Animais

Cinco Casos em Que a Vida Selvagem Saiu Vitoriosa em 2017

A China está a acabar com o seu mercado de marfim e o Instagram está a rejeitar selfies prejudiciais. Estes são alguns exemplos das vitórias de ano relativamente ao crime e exploração de vida selvagem. Quarta-feira, 27 Dezembro

Por Rachael Bale

É fácil sentirmo-nos deprimidos no que toca à luta para proteger a vida selvagem. As pessoas estão a encontrar novos motivos para a caça furtiva de elefantes, os comerciantes começaram a roubar animais de jardins zoológicosenormes depósitos de tubarões mortos são transportados regularmente no mundo inteiro. Mas existem algumas boas notícias. Eis aqueles que a Wildlife Watch considera serem os maiores motivos do presente ano para termos esperança.

A China está a encerrar o seu mercado de marfim doméstico.
O comércio internacional de marfim está banido desde 1990, mas a China, entre outros países, manteve um comércio de marfim próspero dentro das suas fronteiras. Os ambientalistas afirmam que este comércio contribuiu para o massacre de 30 mil elefantes por ano. No entanto, para cumprir uma promessa feita em 2015, a China começou a encerrar as suas fábricas de escultura e retalhistas de marfim autorizados em 2017. Até 31 de dezembro, espera-se que todas estas instalações autorizadas pelo governo sejam encerradas. Um estudo recente efetuado na China pela empresa de estudos Globescan — encomendado pela World Wildlife Fund e a TRAFFIC, o seu organismo de monitorização de comércio de vida selvagem — revelou que mais de metade dos chineses que compraram marfim no passado já não o fazem, e que 86% das pessoas inquiridas apoiam a proibição.

O Instagram leva a sério as selfies com vida selvagem.
Está na moda tirar uma selfie a abraçar uma cria de tigre ou uma preguiça mas a maioria das pessoas não sabe que estes animais foram, provavelmente, retirados cedo demais das suas progenitoras ou caçados na natureza. No seguimento de uma investigação da National Geographic sobre o turismo prejudicial das selfies na Amazónia, o Instagram implementou um sistema de alerta para informar as pessoas sobre os problemas de bastidores. Agora, sempre que qualquer um dos 800 milhões de utilizadores do Instagram procurar uma vasta gama de hashtags relacionadas com vida selvagem, como #slothselfie, irá ser exibida uma mensagem de pop-up com o seguinte texto: "Está a procurar uma hashtag que pode estar associada a publicações que encorajam um comportamento prejudicial para os animais ou o ambiente" e que dá aos utilizadores a opção de clicar para obter mais informação.

O Vietname compromete-se a terminar com a criação de ursos.
Em julho, o governo do Vietname anunciou que cerca de mil ursos mantidos em cativeiro para a extração de bílis iriam ser transferidos para santuários. Nas quintas de "criação" de ursos para extração da sua bílis, os ursos-malaios e ursos-negros-asiáticos são mantidos presos a máquinas para extrair uma substância medicinal das suas bexigas, num processo que os críticos afirmam ser desumano e insustentável. A mudança surge após um acordo de 2015 onde a Associação Médica do Vietname se comprometeu, até 2020, a fazer com que os médicos de medicina tradicional parassem de receitar bílis de urso para tratar doenças. Existe bílis de urso sintética amplamente disponível.

A maré está a mudar contra os espetáculos de circo com animais selvagens.
Os problemas de bem-estar associado aos animais de circo, desde elefantes a leões e macacos, estão bem documentados. Executar atividades nada naturais perante públicos eufóricos debaixo de luzes intensas é algo stressante para os animais, que mantêm os seus instintos selvagens, apesar de terem nascido em cativeiro. Longos dias de viagem em espaços confinados podem afetar a sua saúde, tendo já sido relatados vários casos de abuso. Os defensores do bem-estar animal comemoraram este ano quando o circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus deu o seu último espetáculo.  Os elefantes deste circo reformaram-se no ano passado e agora, 13 dos seus grandes felinos também foram enviados para um novo lar — um circo na Alemanha. Apesar da mudança dos felinos, que é controversa pois aparenta estar a tirar partido daquilo que muitos encaram como uma lacuna na Lei das Espécies em Risco de Extinção, os defensores dos animais encaram o encerramento do circo como um sinal de que o que o público quer ver num circo está a mudar. O circo Ringling poderia ter sobrevivido se se tivesse concentrado em espetáculos só com humanos, ao jeito do Cirque de Soleil, afirmou Jan Creamer, da Animal Defenders International, que ajuda a resgatar animais de circo vítimas de abuso.

Donald Trump, Presidente dos EUA, coloca a luta dos elefantes nas luzes da ribalta.
Em novembro, o U.S. Fish and Wildlife Service anunciou que iria suspender a proibição sobre caçadores que importam troféus de elefantes do Zimbábue e Zâmbia, após determinar que as taxas associadas à caça nesses países beneficiariam a preservação dos elefantes. O público, dos dois lados da questão, sentiu-se revoltado e fez-se ouvir. Até Trump se juntou à questão, criticando a decisão da sua administração e descrevendo a caça de troféus como um "circo de horrores". O resultado? Até as pessoas que não seguiam estes temas ficaram a par da crise da caça furtiva e a luta para preservar os elefantes de África. O Fish and Wildlife Service está agora a reavaliar a decisão de suspender a proibição, a pedido de Trump.

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