Um Elefante e a Sua Cria Fogem Enquanto Uma Multidão Lhes Atira Bolas de Fogo

Esta fotografia premiada capturou uma cena angustiante quando dois elefantes-asiáticos, uma cria e a sua progenitora, tiveram de fugir para salvar as suas vidas. segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Por Michael Greshko
Fotografias Por Biplab Hazra

A fotografia chocante de uma cria de elefante-asiático em chamas ganhou recentemente uma competição fotográfica de vida selvagem – e atraiu as atenções de todo o mundo para as batalhas campais indianas do conflito entre humanos e elefantes.

A fotografia, intitulada “Hell Is Here”, retrata uma cena perturbadora: uma cria de elefante e a sua mãe a tentar fugir de uma turba, no estado indiano de Bengala Ocidental. A cria foi incendiada pelas bolas de alcatrão que foram arremessadas aos dois.

Biplab Hazra, o fotógrafo de vida selvagem em part-time, tirou esta fotografia que recentemente ganhou a competição anual de fotografia de vida selvagem da Sanctuary Asia, uma revista indiana de vida selvagem. O concurso teve como júri o fotógrafo da National Geographic Steve Winter.

“Nos 14 anos em que tiro fotografias à vida selvagem, nunca vi um incidente semelhante”, declara Hazra, um proprietário da indústria de cerâmica, ao New Indian Express. “Estava totalmente concentrado em disparar a fotografia.”

Numa questão de horas, a fotografia fez ricochete à volta do mundo, o que veio sublinhar ainda mais a tensão entre os habitantes humanos e os paquidermes da Índia.

O país é o habitat de mais de 27 mil elefantes-asiáticos, pelo menos metade da população mundial. Os elefantes-asiáticos são uma espécie considerada em risco, em grande parte devido à destruição e fragmentação do seu habitat por mãos humanas.

Veja: Não Brinque com Este Elefante.

Os elefantes utilizam, pelo menos, 101 corredores para atravessar a Índia, mas só cerca de um quinto desses corredores não têm povoações humanas, segundo uma pesquisa feita em agosto de 2017 pelo Wildlife Trust of India. Dois terços destes corredores são atravessados por estradas estatais ou auto-estradas nacionais – e menos de 13% dos corredores estão completamente cobertos de floresta.

Os humanos e os elefantes chocam mais em Bengala Ocidental — o sítio onde foi tirada a fotografia — do que em qualquer outro sítio da Índia. Cerca de 488 elefantes vivem nas florestas mais a norte do estado, e muitas delas estão pejadas de povoações e de plantações de chá.

Esta proximidade suscita a violência mortal, especialmente quando os elefantes remexem as quintas, destroem plantações e danificam casas. Segundo o Times of India, 18 pessoas foram mortas por elefantes numa zona de Bengala Ocidental, nos primeiros nove meses de 2015. Em março de 2016, as autoridades distritais requisitaram o extermínio de um elefante descontrolado que matou duas pessoas. E os elefantes de Bengala Ocidental morrem frequentemente eletrocutados,  ao irem contra fios elétricos.

Hazra disse, em declarações ao  New Indian Express, que a cria de elefante que ele fotografou pode não ter sido incendiada de propósito, mas ele diz que os agricultores da região usam regularmente bolas de alcatrão e fogo de artifício para afugentar os elefantes – uma tática que pode entrar numa espiral de descontrolo facilmente.

“O controlo de multidões é uma prática essencial que precisa de ser efetivada na resolução do conflito entre humanos e vida selvagem”, disse M. Ananda Kumar, um cientista da Nature Conservation Foundation, numa entrevista de 2016 à revista britânica Geographical. “Precisamos de fazer as pessoas entender que estes animais grandes precisam de espaço. Temos de alertar as pessoas para perceberem que o comportamento violento só pode terminar em incidentes trágicos.” (Ler sobre os esforços efetuados por Kumar para construir um sistema de aviso antecipado para elefantes que salva vidas)

Apesar de tudo, a situação poderia ter sido pior: Hazra disse que a cria de elefante sobreviveu ao ataque da multidão.

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