Animais

Cientistas Perplexos com o Grande Número de Mortes de Golfinhos

Têm-se amontoado cadáveres numa baía próxima do Rio de Janeiro, no Brasil. Quarta-feira, 17 Janeiro

Por Elaina Zachos

Desde meados de dezembro, todos os dias aparecem na praia quatro ou cinco carcaças de golfinho, no Brasil. As causas das mortes são ainda pouco claras, e a mortalidade tem deixado os conservacionistas intrigados.

Associated Press dá conta de que, desde o dia 16 de dezembro, pelo menos 88 golfinhos-cinzentos deram à costa na Baía de Sepetiba, uma zona costeira que fica a cerca de 72 km a oeste do Rio de Janeiro. Este número representa mais de dez por cento da população conhecida de golfinhos da baía. A estimativa de que existam 800 indivíduos torna este o local do mundo onde existe a maior concentração desta espécie.

As ONG locais, como o Instituto Boto Cinza e a SOS Botos, estão a examinar as carcaças, analisando a pele, o sangue e os ossos, e os cientistas especulam que possa ter sido uma bactéria ou um vírus. Se lhes for diagnosticada uma doença relacionada com um agente patogénico, o coordenador-chefe do Instituto Boto Cinza, Leonardo Flach, prevê, em declarações à StoryTrender, que 70 a 80 por cento da população possa morrer.

Os golfinhos vivem geralmente em grupos de 200 indivíduos e têm relações de grande proximidade uns com os outros. Uma doença contagiosa seria devastadora. Os resultados das análises feitas em laboratório são esperados no final de janeiro.

"Um dia, encontrámos golfinhos-machos adultos; no dia seguinte, fêmeas e juvenis. Mas a grande parte dos cadáveres está muito magra e apresenta profundas lesões na pele”, explica Flach à ABC News.

Os golfinhos-cinzentos figuram na lista vermelha das espécies em vias de extinção como uma espécie DD, ou seja, sobre a qual existem dados insuficientes, mas Flach diz que a espécie devia ser considerada ameaçada. No passado, a taxa de mortalidade dos golfinhos-cinzentos da zona era de cerca de cinco por mês, atribuída ao excesso de pesca e à poluição química. Em 2016, foram registadas 69 mortes de mamíferos marinhos e, em 2010, 32 golfinhos foram encontrados mortos.

Flach diz que os arredores do Rio de Janeiro são muito poluídos e a caça ilegal de golfinhos está desenfreada. A baía de Sepetiba está delimitada por condomínios, estaleiros e portos, mas não é ainda claro se é o desenvolvimento da zona que está a afetar os mamíferos marinhos.

"Eles são uma espécie ameaçada”, declara Flach, “mas agora, com esta doença desconhecida, esperamos conseguir exercer mais pressão sobre as autoridades para que nos ajudem a salvar os golfinhos.”

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