As Tartarugas Têm Boas Maneiras à Mesa? Esta Fotógrafa Responde.

As criações de banquetes de Claire Rosen reavivam a magia da infância. Veja as fotografias destes animais à mesa de jantar.

Publicado 22/05/2018, 18:28 WEST
O banquete das tartarugas de orelhas vermelhas. Montclair, New Jersey, 2014.

O banquete das tartarugas de orelhas vermelhas. Montclair, New Jersey, 2014.

Fotografia de Claire Rosen

Se um grupo de flamingos se reunisse à mesa para jantar em Miami, na Flórida, como seria? E as chitas na África do Sul ou as preguiças na Amazónia, no Peru? Estas são as reuniões de animais, às quais a fotógrafa de belas artes Claire Rosen deu vida.

Nos últimos seis anos, Rosen fotografou 55 espécies em 20 regiões diferentes dispersas pelo mundo, produzindo imagens fantasiosas de animais, que se animam e deliciam com um banquete em torno de mesas primorosamente elaboradas. O trabalho final dá pelo título The Fantastical Feasts.

Rosen, que se estabeleceu na Pensilvânia, espera que, ao retratar animais enquadrados numa cena própria dos humanos, as pessoas se interroguem se o Homem partilha mais aspetos com criaturas com escamas, pelos e penas do que aqueles que pensa.

O banquete dos pequenos póneis. Morristown, New Jersey, 2013.

Fotografia de Claire Rosen

Segundo Rosen, "este projeto procura sensibilizar as pessoas para que olhem os animais de forma mais humana e gentil e fomentar a reflexão sobre o modo como interagem com eles. Que responsabilidades temos relativamente às criaturas com as quais partilhamos o planeta?”.

As fotografias levam as pessoas a empatizar com os animais através da evocação das formas como os imaginavam, quando eram crianças. Durante o seu crescimento, Rosen contemplava livros que antropomorfizavam os animais. Beatrix Potter, autora de The Tale of Peter Rabbit era a sua preferida, assim como Lewis Carrol de Alice no País das Maravilhas. Após ter iniciado o projeto The Fantastical Feasts, Rosen encontrou alguns dos seus livros antigos no sótão de casa dos pais. Rosen apercebeu-se de que o seu projeto tinha sido, largamente, influenciado pelas cenas que interiorizou quando era criança.

No essencial, Rosen agradece a feliz combinação entre o acaso e a sincronia relativamente aos animais retratados nas suas fotografias. Muitas das imagens foram tiradas durante viagens profissionais, enquanto professora de fotografia. Uma vez confirmado o destino, Rosen faz uma pesquisa sobre os animais com maior importância na região e desenha imagens possíveis na sua cabeça.

O banquete das estrelas do mar. Inderoy, Noruega, 2014.

Fotografia de Claire Rosen

Os acessos surgiram sob uma multiplicidade de formas. Na Jordânia, onde Rosen fotografou um órix árabe, uma espécie de antílope salva de extinção através da criação em cativeiro, o acesso surgiu inesperadamente, após ter parado, por acaso, numa barraca de café no meio do deserto.

Rosen começou a falar sobre o seu projeto com uma pessoa que tomava café no local e que se ofereceu para ligar ao primo, que, por sua vez, era amigo de um cientista que integrava a equipa de criação de órix. Sete minutos mais tarde, Rosen estava sentada na caixa de uma carrinha a caminho da reserva.

Dispor de amostras do seu trabalho para mostrar às pessoas franqueou-lhe muitas portas.

O banquete dos ouriços. Montclair, New Jersey, 2013.

Fotografia de Claire Rosen

Ao mudar-se, recentemente, para a Pensilvânia, vários habitantes na zona colocaram ao dispor de Rosen animais que conheciam e acarinhavam. Rosen antecipara alguns dos animais, como cavalos, cães, cabras, vacas e ovelhas, mas outros foram uma agradável surpresa, como pavões e lagartas gigantes.

Rosen tornou-se criativa e também uma mulher de muitos recursos.

Os periquitos, que são os animais de estimação de Rosen, foram fotografados no antigo apartamento após um temporal. “Tinha caído uma árvore e decidi arrastar um ramo enorme para dentro de casa”, diz Rosen, “e a minha mãe fez-lhes estes pequenos mimos com as formas de bolos”.

Mas, na maioria das vezes, Rosen procura sugestões no Facebook. “A minha rede de contactos tem sido valiosa para conseguir acesso aos locais para fazer as sessões de fotografia”, afirma Rosen.

O banquete das cobras. Jaipur, Índia, 2017.

Fotografia de Claire Rosen

Para conferir às imagens uma estrutura homogénea, Rosen usa a composição da Última Ceia, e as pastas para barrar estão dispostas no estilo dos quadros de natureza morta holandeses do século XVII. Os objetos e a comida sobre a mesa são escolhidos com base na estética e nas inclinações dos animais. “Gosto de andar à procura das coisas que quero pôr sobre a mesa”, afirma Rosen, que se empenha na descoberta de objetos locais que espelhem a região e a respetiva cultura.

Antes de decidir o que vai colocar sobre a mesa, Rosen aconselha-se com a pessoa que cuida dos animais ou com o respetivo dono sobre os alimentos que podem ser ingeridos em segurança, os elementos decorativos que possam implicar riscos para os animais e os tipos de cenários que melhor refletem as características dos animais fotografados. Os guardiões dos animais costumam, em regra, assistir às sessões de fotografia, e, juntamente com Rosen, certificam-se de que os animais não se magoam no momento em que são fotografados.   

Assim que os animais chegam ao local, nada é verdadeiramente previsível. “Os camelos levaram cerca de dez minutos”, recorda Rosen. “Eles estavam tão agitados com a comida”. Os elefantes também foram fáceis de fotografar. “Pareciam uns aspiradores com os amendoins.” E, embora “as estrelas do mar na Noruega tivessem colaborado”, recorda Rosen, “a mesa de jantar estava sempre afastar-se”.

O Banquete da Preguiça de Três Dedos. Amazónia, Peru, 2014.

Fotografia de Claire Rosen

Os flamingos, por sua vez, revelaram-se difíceis. Após ter servido cocktails de camarão, Rosen esperou e esperou dentro de águas tropicais rasas que as aves dessem início ao banquete. “Eles comeram o krill e os insetos já fora de água”, disse Rosen, divertida, num tom de lamúria, acrescentando “Eu divirto-me tanto com este projeto”.

The Cobra Feast, a imagem preferida de Rosen por causa dos sentimentos antagónicos que as cobras inspiram, estima e horror, foi tirada em Jaipur, na Índia. Com a ajuda de um fotógrafo local, Rosen conseguiu a colaboração de um encantador de serpentes de quinta geração para fotografar os répteis. Rosen escolheu uma parede azul, que descobriu numa ruela, como cenário de fundo. A cor é uma alusão a Shiva, a divindade hindu de pele azul, frequentemente, retratada com uma cobra real à volta do pescoço. Rosen procurou nos mercados locais um serviço de chá de latão em miniatura, um tecido para cumprir a função de toalha de mesa, leite, chamuças e flores para colocar sobre a mesa. Os ovos foram escolhidos pelo seu simbolismo e as cobras representam a fertilidade, tal como os ovos.

“Cada imagem encerra um conjunto completamente diferente de circunstâncias e desafios”, afirma Rosen.

Assim que a cena é fotografada, Rosen escolhe as imagens mais fotogénicas de cada animal para construir a composição  final, em fase de pós-produção.

“Gosto de ver a expressão de felicidade das pessoas quando contemplam as imagens deste projeto”, afirma Rosen. “Sempre tive este desejo de criar um universo mágico em meu redor”.

O banquete dos falcões. Dubai, Emirados Árabes Unidos, 2016.

Fotografia de Claire Rosen

Poderá saber mais sobre o trabalho de Claire Rosen no seu website e segui-la no Instagram. Rosen publicou, recentemente, um livro sobre o processo criativo, sob o título Imaginarium.

VEJA EM BAIXO A GALERIA COM ESTAS FOTOGRAFIAS

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