Animais

O Resgate de Uma Cria de Elefante Órfã em Helicóptero

Normalmente, os elefantes são demasiado grandes para caberem num helicóptero, mas esta pequena cria prematura tinha o tamanho ideal para entrar a bordo. Quinta-feira, 11 Janeiro

Por Elaina Zachos

O Mara Elephant Project (Projeto Elefantes do Mara), um programa de conservação sediado no Quénia, entra em ação quando os elefantes precisam de ajuda. Geralmente, salvam as crias abandonadas, que precisam de ser resgatadas quando os seus progenitores são mortos pelo marfim das suas presas. Mas quando, em novembro, uma pequena cria estava a definhar sem nenhuma ação humana, o grupo interveio... com um helicóptero.

No vídeo acima, vemos dois conservacionistas que trabalham no projeto a sair da floresta da Reserva Nacional do Masai Mara, no Quénia. Um deles transporta nos braços um minúsculo e subnutrido paquiderme, em direção a um helicóptero do Campo Karen Blixen e Parque de Safaris Ree que os aguarda. A cada passo, a tromba flácida do elefante de 45 quilogramas balança.

Após depositar a cria no colo de um funcionário, Marc Goss, CEO do Projeto Elefantes do Mara, conta que o helicóptero descolou com destino a um centro de investigação localizado no parque. Posteriormente, o elefante fêmea foi levado para o orfanato do Fundo para a Vida Selvagem David Sheldrick, em Nairobi, onde foi posto a soro e ficou em observação durante a noite. Foram necessárias sete horas para que a cria se conseguisse levantar pelo seu próprio pé, continua Goss.

"Intervir em casos de crias de elefante abandonadas é algo que fazemos com regularidade", disse um porta-voz do Projeto Elefantes do Mara em comunicado. "Contudo, esta foi a primeira vez que tivemos um passageiro paquiderme no nosso helicóptero, [uma vez que] estes animais costumam ser grandes demais para a viagem."

BENDITOS TURISTAS

Nascida antes de tempo, a pequena cria não tinha altura suficiente para chegar à teta da progenitora. Os elefantes-africanos recém-nascidos pesam, geralmente, cerca de 90 quilogramas e medem 90 centímetros de altura, mas Goss diz que esta cria pesava cerca de 45 quilogramas. Ele conta ainda que a sua progenitora tentou durante horas que ela se pusesse de pé, tendo acabado por abandoná-la, derrotada.

Um grupo de turistas descobriu a cria durante a noite, tendo avisado os funcionários do projeto, que trabalharam com rapidez para realojar e alimentar o animal.

Após ter sido levada para o orfanato, Goss diz que os veterinários realizaram vários exames, para se certificarem que a cria era saudável. Foi ainda determinado que se tratava de uma fêmea, tendo o pequeno elefante sido batizado Panya. Os tratadores cobriram a cria com cobertores, para a manter quente, e alimentaram-na com biberões de leite, que seguravam entre as pernas. Durante o primeiro ano de vida, as crias de elefante mamam com a boca — não com a tromba — posicionando-se atrás das patas dianteiras da progenitora. Após esse período, as crias são desmamadas, começando a alimentar-se de vegetação por volta dos dois ou três anos de idade.

Rob Brandford, diretor executivo do Fundo para a Vida Selvagem David Sheldrick, não divulgou muitos detalhes acerca do estado de saúde atual de Panya, uma vez que o animal ainda se encontra a atravessar uma fase crítica. O fundo resgatou com êxito mais de 20 elefantes órfãos em 2017, diz Brandford, e o último salvamento decorreu na última semana de dezembro.

Brandford afirma que todos os elefantes reabilitados pela sua organização são reintegrados em meio selvagem. Em julho, um elefante chamado Maktao foi resgatado aos três meses de idade. As informações acerca do seu estado de saúde só foram divulgadas em outubro.

Tudo sobre crias de elefante

Após um período de gestação de 22 meses — o mais longo entre todos os mamíferos — a mãe elefante e a sua cria formam uma ligação praticamente inquebrável. Os elefantes fêmea, também chamados aliás, dão à luz, geralmente, uma vez em cada dois a quatro anos, e as crias dependem exclusivamente do leite materno durante os dois primeiros anos de vida. Quando uma cria fêmea nasce, esta normalmente fica com a progenitora durante toda a sua vida.

Os adultos podem pesar entre 2,5 e sete toneladas, chegando a medir cerca de quatro metros de altura. Sendo herbívoros generalistas, os elefantes alimentam-se de grandes quantidades de raízes, ervas, frutos, bolbos e casca de árvores, e os adultos chegam a ingerir 136 quilogramas de alimento por dia. Dependendo da quantidade de água que um elefante consumiu, não é invulgar que o peso de um paquiderme varie 45 quilogramas numa única semana.

Os elefantes prematuros geralmente não sobrevivem. Por exemplo, em agosto, o jardim zoológico de Pittsburgh decidiu eutanasiar uma cria de elefante prematura após vários meses sem que esta aumentasse de peso. O jardim zoológico tentou alimentar o animal através de uma sonda gástrica, tendo consultado diversos especialistas em elefantes antes de tomar a decisão.

Apesar de os detalhes acerca do estado de saúde de Panya não terem sido divulgados, o fundo continuará a cuidar dela nos próximos tempos.

"A Panya tem um longo caminho pela frente, uma vez que os elefantes prematuros são extremamente frágeis e suscetíveis", diz Brandford à National Geographic num e-mail. "Uma vez ultrapassados estes primeiros meses críticos, daremos então destaque ao esforço e empenho de todos aqueles envolvidos no salvamento desta cria."

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