Animais

Porque é que os Cães Ficam Tão Alterados Durante uma Trovoada? Saiba o que Fazer Para os Acalmar.

Com o verão à porta, analisámos as causas que desencadeiam ansiedade nos cães durante uma trovoada, e procurámos estratégias para acalmar estes companheiros de quatro patas. sexta-feira, 18 de maio de 2018

Por Liz Langley
ver galeria

O tempo quente está já ao virar da esquina e, com ele, vêm as tempestades que podem deixar o seu cão completamente alterado. Debruçámo-nos sobre as causas que estão na origem da ansiedade canina e nas estratégias que podem acabar com as neuras próprias de um dia de chuva.

“As orelhas projetadas para trás, a cauda retraída, os olhos esbugalhados, a respiração ofegante, as lambidelas contínuas e os ganidos sucessivos” são os sinais mais comuns da ansiedade canina, afirma Terry Curtis, um clínico especialista em padrões comportamentais da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Flórida.

Por vezes, o pânico destes animais pode escalar para níveis de risco durante as trovoadas. “Já tive casos em que um cão abriu um buraco numa parede de gesso cartonado, atravessando-a”, afirma Curtis. “E outro que saltou através de uma porta de vidro deslizante."

Qual é então o problema?

ELETRIFICADO

A descida da pressão barométrica, que é sentida pelos cães, associada ao céu carregado, ao vento e ao ruído de um trovão podem desencadear reações de medo nos cães.

Alguns animais revelam aversão canina ao ruído, que pode provocar-lhes desconforto ou até mesmo fobias a sons altos.

A acumulação de eletricidade estática no pelo dos cães é outra explicação possível, afirma Nicholas Dodman, um veterinário especialista em comportamentos na Universidade de Tufts e director científico no Centro de Estudos de Comportamentos Caninos.

Segundo Dodman, cães de grande porte e cães com pelo comprido ou de pelagem dupla facilmente acumulam eletricidade estática, tal como nós, quando sentimos um choque ao tocar na porta do carro, se tivermos vestida uma camisola e usarmos sapatos sem sola de borracha.

Um cão que acuse algum nervosismo durante uma trovoada poderá sentir um novo choque ao tocar com o focinho num objeto metálico. Numa situação destas, aquilo que era apenas pequeno desconforto pode, perfeitamente, evoluir para uma fobia, afirma Dodman.

Ballyntyne sugere que os donos filmem os respetivos cães nos períodos de ausência e procurem identificar sinais como passada acelerada, respiração curta e ofegante e inquietação. Estes comportamentos podem denunciar formas ligeiras de ansiedade que decorrem da separação e que podem manifestar-se de forma exacerbada durante uma tempestade.

Ballyntyne também sugere que se deixe o animal escolher o local onde se sente seguro e tornar esse espaço mais confortável através da instalação de aparelhos de ruído branco, que abafem o ruído de um trovão, ou de um revestimento de isolamento acústico.

E todos os especialistas foram consensuais quanto à importância de acompanhamento clínico por um veterinário, que poderá prescrever medicação, caso seja necessário.

"Se o cão está em pânico”, afirma Ballantyne, a prescrição de ansiolíticos “contribuirá e muito para melhorar a qualidade de vida de um cão”.

Kelly Ballyntyne, veterinária e professora assistente na Faculdade de Medicina Veterinária na Universidade de Illinois, afirma que é difícil provar se a acumulação de eletricidade estática provoca ansiedade nos cães.

O extraordinário olfato dos cães “pode identificar mudanças no ambiente que anunciam a proximidade de uma tempestade”, afirma.

Além disso, “há alguns indícios que apontam para a existência de predisposições genéticas em certas raças de cães, que podem levar ao desenvolvimento de fobias associadas ao ruído”, como por exemplo os border collies e os pastores alemães australianos.

SERÁ O SEU CÃO CAPAZ DE O TROCAR? VEJA O VÍDEO.

ACALMAR UM CACHORRO AGASTADO PELAS TEMPESTADES

Ao tratar cães com fobias a tempestades, Dodman reparou que muitos cães procuram refúgio em lugares protegidos contra choques elétricos, tais como banheiras, jacuzzis ou atrás da retrete.

Curioso a propósito deste estranho comportamento, Dodman perguntou aos donos de cães, a título informal, em que parte da casa estes companheiros de quatro patas procuravam abrigo, sendo a casa de banho a resposta de metade dos inquiridos e tendo sido, inclusive, referida a situação de um pastor alemão com 36 quilos que se refugiava no interior do lavatório, afirma.

Curtis e Dodman aconselharam os donos a adquirir um casaco anti-estático para acalmar os cães e Dodman sugeriu ainda secar o pelo do animal com uma toalha anti-estática. Uma manta aconchegante também pode levar algum conforto.

Continuar a Ler