Animais

Olhos Grandes e Cauda Macia: Descoberta Nova Espécie de Lémure

O recém-descoberto lémure-anão é mais pequeno que um esquilo e vive nas copas das árvores da floresta tropical. Terça-feira, 23 Janeiro

Por Sarah Gibbens

Com os seus olhos enormes e redondos, orelhas pequenas, caudas macias e mãos firmes, é difícil não gostar da mais recente espécie de lémure em Madagáscar.

Os cientistas identificaram recentemente e batizaram a nova espécie de lémure-anão com o nome científico de Cheirogaleus grovesi.

A espécie foi encontrada em dois dos parques nacionais do país: Ranomafana, caracterizado por uma floresta tropical numa região montanhosa e Andringitra, uma mistura de pastagem e floresta.

Na floresta tropical, estes lémures vivem no alto das copas das árvores, onde se abrigam no interior das árvores e alimentam-se de flores e néctar. Os cientistas ainda estão a conhecer a estrutura social dos lémures mas têm sido observados em grupos e vagueando individualmente. O lémure tem, em média, cerca de 15 cm de comprimento e uma cauda que mede cerca de 25 cm, tornando-o mais pequeno que o típico esquilo norte-americano. Os machos e fêmeas juntam-se para acasalar, mas as fêmeas são responsáveis por grande parte da educação das crias.

"Têm um nicho muito específico", afirma Edward Louis, o diretor do laboratório de genética de conservação no Jardim Zoológico de Omaha e autor do estudo sobre a nova espécie na publicação Primate Conservation.

APANHAR LÉMURES

Os cientistas tiveram de capturar os animais através do disparo de dardos remotamente ou manualmente. Quando eram apanhados com dardos, Louis afirma que a equipa utilizava redes com molas para apanhar os lémures antes que caíssem no chão.

No terreno, os cientistas anotaram medições como o tamanho da cabeça e peso e recolheram amostras que foram posteriormente analisadas em laboratório. Todos os lémures capturados para o estudo foram depois libertados no local de captura.

Demorou quase um ano a oficializar o nome do lémure como espécie por direito próprio, um esforço que incluiu parcerias com o State University of New York Polytechnic Institute e a ONG, Global Wildlife Conservation.

No laboratório de Genética de Conservação no Jardim Zoológico de Omaha, os cientistas conseguiram eventualmente distinguir o ADN dos lémures-anões de outros lémures geneticamente semelhantes.

Esta nova espécie foi uma de várias novas espécies possíveis apresentadas pelo Jardim Zoológico em 2013. Quando os cientistas desconfiam que podem ter encontrado uma possível nova espécie, denominam a mesma de nova até conseguirem apresentar provas suficientes para comprovar a sua novidade.

CONTAR ESPÉCIES DE LÉMURES

Das 113 espécies de lémures existentes, 24 foram identificadas pelo laboratório de genética de Omaha. Louis afirma que o laboratório construiu uma base de dados enorme e tornou-se tão eficaz que consegue comprovar com êxito a existência de novas espécies todos os anos.

Além de ter a maior base de dados para explorar, o Jardim Zoológico tem um programa de conservação no terreno, denominado Madagascar Biodiversity Partnership (Parceria de Biodiversidade de Madagáscar) que trabalha com os locais para a recolha de informação sobre vida selvagem.

Ao falar sobre a nova espécie de lémure, Louis é categórico sobre a importância do papel dos locais. Madagáscar tem sido muito prejudicada pela desflorestação, perda de habitat e caça furtiva, e os esforços de pesquisa da sua equipa são conjugados com medidas de conservação e educação para obrigar os locais a conservar o habitat da vida selvagem.

Os lémures são considerados o grupo de mamíferos mais ameaçados do mundo, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Atualmente, 24 espécies de lémures estão listadas como gravemente ameaçadas, 49 estão ameaçadas e 20 vulneráveis. Quase todas as espécies podem ser encontradas em Madagáscar.

O lémure-anão ainda não recebeu o estatuto de conservação, mas tal explica-se porque está concentrado em dois parques nacionais, Louis afirma que irá provavelmente ser identificado como espécie ameaçada, um nível acima dos seus primos menos afortunados.

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