Animais

Como Fazem os Mosquitos Para nos Sugarem o Sangue sem Darmos Conta?

Uma equipa de cientistas descobriu que os mosquitos são muito mais ágeis do que a maioria dos outros insetos. quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por Elaina Zachos
Como os Mosquitos Usam a Furtividade Para roubar o Seu Sangue
Como os Mosquitos Usam a Furtividade Para roubar o Seu Sangue

Independentemente do lugar onde vivamos, é certo que já todos enfrentámos o inseto mais mortífero do planeta: o mosquito.

Zumbindo desenfreadamente enquanto se desviam de um golpe mortal, estas agulhas voadoras parecem esquivar-se sempre da nossa mão. No entanto, avanços recentes na investigação científica estão no encalço destes minúsculos e insubordinados ladrões, que rapidamente nos sugam o sangue e levantam voo sem deixar rasto. Estará o fim do flagelo à vista?

Alguns mosquitos tem o comprimento de um clipe e pesam não mais do que um par de miligramas. Mesmo com as suas barrigas a transbordar com o nosso sangue, são difíceis de detetar. Existem, no entanto, outros insetos igualmente gulosos, como as moscas da fruta, que são mais fáceis de combater. Porque será?

Cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, reuniram-se com colegas da Wageningen University, na Holanda, para estudar estes espigões opressores. Para isso, utilizaram câmaras capazes de filmar em ‘super-slow motion’.

Filmando centenas de mosquitos Anopheles coluzzii, os cientistas descobriram que os mosquitos batem as asas cerca de 600 vezes por segundo antes, sequer, de levantarem voo. Depois, descolam suavemente com as suas perninhas espinhosas a abanar e voam para um local seguro.

Quando reparamos que fomos mordidos, já é tarde demais.

“Movem-se de uma forma tão suave que é impossível detetá-los”, explica-nos Florian Muijre. “É um exercício muito desafiante.” Por outro lado, esta equipa de cientistas verificou que as moscas da fruta pulam e batem as asas desajeitada e freneticamente para levantarem voo, denunciando assim a sua localização.

"Em vez de arrancarem rapidamente, os mosquitos demoram o seu tempo, mas têm uma excelente capacidade de aceleração contínua, o que faz com que atinjam a sua velocidade máxima praticamente ao mesmo tempo que as moscas da fruta”, afirma Sofia W. Chang, uma das responsáveis pela investigação, em entrevista ao Berkeley News. “Esta uma característica dos mosquitos talvez seja exclusiva dos insetos voadores que se alimentam de sangue.”

“As conclusões deste estudo serão úteis no futuro, sendo essenciais para compreender e combater doenças disseminadas por mosquitos”, diz-nos Ryan Carney, um investigador emergente e professor de biologia assistente na Universidade de South Florida. Os mosquitos utilizados neste estudo estavam limpos e esterilizados, mas na natureza podem espalhar a malária.

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Carney explica-nos que, agora, talvez seja pertinente estudar as dinâmicas de voo de mosquitos como os Aedes aegypti e os Culex, que carregam consigo vírus como o Zika e o vírus do oeste do Nilo, respetivamente.

Descobrir formas de combater os mosquitos é, mais do que nunca, imperativo, principalmente depois da catastrófica época de furacões que testemunhámos este ano.

Por exemplo, quando o Furacão Maria assolou Porto Rico, os ventos fortíssimos e as cheias dizimaram a maioria dos mosquitos da região. No entanto, a tempestade deixou autênticas piscinas de águas paradas espalhadas por todo o território dos Estados Unidos, um autêntico paraíso para mosquitos. Ainda há milhares de pessoas a viverem em condições difíceis, sem telhados, janelas ou ares-condicionados.

Se os cientistas forem capazes de perceber as dinâmicas de voo dos mosquitos, podem desenvolver formas mais eficazes de os combater, atacando populações inteiras.

"Quanto mais soubermos”, afirma Carney, “mais podemos fazer com essa informação.”

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