Após a Morte do Último Macho, Estará o Rinoceronte-Branco-do-Norte Condenado?

Duas fêmeas permanecem protegidas no Quénia.

Publicado 21/03/2018, 18:54
sudan rinoceronte morte
O guarda florestal Zacharia Mutai conforta Sudan, o último exemplar macho vivo da espécie rinoceronte-branco-do-norte, momentos antes da sua morte a 19 de março de 2018 no Ol Pejeta Wildlife Conservancy no norte do Quénia.
Fotografia de Ami Vitale, National Geographic

Os ambientalistas já esperavam a morte de Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho do mundo. Mas quando Sudan morreu na noite de segunda-feira, a notícia foi recebida com consternação a nível internacional.

O rinoceronte macho com 45 anos de idade viveu protegido por uma guarda armada no Ol Pejeta Conservancy no Quénia. No início do presente mês, Sudan desenvolveu uma infeção na sua pata direita traseira. Já sofria de problemas de saúde relacionados com a sua idade avançada e a infeção agravou o seu estado.

Agora, apenas duas fêmeas da espécie permanecem protegidas - as últimas da sua espécie no mundo.

Morreu Sudão, O Último Rinoceronte-Branco Macho

Estará Toda a Esperança Perdida?

A morte de Sudan é, basicamente, vista como a assinatura final na sentença de morte da espécie.

Realizou-se um enorme esforço de conservação para ajudar Sudan a deixar descendentes. Num último esforço desesperado para angariar dinheiro para os cuidados do rinoceronte, os ambientalistas criaram um perfil no Tinder para Sudan.

A documentação de Sudan e do declínio da sua espécie foi um importante projeto para a fotógrafa da National Geographic,  Ami Vitale.

"Atualmente, estamos a testemunhar à extinção de uma espécie que tinha sobrevivido durante milhões de anos, mas que não conseguiu sobreviver à humanidade", escreveu Vitale numa publicação de Instagram a partilhar a notícia.

Vitale estava com Sudan quando o rinoceronte foi transferido de um jardim zoológico na República Checa para a reserva no Quénia em 2009. Pensou-se que o clima africano e o aumento de espaço para vaguear iriam estimular a reprodução dos rinocerontes.

Como Sudan tinha passado a idade fértil e as duas fêmeas não conseguiam engravidar naturalmente, os cientistas estavam a tentar conceber um novo rinoceronte em laboratório.

As células reprodutoras foram recolhidas em rinocerontes-brancos-do-norte e os cientistas contam utilizar a FIV para engravidar "barrigas de aluguer" de rinocerontes-brancos-do-sul. A tecnologia para concretizar este feito ainda está a ser aperfeiçoada.

"Não existe garantia de que a FIV irá resultar", afirma Philip Muruthi, vice-presidente de proteção de espécies na  African Wildlife Foundation. Muruthi também acrescenta que a FIV é extremamente dispendiosa e poderá custar mais de 9 milhões de dólares.

"Existe uma lição amarga a retirar da conservação das espécies", afirma Muruthi. Acrescenta que, apesar da proteção ser dispendiosa, "os custos da recuperação são ainda maiores."

Rinocerontes em África

Em 2014, existiam apenas sete das subespécies do planeta: todas em jardins zoológicos. No verão de 2015, o número tinha diminuído para quatro e, apenas alguns meses mais tarde, existiam apenas três.

Mas quando a população de rinocerontes-brancos-do-norte começou a diminuir, tal aconteceu muito repentinamente.

Um pelotão de guardas armados protege Sudan, um rinoceronte-branco-do-norte que foi o último macho da sua espécie.
Fotografia de Ami Vitale, National Geographic

Nos últimos dias de vida de Sudan, os guardas florestais de Ol Pejeta mantiveram os três rinocerontes sobre proteção armada 24 horas por dia, sete dias por semana. Apesar do repentino estatuto de conservação da espécie, os animais enfrentam uma forte ameaça proveniente da caça furtiva.

Tal como os elefantes, os rinocerontes em África são caçados de forma agressiva pelos seus chifres, presas e pele bastante lucrativos.

Em 2013, outra subespécie de rinoceronte, o rinoceronte-preto-ocidental foi declarada extinta. O rinoceronte-preto-oriental, com cerca de mil exemplares, poderá ser a próxima espécie de rinoceronte a enfrentar a extinção.

Os ambientalistas continuam a dedicar-se a salvar esta espécie, para além do rinoceronte-branco-do-sul, uma espécie com cerca de 20 mil exemplares.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados