Animais

Veja como Terminou o Combate entre Uma Cobra-Real e um Píton-Reticulado

Uma fotografia que se tornou viral, possivelmente tirada no sudoeste asiático, mostra-nos um estranho e raro encontro entre dois répteis. Quinta-feira, 15 Fevereiro

Por Nadia Drake

Recentemente, o confronto mortal entre dois titãs escamosos terminou num tremendo emaranhado, uma cena grotesca.

O combate terminou com um dos intervenientes, a cobra-real, estrangulado até à morte, e o outro também sem vida.

Mordida atrás da cabeça pela cobra-real, e a sentir os efeitos do seu veneno letal, o píton-reticulado tentou defender-se sufocando a sua atacante. E conseguiu.

No entanto, ambas as cobras morreram.

“É curioso, mas não me espanta... Vivemos num mundo demasiado perigoso, repleto de cobras enormes e outras coisas que facilmente nos podem matar” afirma Coleman Sheehy do Museu de História Natural da Flórida, que nos explica que este combate mortal, muito provavelmente, teve lugar algures no sudoeste asiático, onde estas duas espécies coexistem.

Ambas as cobras estão no topo da hierarquia entre os exemplares desta espécie escorregadia, despertando grande interesse entre os amantes destes animais. As fotografias dos corpos inanimados destas cobras rapidamente começaram a surgir no Facebook, atraindo a atenção de herpetólogos e entusiastas, fascinados com este episódio invulgar (todos conhecemos o símbolo do ouroboros, um conceito representado por uma serpente a morder a própria cauda, mas duas cobras enormes enroladas uma na outra sem vida é algo novo!).

“Parece uma imagem real, não parece Photoshop ou algo do género”, afirma Frank Burbrink do Museu Americano de História Natural. “Este é um encontro invulgar. No entanto, nem sempre é fácil conseguirmos observar que acontece no mundo das cobras.”

UMA MISTURA LETAL

É verdade; até quando estamos a falar de duas das maiores espécies de cobras do mundo.

A cobra-real é a maior das cobras venenosas, com alguns exemplares a atingirem os 5,5 metros de comprimento. Como o seu género taxonómico, Ophiophagus, indica, é perita em comer outras cobras. Geralmente, ataca a base da cabeça das suas presas, matando-as ao injetar o seu cocktail venenoso que rapidamente lhes bloqueia o sistema nervoso, paralisando-as.

“Conseguem imobilizar qualquer cobra que lhes apareça à frente”, explica Sheehy.

Os pitons-reticulados são as maiores cobras não-venenosas do mundo, podendo atingir os nove metros de comprimento. Servem-se dos seus músculos para estrangular as suas refeições, geralmente mamíferos — e não outras cobras.

“Se neste caso houve uma relação presa-predador, então o primeiro foi claramente a cobra-real e o segundo o píton-reticulado”, explica-nos Burbrink. “No então, nenhuma das duas teve sorte.”

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SELVAGEM?

Não se sabe ao certo com que frequência este tipo de conflitos entre cobras superpredadoras acontece na natureza; e Burbrink nem tem a certeza que este combate tenha tido origem exclusivamente em causas naturais.

“Sabemos que as cobras podem comer outras cobras, mas este caso até pode ter sido despoletado por humanos em busca de algo insólito”, explica-nos Burbrink. “Há pessoas que têm cobras-reais, e veremos o que acontece se um dia as pusermos no mesmo espaço. Consegue-se perceber [na fotografia] que as cobras estão numa espécie de valeta, e elas até podem ter ido lá ter sozinhas, mas, em todo o caso, é algo que poderia perfeitamente ter acontecido na natureza. Gostava de lá ter estado para ver.”

Independentemente do que espoletou este episódio, a sequência de eventos é clara. A cobra-real teve mais olhos que barriga, dada a constituição gigantesca do píton, e o píton, por sua vez, fez exatamente o que os pitons fazem: enrolou-se em torno do seu adversário e estrangulou-o até à morte.

Infelizmente, no final, a força do píton não teve hipóteses algumas perante o veneno da cobra.

“O veneno, por si só, mataria o píton rapidamente”, afirma Sheehy. “Provavelmente, cerca de 30 minutos após o início do combate, ambas as cobras já estavam mortas.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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