Animais

A Aranha Mais Velha do Mundo Morre e Deixa-nos uma Lição de Sustentabilidade

Na Austrália, uma aranha-de-alçapão passou décadas a cuidar de uma pequena toca, uma lição de vida para os humanos no âmbito da sustentabilidade, segundo os cientistas.quinta-feira, 17 de maio de 2018

Por Stephen Leahy
Desde 1974 que os cientistas se dedicam ao estudo do número 16, o nome pelo qual era conhecida uma aranha-de-alçapão, que morreu, recentemente, na Austrália. A sua longa vida abre caminho a novas perspetivas do conhecimento científico sobre a espécie.

O número 16, a aranha mais velha no mundo de que há registo até à data, morreu com a provecta idade de 43 anos, provavelmente morta por uma vespa. Esta aranha sobreviveu à anterior recordista, uma tarântula com 28 anos de idade encontrada no México. No início, os investigadores acreditavam que o tempo de vida médio das aranhas-de-alçapão se situava nos 25 anos. No entanto, mais importante do que estabelecer um recorde, foi a lição de vida que o número 16 nos deu sobre a sustentabilidade, disseram os investigadores à National Geographic.

O número 16 construiu a sua toca na Reserva de North Bungulla, no sudoeste da Austrália, quando era ainda jovem. Como todas as fêmeas da aranha-de-alçapão, da família das aranhas mygalomorph, o número 16 era uma criatura caseira, que nunca se afastava da sua toca. Para ela, era essencial assegurar a proteção e a manutenção do seu refúgio, porque para as aranhas-de-alçapão em idade madura não é fácil reconstruir ou relocalizar a sua toca, em situações de perda ou danos.

As aranhas-de-alçapão são aranhas tropicais peludas, com quatro centímetros de comprimento, que nidificam no subsolo. As suas picadas podem ser dolorosas e provocar inchaço nos seres humanos. Elas camuflam, habilmente, a entrada da sua toca, com uma cobertura semelhante a um alçapão, e tecem fios que dispõem como autênticas armadilhas nas proximidades. Quando os fios são acionados por um inseto intrusivo, estas aranhas saltam da toca numa espécie de ataque surpresa, arrastando a presa para o seu interior.

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Em 1974, a aracnóloga australiana Barbara York Main incluiu o número 16 num estudo populacional de longo prazo sobre a forma como as aranhas-de-alçapão vivem em território nativo, com o objetivo de conhecer a sua natureza sedentária e baixo metabolismo. Como parte do estudo, todas as tocas ativas eram verificadas a cada seis meses. No dia 31 de outubro de 2016, os investigadores descobriram que a cobertura da toca do número 16 tinha sido perfurada por uma vespa parasita, apresentando-se em mau estado. A vespa parasita implanta ovos no interior de outros insetos e, quando esses ovos eclodem, as larvas alimentam-se do seu hospedeiro, neste caso do número 16. Por esta altura, todas as aranhas suas contemporâneas já tinham morrido havia muito tempo.

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Segundo as conclusões do estudo, o número 16 é a personificação de um exemplo de uma vida longa, de baixo impacto, assente no uso frugal de recursos. Além disso, ela e as aranhas-de-alçapão em geral não conseguem reconstruir ou mudar a localização da sua toca, quando esta é destruída ou seriamente danificada. Este facto pode servir de exemplo para os humanos como forma de uma vida sustentável, afirma a autora do novo estudo, Leanda Mason, da Universidade de Curtin, em Perth.

“Por oposição, nós, humanos, levamos uma vida demasiado acelerada e sem base de sustentabilidade, considerando a velocidade a que consumimos e destruímos recursos” respondeu Mason por correio eletrónico

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