, e as carcaças dos hipopótamos estão a ser queimadas numa tentativa de prevenir a propagação da doença.

"Estamos preocupados com a morte dos animais, mas não com a [saúde geral da] população", afirmou Ndokosho. Enquanto espécie, os hipopótamos são considerados "vulneráveis" pela União Internacional de Conservação da Natureza, estimando-se que vivam 3300 espécimes na Namíbia e territórios circundantes.

Bwabwata situa-se imediatamente a norte do Delta do Cubango, a maior extensão de zonas húmidas de água doce da África Austral, que serve de sustento a uma grande variedade de vida selvagem.

As investigações ainda decorrem e este artigo será atualizado quando forem divulgadas mais informações.

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