Animais

5 Animais com Defesas Malcheirosas

Uma ave que cheira a estrume de vaca e um milípede que emite cianeto contam-se entre as armas mais bizarras da natureza.Friday, May 11

Por Liz Langley
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Estamos a conversar com alguém que achamos inteligente e atraente, quando, de repente, a outra pessoa se aproxima um bocadinho mais e eis que somos atingidos por um sopro fétido. Não há nada tão pouco atraente, ainda que seja apenas atração social, como o mau hálito.

Também a maioria dos animais fugirão a sete pés de um odor pestilento. Ainda que a camuflagem, as couraças e o aspeto agressivo estejam entre as melhores defesas do reino animal, estas cinco espécies sabem que todos fogem de um mau cheiro.

ABRUTRE

Em Conta Comigo, Stephen King descreve um concurso de comida de tartes que acaba por se transformar num “verdadeiro festival de vómito”, quando o vencedor vomita intencionalmente e o público, agoniado, segue o mote.

Também os abutres conhecem o poder do vómito. Estas aves são animais necrófagos, alimentando-se da carne em decomposição de animais mortos, o que é vantajoso para nós, pois retiram das nossas autoestradas e paisagens as carcaças, livrando-nos ainda das bactérias que estas transportam. Quando os abutres se sentem ameaçados, regurgitam, e o cheiro de uma carcaça vomitada é suficiente para demover a maioria dos predadores.

Para mais, vomitar permite que o abutre fuja com maior rapidez — e o vómito pode irritar os olhos e face do agressor.

Regra geral, é um dissuasor eficaz, exceto quando o predador é pior que o mau cheiro — como é o nosso caso.

OPOSSUM

De certa forma, os opossuns têm a tarefa facilitada. Para fingir a sua própria morte, estes animais não têm de enviar um certificado de óbito por fax a ninguém, escolher um país onde se esconderem, nem de recear os investigadores das companhias de seguros.

Estas criaturas limitam-se a ficar deitadas, de língua de fora, por vezes durantes horas, acabando por convencer os potenciais predadores a procurar uma refeição mais fresca noutro lugar. Mesmo que continuem a ser atacados, os opossuns pouco mais se mexem do que uma estátua humana ou do que a Guarda da Rainha, até que a ameaça tenha desaparecido.

Como parte da sua atuação digna de Hollywood, os opossuns que se fazem de mortos chegam a emitir um odor desagradável, defecando, segundo o Departamento de Recursos Naturais do Wisconsin, um “muco verde malcheiroso.”

Cheira-nos a Óscar.

CIGANA

Se formos uma ave, estamos entre os melhores cantores, dançarinos, e exibicionistas do mundo. Teremos de ter um qualquer atributo muito especial para nos destacarmos no meio desta multidão.

Tapem os vossos narizes: apresentamos-vos a cigana, uma ave com uma série de características bizarras, uma das quais é o seu cheiro a estrume de vaca. Este animal alimenta-se, maioritariamente, de folhas, que são digeridas no seu papo, um saco que algumas aves têm na porção inicial do tubo digestivo. A cigana é a única ave conhecida que digere os alimentos por fermentação, tal como uma vaca. Esse processo é responsável pelo seu mau cheiro, que lhe valeu a alcunha de “ave fedorenta.”

Mas não se riam. Esse mau cheiro significa que nem mesmo o ser humano quer comer a cigana.

Damos os parabéns à Universidade Cornell, pelo título espirituoso do artigo no seu website BirdScope acerca desta ave aromática: Alimentar, minha cara cigana!

MILÍPEDE

Os milípedes são traiçoeiros. Para um leigo, estes animais parecem minhocas com patas, mas não são anelídeos — são artrópodes, embora também não sejam insetos, sendo mais aparentados com os caranguejos e as aranhas. O seu nome também é enganador: têm cerca de 750 patas (não milhares, como seria de esperar). Apesar da sua aparência de monstro de filme de terror, estes animais alimentam-se de folhas e não mordem seres humanos.

Os milípedes têm inúmeros predadores, incluindo lagartos, aves e insetos, e um dos seus mecanismos de defesa consiste em enrolarem-se numa bola (que, ironicamente, os faz ter melhor aspeto, parecer bonitos, até — pelo menos, a estes olhos). Contudo, alguns também libertam um aerossol de defesa nocivo, que irrita a pele, danifica os olhos e deixa um odor horrível no seu atacante.

Paul Marek, do Departamento de Entomologia do Virginia Tech, disse à National Geographic que os milípedes segregam cerca de 30 substâncias químicas diferentes, que variam consoante a espécie.

Estas secreções podem incluir cianeto de hidrogénio. Tenham cuidado com estas duas espécies: Apheloria virginiensis (que Marek diz que tem um cheiro agradável, semelhante a cola de cereja), que liberta cianeto, e Narceus americanus, que liberta benzoquinona, um composto que mancha as mãos.

“As suas secreções de defesa destinam-se a animais de pequenas dimensões.” Se uma ave pegar num destes animais, sentirá uma irritação e largá-lo-á de imediato. Se se tratar de uma pessoa, será melhor lavar as mãos depois.

“O seu sabor é muito desagradável”, acrescentou Marek, e sim, ele já provou um — mais precisamente, lambeu-o, descrevendo o seu gosto como “picante, que queima.”

Graças à sua curiosidade científica, não iremos procurar nenhum livro de receitas de milípede... nem mesmo para o Dia das Bruxas.

LEBRE-DO-MAR

A graciosa lebre-do-mar é tóxica, logo, não é dos pratos mais populares na cadeia alimentar dos oceanos. Ainda assim, este tipo de lesma-do-mar tem um mecanismo de defesa relacionado com o olfato bastante engenhoso, que é praticamente o oposto dos seus companheiros odoríferos nesta lista. A lebre-do-mar segrega uma tinta púrpura, viscosa, que é uma mistura de tinta e opalina; um estudo de 2010 demonstrou que esta substância torna o alimento menos saboroso para os predadores.

Os investigadores descobriram que as lagostas que eram atingidas pela tinta da lebre-do-mar exibiam comportamentos ansiosos, como agitar a cauda e esfregar as peças bucais. Adicionalmente, um estudo de 2012, que usava lagostas palinurídeas como predador modelo, descobriu que a opalina na tinta das lebres-do-mar bloqueia os quimiorrecetores da lagosta, de forma que esta deixa de conseguir cheirar potenciais alimentos.

Por outras palavras, a lebre-do-mar provoca nos seus antagonistas o equivalente a um nariz entupido, para que estes não descubram o seu cheiro apetitoso.

Será que somos presos pela polícia dos trocadilhos se chamarmos a isto quimio-flagem?

CONSEGUE DESCOBRIR OS ANIMAIS CAMUFLADOS NESTAS FOTOGRAFIAS?

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