Animais

Partida Adiada: Estes Animais Permanecem Com a Progenitora Durante Anos

Estas espécies, desde as orcas aos orangotangos, preferem o conforto do lar à independência da vida adulta. Saiba porquê.sexta-feira, 1 de junho de 2018

Por Liz Langley
Um orangotango do Bornéu com 11 meses de vida surge entre as árvores na companhia da progenitora.

Por certo já ouviu falar dos filhos que não saem do ninho, gente adulta com 20 e tal anos que termina a faculdade e se instala em casa dos pais, adiando a partida. Mas terão estes comportamentos paralelo na vida selvagem?

Não é muito frequente, mas existem algumas espécies que se mantêm sob a asa da progenitora durante um longo período de tempo ou até mesmo durante toda a sua existência.

Tome-se o exemplo dos orangotangos, que tendem a fazer tudo muito devagar, incluindo sair de casa.

Os símios de grande porte dão à luz uma única cria a cada sete ou oito anos, que é amamentada até aos seis anos de vida, mais ou menos o tempo de intervalo até à gestação seguinte, afirma Helen Morrough-Bernard, uma especialista em primatas da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

A maioria das progenitoras permite que os jovens orangotangos fiquem mais uns três anos no ninho, após o nascimento da nova cria, enquanto algumas apressam-se a expulsá-los ao fim de seis meses.

Quando nasce o membro mais novo da família, o jovem irmão “partirá à aventura, decidido a explorar a natureza por sua conta e risco, e poderá passar a noite fora”, afirma Morrough-Bernard.

“Gosto de pensar que é como um adolescente que sai para frequentar a universidade e regressa nas férias. Eles não são inteiramente independentes, mas experimentam formas de independência”.

ELEFANTES AFRICANOS

Mulheres, mulheres, mulheres… o mundo do elefante africano gravita em torno delas. A fêmea mais corpulenta e mais velha é, geralmente, a líder do grupo e as fêmeas mantêm-se junto da prole durante toda a sua existência.

Um elefante acaricia a cria no delta do rio Okavango, no Botswana.

Os machos saem do ninho entre os 8 e os 18 anos de idade e, dado que o tempo de vida de um elefante selvagem é de cerca de 56 anos, isso significa que passam quase um terço da sua existência em casa, no seio da família.

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LEÕES AFRICANOS

Tal como a comunidade de elefantes, as leoas “são o estrato social estável do bando, enquanto os machos vão e vêm para controlar o grupo”, afirma Ed Spevak, especialista em invertebrados no Jardim Zoológico de St. Louis, que também estudou animais africanos.

Os machos dividem-se sempre por vários bandos nesta sociedade do junta e separa, e cerca de um terço das fêmeas parte para integrar outros bandos.  

Crias de leão aninham-se ao lado da progenitora sobre um formigueiro, enquanto ela perscruta a reserva de Selinda, no Botswana.

Ainda assim e de um modo geral, “podemos ter algumas irmãs e filhas a viver juntas o resto das suas vidas”, afirma Spevak.

ORCAS

As orcas nascem no seio de grupos familiares unidos, liderados por fêmeas, que se mantêm no grupo durante toda a sua existência. Os machos, por seu turno, abandonam o coletivo apenas para acasalar e eventualmente regressar mais tarde.

As orcas fêmeas podem viver até aos 90 anos, muito além da idade reprodutiva, sendo provável que a sua longevidade esteja associada à sobrevivência da prole. As fêmeas mais velhas dão apoio aos elementos masculinos da prole, ajudando-os a encontrar alimento ou defendendo-os nos confrontos com outras baleias assassinas, segundo a revista New Scientist.

Um estudo de 2012 revelou que as orcas macho, com cerca de 30 anos, tinham três vezes mais probabilidades de morrer no ano seguinte à morte da progenitora, caso ela ainda estivesse em idade reprodutiva. O risco aumentava 14 vezes mais, se a idade da progenitora fosse superior à idade reprodutiva, que se situa entre os 30 e os 40 anos. As mortes das progenitoras tinham muito menos impacto na sobrevivência dos elementos femininos da prole.

SAGUIS

Várias espécies destes símios minúsculos da América do Sul vivem em pequenos grupos familiares, que incluem adolescentes de ambos os sexos e que se mantêm no seio do grupo para tomar conta dos elementos mais novos, afirma Don Moore, diretor do Jardim Zoológico de Oregon, em Portland.

Um sagui-pigmeu dourado e a sua cria são avistados na floresta atlântica no Brasil.

Desta forma, os saguis jovens aprendem como criar as futuras crias, afirma Moore. Mais tarde, quando atingirem a idade adulta, podem migrar para outros grupos à procura de parceiros para acasalar.

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