Veja Um Gigantesco Caranguejo Terrestre a Atacar Uma Ave Distraída

Estes crustáceos enormes estão a fazer com que as aves "ponderem" onde vão construir os seus ninhos.

Publicado 27/03/2018, 16:43 , Atualizado 15/01/2021, 11:38
Veja Este Caranguejo Gigante atacar um Pássaro

Os caranguejos-dos-coqueiros, Birgus Latro, são uma aberração quando comparados com os outros crustáceos. Podem pesar até 4 quilogramas, medir quase um metro de comprimento e trepar árvores em busca de cocos, que descascam metodicamente antes de os comerem.

Estes caranguejos coloridos e antissociais podem até parecer criaturas extraterrestres, mas não, são mesmo daqui da Terra. Vivem em cavernas subterrâneas, tendo encontrado um refúgio ecológico nalgumas ilhas do Oceano Índico.

Pouco se sabe a respeito destas criaturas, sendo exatamente esse o motivo que levou Mark Laidre, professor assistente de Ciências Biológicas na Faculdade de Dartmouth e explorador da National Geographic, a embarcar numa expedição de dois meses até ao arquipélago de Chagos. Foi durante esta viagem que Laidre testemunhou a forma como estes caranguejos caçam.

Em março de 2016, Laidre viu um caranguejo-dos-coqueiros a atacar um atobá-de-pé-vermelho, suba suba, que descansava num ramo de uma árvore a baixa altitude. Derrubou-o e arrancou-lhe uma asa. Paralisada, a ave tentou oferecer resistência, mas foi incapaz de vencer as poderosas pinças do crustáceo enquanto este a pontapeava com as pernas.

Bastaram 20 minutos para que outros cinco caranguejos chegassem ao local, guiados pelo cheiro a sangue. O corajoso que havia atacado a ave em primeiro lugar arrastou-a para longe, ainda a respirar, e os crustáceos lutaram entre eles. Durante várias horas, o caranguejo arrastou e devorou a ave desmembrada.

Laidre afirma que esta cena foi “muito violenta”.

Acontece que estes caranguejos, omnívoros oportunistas, começam a influenciar os sítios onde as aves decidem construir os seus ninhos, conclui Laidre na sua investigação, publicada no Frontiers in Ecology and the Environment.

As aves podem viajar de uma ilha para outra, os caranguejos não – uma vez que não conseguem respirar debaixo de água, não lhes é possível nadar de uma ilha para a seguinte. Laidre reparou que nas ilhas onde existiam mais caranguejos não viu ninhos construídos a baixas altitudes. Nas ilhas onde encontrou ninhos de andorinhas-do-mar, não detetou caranguejos. Parece que estas andorinhas, cujos ovos são muito frágeis, optaram por nidificar em ilhas onde os caranguejos não são uma ameaça.

Não há muita informação relativamente às populações de caranguejos-dos-coqueiros – a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais regista a espécie como apresentando “informação insuficiente”. Acredita-se, no entanto, que a atividade humana, como pesca e a destruição de habitats, pode estar a reduzir o número de indivíduos nestas comunidades.

Laidre afirma que os caranguejos-dos-coqueiros podem ser assustadores para as suas presas, mas que não constituem nenhum risco para os humanos. (Com a exceção, talvez, de Amelia Earhart: alguns especulam que um ataque de caranguejos poderá estar por trás da sua morte.) 

"Não são criaturas agressivas. São curiosos,” explica-nos Laidre. “Não nos vão saltar para cima e atacar. O mais provável é terem medo de nós.”

Laidre explicou-nos que o próximo passo no estudo destes animais consiste em instalar câmaras de vídeo nos seus habitats para os cientistas poderem estudar os seus hábitos. Ainda ninguém estudou as suas tocas – onde provavelmente acasalam e se reproduzem – ou a forma como comunicam.

"Ainda precisamos de recolher muita informação," confessa Laidre, mas uma coisa é certa: estes caranguejos são “espetaculares”.

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