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Esta Minúscula Borboleta Consegue Voar a Distância Recorde de 4023 Km de Cada Vez

A borboleta Bela-Dama é uma borboleta migratória capaz de percorrer, numa única geração, a maior distância de que há registo.Wednesday, May 2, 2018

Por Carrie Arnold
Uma borboleta Bela-Dama abre as suas asas à procura de um raio de sol.

O entomologista Gerard Talavera tinha viajado mais de 3200 km de Espanha até ao remoto deserto de Shael para encontrar um outro viajante de longa distância: a borboleta Bela-Dama.

Mas uma tempestade vinda de nordeste manteve Talavera de olhos postos no céu e não nos arbustos rasteiros onde podiam esconder-se os insetos. No preciso momento em que decidira acabar com a busca naquele dia de 2014, uma súbita rajada de vento soprou-lhe um corpo estranho contra o rosto: era uma Bela-Dama.

“Eu era a única pessoa que procurava esta borboleta nesta parte do mundo e os ventos trouxeram-na ao meu encontro,” conta Talavera.

Uma larva da Bela-Dama fotografada nas montanhas da Etiópia.

Com o apoio financeiro da National Geographic Society, Talavera e o seu mentor, Roger Vila, caminharam ao longo da África central para resolver o mistério de longa data sobre o local onde as borboletas Bela-Dama passam o inverno.

Banalmente Fantástico

Sendo uma das borboletas mundiais mais omnipresentes, a Bela-Dama pode ser encontrada em qualquer continente, com exceção da América do Sul e da Antártida.

Os cientistas já conheciam as borboletas Bela-Dama que cobrem a América do Norte nos meses quentes e migram para o México e para a América Central durante o inverno.

Eles também seguiram o rasto das Bela-Dama da Eurásia para sul, até ao deserto do Sahara, mas, a partir daí, as borboletas desapareciam do mapa. Talavera e Vila sabiam que elas tinham de estar algures na África tropical.

E eis que, no Chade, no Benim e na Nigéria, Talavera e Vial são surpreendidos por grandes nuvens de Bela-Dama – à razão de 20 000 borboletas por hectare –, que passavam o inverno em climas mais quentes.

Um grande plano de uma crisálida da Bela-Dama.

A descoberta prova que esta borboleta de cinco centímetros pode fazer um voo migratório de cerca de 4000 quilómetros a partir da Europa, superando obstáculos como o Mar Mediterrâneo, as montanhas do Norte de África e o deserto do Sahara. E, ao contrário das borboletas Monarca, os vestígios químicos presentes nas asas das Bela-Dama revelam que elas podem fazer a viagem numa única geração.

Veja o vídeo de todo o processo evolutivo de uma borboleta Monarca.

É a mais longa migração de uma borboleta, numa única geração, de que há memória.

“É uma borboleta comum capaz de fazer coisas realmente únicas e impressionantes,” afirma Talavera.

Uma Viagem Incrível

Antes de partirem para África, Talavera e Vila criaram um modelo informático dos locais com maior probabilidade de acolher as Bela-Dama. Embora o modelo informático da equipa tenha cumprido o seu propósito, Talavera adverte que o estudo de seres migratórios, desde as aves, passando pelas tartarugas até às baleias, representa, muitas vezes, um enorme desafio, sobretudo quando se trata de insetos migratórios.

Borboletas Bela-Dama aglomeram-se perto do rio Níger, no Benim, provavelmente descendentes das borboletas migratórias da Europa.

Acresce à dificuldade o fator altitude, pois as Bela-Dama são capazes de voar a maior altitude do que outros insetos, segundo Rebecca Simmons, uma entomologista da Universidade da Dakota do Norte.

Ao contrário das borboletas Monarca, que são, muitas vezes, confundidas com as Bela-Dama, estes insetos de altos voos não repetem o caminho por onde passam, anualmente, no inverno. Nem migram obedecendo a um calendário regular ou fazem sempre a viagem de regresso de uma só vez, percorrendo o total dos 4023 km.

Pequenos Passos

“As borboletas Bela-Dama reproduzem-se ao longo do caminho. Elas dão pequenos passos, uma geração de cada vez,” afirma Simmons. As Bela-Dama podem fazer a viagem migratória numa única geração, embora nem sempre o façam.

As montanhas Guera no Chade central são, provavelmente, um lugar de eleição para a reprodução das borboletas Bela-Dama da Europa.

Precisamente porque se sabe tão pouco sobre a migração de insetos em geral e das Bela-Dama em particular, Simmons afirma que estudos como este são essenciais para compreendermos o mundo natural.

Agora que têm uma ideia geral do local onde as borboletas passam os meses de inverno, Vila e Talavera dedicam-se a criar um mapa mais detalhado que indique quais os fatores, tais como a disponibilidade de alimento, que influenciam os movimentos das borboletas.

“É uma viagem fantástica, o tipo de viagem conhecida nas aves, mas não nos insetos,” conclui Talavera.

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