Animais

Como uma Cadela Protegeu uma Cria de Leopardo do Canibalismo

À progenitora canina que acolheu o leopardo juntam-se também outras espécies como um leão e um tigre. Quarta-feira, 27 Dezembro

Por Elaina Zachos

As pessoas dizem que é preciso uma aldeia para criar uma criança. Mas, neste caso, precisamos apenas de dois cães, dois gatos e de um jardim zoológico para tratar de uma cria de leopardo que está em perigo crítico de extinção.

Os tratadores do jardim zoológico da cidade de Vladivostok, situada no extremo oriente da Rússia, emparelharam uma cria recém-nascida de leopardo-de-amur com uma mãe de acolhimento de espécie canina. A golden retriever, chamada Tessa, já não tem patas a medir com os seus quatro cachorros, mas ela cuida do recém-chegado com lambidelas e amor. E graças a uma dieta saudável constituída pelo leite de Tessa, por suplemento de leite em pó e guloseimas de coelho providenciadas pelos tratadores do jardim zoológico, a cria já cresceu mais do que os seus irmãos adotivos.

O jovem leopardo é um grande felino em crescimento e precisa de amigos do seu tamanho. Desde 2015, existem 57 leopardos-de-amur na Rússia, pelo que não se pode considerar que a população da subespécie abunde. O jardim zoológico juntou a cria com uma leoa e um tigre-fêmea. As companheiras de brincadeira felinas têm ambas dois meses e meio e são quase do mesmo tamanho do leopardo que está em perigo crítico de extinção.

"E apesar de parecer que são dois grandes felinos, o seu comportamento é completamente diferente”, disse em declarações à CCTV+ o veterinário Viktor Agafonov. “O tigre-fêmea é mais sossegada. Mas a leoa ... passa a maior parte do tempo a correr e a brincar.”

Os tratadores do jardim zoológico também juntaram ao grupo um cão pastor-da-ásia-central. Sergei Asnovin, o diretor do jardim zoológico de Vladivostok, também disse à CCTV+ que o cão branco peludo tem um “bom pedigree, tem bom sangue”, e o seu tamanho e temperamento fazem dele um bom companheiro de brincadeiras para as crias.

Atualmente, os quatro peludos irão criar laços durante, pelo menos, o próximo ano e meio. Depois disso, a sua amizade poderá continuar, dependendo de o quanto gostam uns dos outros.

O acolhimento de crias de espécies diferentes, quando os animais bebés são separados dos seus pais biológicos e criados por pais adotivos, é relativamente comum. Na Califórnia, a tartaruga Larry e o golden retriever Cricket tornaram-se melhores amigos depois de a dona do cão, habitante de Santa Barbara, ter adotado o réptil rejeitado. Na Libéria, uma cadela chamada Princesa adotou um chimpanzé depois de os seus pais terem sido mortos para se transformarem em carne de animal selvagem. Também em Vladivostok, oito porcos-espinhos juntaram-se a Musya, a gata, para receber a sua influência materna.

Inicialmente, o jardim zoológico de Vladivostok decidiu retirar a cria de leopardo dos cuidados da sua progenitora, pois tinham receios quanto à sua segurança – o leopardo-fêmea Alain já tinha transformado as suas últimas três ninhadas em refeições.

"Não podemos afirmar com certeza as razões pelas quais isto aconteceu. Mas decidimos não arriscar com outro bebé”, declarou Agafonov à CCTV+

Por vezes, as progenitoras animais recorrem ao infanticídio pela eficiência. Se os bebés estiverem doentes ou tiverem malformações, a mãe, muitas vezes, acabará por consumi-los. Ela também os comerá se não existir comida suficiente disponível para todos, ou se eles morrerem.

"Existem razões”, disse à National Geographic em 2014, Tony Barthel do Smithsonian National Zoo. "Podem parecer-nos frias, mas são simples – e têm que ver com a disponibilidade de recursos.”

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