Cães Terapeutas Fazem Milagres. Mas Será que Gostam do Trabalho que Desenvolvem?

Um novo estudo sobre os níveis de stress dos cães terapeutas revela resultados animadores.

Publicado 19/05/2018, 20:11
Tucker, um cão terapeuta, visita o seu paciente Jim Cawley.
Tucker, um cão terapeuta, visita o seu paciente Jim Cawley no Hospital Público de Massachusetts, em Boston, a 6 de março de 2018.
Fotografia de Jessica Rinaldi, The Boston Globe/Getty

Se é um amante de cães, estar na companhia do seu fiel companheiro já é, por si só, reconfortante.

Por isso, não surpreende que os cães terapeutas possam levar conforto anímico a pessoas com saúde debilitada por doenças do foro oncológico, stress pós-traumático ou demência, por exemplo.

Existem mais de 50 000 cães terapeutas nos Estados Unidos e estes companheiros estão a tornar-se cada vez mais populares em países como a Noruega e o Brasil. Estes caninos e os seus cuidadores são treinados e certificados por diversas organizações para interagir com pacientes, tanto em hospitais, como noutras unidades de cuidados de saúde.

Os estudos corroboram os benefícios da terapia com cães, mas o que pensam os protagonistas desta história sobre a ajuda que prestam aos humanos? Os investigadores também refletiram sobre esta questão, e as conclusões são animadoras.

Um estudo recente divulgado na revista científica Applied Animal Behaviour Science evidencia que os cães terapeutas nas alas pediátricas de oncologia não evidenciam sinais de stress na ajuda que prestam e que, na maioria dos casos, parecem até gostar de o fazer.

“O que tornou esta investigação única foi a pluralidade de espaços. O estudo envolveu cinco hospitais diferentes espalhados pelo país, permitindo-nos visitar mais de uma centena de pacientes, com o auxílio de 26 cães, tornando este o maior estudo do género”, afirma a coordenadora da investigação Amy McCullough, diretora nacional de pesquisa e terapia da American Humane, uma organização dedicada ao bem-estar animal, com sede em Washington D.C.

TRABALHAR QUE NEM UM CÃO

Os investigadores mediram os níveis de cortisol, uma hormona cuja concentração aumenta em situações de stress, na saliva dos cães. As amostras foram recolhidas em dois momentos distintos: em casa e durante as sessões de terapia no hospital.

Contudo, os níveis de cortisol aumentam tanto em situações de eustress ou stress positivo, como de distress ou stress negativo. “Imaginemos um cão que adora correr atrás da bola, sempre que este a persegue, as concentrações de cortisol tendem a aumentar”, afirma McCullough.

Assim sendo, a equipa filmou e analisou o comportamento de 26 cães em três categorias distintas: ações amigáveis, tais como abordar uma pessoa ou convidá-la a brincar; indicadores moderados de stress, como lamber em excesso e tremer; e comportamentos de elevado stress, tais como ganir.

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Os investigadores não encontraram diferenças na medição dos níveis de cortisol dos cães, tanto nas amostras recolhidas em casa, como em ambiente hospitalar, o que significa que os cães terapeutas não estavam sob grande stress.

TORNAR O TRABALHO DIVERTIDO

As conclusões são consistentes com estudos anteriores, afirma Lisa Maria Glenk, autora de uma crítica redigida em 2017 sobre a literatura relativa ao bem-estar dos cães terapeutas.

O estudo, bem estruturado, prima pelo nível de detalhe: “Estudos conduzidos anteriormente continham pouca ou nenhuma informação sobre as atividades desenvolvidas durante as sessões de terapia, o que dificulta a identificação das práticas que aumentam os níveis de stress nos cães”, afirma Glenk da Universidade de Medicina Veterinária, em Viena.

O próximo passo consiste em perceber se os cães terapeutas gostam do trabalho que desenvolvem, afirma Glenk, e, nesse âmbito, o novo estudo sobre oncologia pediátrica fornece algumas pistas.

Por exemplo, os cães pareciam mais felizes em certas atividades do que noutras; uma criança que falasse ou brincasse com o brinquedo de um cão parecia desencadear respostas mais amigáveis por parte do animal, do que uma criança que o escovasse ou chamasse.

Analisando os resultados, “será correto afirmar que algumas atividades são mais divertidas para os cães”, realça McCullough.

“Esta informação é útil para os cuidadores, pois permite-lhes adequar as escolhas, dando preferência a atividades mais divertidas para os seus cães”.

ENCONTRAR O PARCEIRO IDEAL

Para tal, é necessário observar os cães terapeutas de perto, mesmo que, por vezes, eles possam parecer inconsistentes. Por exemplo, o estudo demonstrou que os cães que acusavam maiores níveis de stress, também revelavam comportamentos mais amigáveis, sugerindo que alguns caninos podem ser mais evidentes quanto à manifestação dos seus sentimentos.

Tal como em qualquer trabalho, é importante saber escolher os candidatos certos, refere McCullough. Muitas pessoas querem partilhar o afeto dos seus companheiros com as comunidades locais, “mas isso não significa, necessariamente, que o cão seja talhado para este tipo de trabalho”.

Por isso, tanto donos, como cuidadores e entidades de certificação de cães terapeutas devem basear as suas escolhas considerando o entusiasmo do animal, e não a mera tolerância.

“É o cão que pede atenção por iniciativa própria ou precisa de ser subornado com doces para interagir?”, diz McCullough.

“Sempre que um cão visita um paciente, a interação tem de ser recíproca e implicar benefícios para ambas as partes, por isso, é, realmente, importante que estes animais gostem do trabalho que desenvolvem”.

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