Foi Descoberto Na Tasmânia Um Peixe Raro Que Tem ‘Mãos’

A descoberta pode duplicar a população atual conhecida da área.

Publicado 26/03/2018, 16:42

Antonia Cooper  e a sua equipa de investigação estavam a mergulhar há duas horas. O grupo, constituído por membros do Institute of Marine and Antarctic Studies, da Universidade da Tasmânia e do programa científico de cidadãos, Reef Life Survey, recebeu uma informação pública de que uma espécie rara de peixe tinha sido avistada perto de um recife situado a milhas da costa sudoeste da Tasmânia, e os mergulhadores quiseram descobri-lo.

Mas depois de já ter passado mais de metade das três horas e meia que haviam dedicado à pesquisa, a equipa não tinha ainda encontrado o peixe. Cooper já estava pronta para terminar e gesticulou para a sua parceira de mergulho para que mais ninguém entrasse na água. Antes de recolherem, estava ela, já sem muita convicção, a remexer num pedaço de alga perdido quando alguma coisa vermelha na água lhe chamou a atenção.

"Ei-lo, encontrei um peixe-mão-vermelho,” diz Cooper num vídeo. "Foi muito entusiasmante.”

Apanhado Com a Mão na Massa

Cooper indicou a descoberta à equipa, o que lhes permitiu concentrar a sua pesquisa numa zona menor. Foram encontrados oito peixes-mãos-vermelhos (Thymichthys politus) numa faixa de recife que tem o tamanho de um campo de badmington.

A descoberta recente de uma colónia rara de peixes-mãos-vermelhos pode duplicar os números da população para 80 indivíduos.
Fotografia de Antonia Cooper

Batizados com este nome por causa das suas barbatanas dianteiras em forma de mãos, os peixes-mãos-vermelhos são habitantes da zona bentónica que rastejam no fundo do oceano com os seus membros. Crescem até terem entre cinco a treze centímetros de comprimento, e comem pequenos crustáceos e vermes. Os peixes-mãos-vermelhos podem ter duas variações de cor — um tem um vermelho vivo e o outro tem pequenos adornos vermelhos.

Este é certamente um dos peixes mais raros do mundo, afirma o bolseiro da Universidade da Tasmânia, Rick Stuart-Smith. O esquivo peixe foi descoberto pela primeira vez perto de Port Arthur, na península de Tasman, no século XIX. Até agora, apenas se conhecia uma comunidade, com 20 a 40 peixes, que vivia numa faixa de recife situada na zona de Hobart, na Baía Frederick Henry.

A recente descoberta de Cooper pode fazer duplicar as números conhecidos da população de peixes-mãos-vermelhos para uns 80 indivíduos, numa perspectiva otimista. Ainda podem existir outras populações por descobrir, arrisca Stuart-Smith.

“Já aprendemos imenso com a descoberta desta segunda comunidade porque o seu habitat não é semelhante ao da primeira”, explica Stuart-Smith numa declaração. “Podemos atrever-nos a presumir que sabemos que os peixes-mãos-vermelhos não estão dependentes de forma crucial do conjunto particular de condições daquele ambiente em particular.”

Uma Mão Amiga

Existem 14 espécies endémicas das águas do sudoeste da Tasmânia. Os pequenos, coloridos e sedentários peixes não têm uma constituição que lhes permita percorrer grandes distâncias a nadar, e é provável que a população recentemente descoberta seja geneticamente diferente da comunidade de Hobart.

Os Brachionichthyidae estão em grande perigo. Eles põem ovos na base de pedaços de algas, tornando-os vulneráveis a ser sacudidos ou derrubados por barcos ou por mergulhadores. São também ameaçados pela caça furtiva, para serem transformados em animais de estimação e a baixa taxa de reprodução, bem como a forma dispersa como esta ocorre também contribuem para a diminuição dos números de indivíduos da espécie.

Porque vivem em pequenas comunidades isoladas, Stuart-Smith afirma que os Brachionichthyidae são sociáveis dentro dos seus grupos. E isso significa que os programas de conservação com base no local pode ser uma boa forma de revitalizar a espécie.

Os Brachionichthyidae ainda são avistados na zona de Hobart, e a Austrália instituiu recentemente um plano de recuperação nacional para algumas espécies ameaçadas. Outra espécie, o peixe-mão-de-ziebell não foi avistado durante mais de uma década levando os cientistas a pensar que estava extinto, ou, pelo menos, muito perto disso.

“A única coisa que teria sido ainda mais entusiasmante na semana passada”, afirma Stuart-Smith, "teria sido avistar um destes peixes de Ziebell e descobrir que afinal ainda não estão extintos.”

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