As Chitas Aproximam-se Perigosamente da Extinção

Restam apenas 7100 destes grandes felinos na natureza, impelindo os conservacionistas a pedir que a espécie seja declarada como estando em risco de extinção.

Publicado 18/06/2018, 17:34 WEST, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
Uma família de chitas descansa na Reserva Nacional do Masai Mara, no Quénia
Uma família de chitas descansa na Reserva Nacional do Masai Mara, no Quénia.
Fotografia de Frans Lanting, National Geographic Creative

O mamífero terrestre mais rápido do mundo corre agora pela sobrevivência da sua própria espécie. O último levantamento populacional de chitas indicava que estes felinos, que já escasseiam, poderão reduzir em número em cerca de 53%, durante os próximos 15 anos.

“Isto é verdadeiramente preocupante”, diz Luke Hunter, presidente e diretor comercial da Panthera, uma organização mundial para a conservação de felinos. “É um declínio muito acelerado, e teremos mesmo de intervir e tomar medidas para contrariá-lo.”

Como Uma Chita Cuida das Suas Crias

Segundo o estudo Proceedings of the National Academy of Sciences, restam atualmente apenas 7100 chitas na natureza. É uma redução para cerca de metade das 14 000 chitas que se estimava existirem em 1975, altura em que os investigadores fizeram a última contagem abrangente destes animais em todo o continente africano, acrescenta Hunter.

Além disso, as chitas foram forçadas a abandonar 91% da sua área de distribuição histórica — outrora, estes grandes felinos chegaram a ocupar quase toda a África e boa parte da Ásia. Hoje em dia, porém, a sua população encontra-se confinada, predominantemente, a seis países africanos: Angola, Namíbia, Zimbábue, Botswana, África do Sul e Moçambique. A espécie encontra-se praticamente extinta na Ásia, com menos de 50 indivíduos que ainda sobrevivem numa zona isolada do Irão.

Com base nestes resultados, os autores do estudo estão a pedir que o estatuto das chitas na Lista Vermelha da IUCN seja alterado de “vulnerável” para “em perigo”.

“Quando estes grandes carnívoros sofrem uma taxa de declínio desta magnitude, a sua extinção torna-se uma possibilidade bem real,” afirma Hunter.

ENTRE A ESPADA E A PAREDE

Talvez sem surpresa, o ser humano é o principal fator de ameaça à sobrevivência das chitas.

Tal como outros grandes carnívoros, as chitas enfrentam agora a perda de habitat, causada pela conversão de território selvagem em terrenos dedicados à agricultura ou pecuária. Por vezes, os agricultores e criadores de gado podem inclusivamente matar chitas, crendo que estas representam uma ameaça para os seus rebanhos ou manadas. Contudo, segundo Hunter, é muito raro uma chita matar um animal doméstico.

Uma chita asiática atravessa a Reserva de Vida Selvagem Miandasht, no Irão.
Fotografia de Frans Lanting, National Geographic Creative

“As chitas encontram-se entre a espada e a parede: por um lado, estão, elas próprias, a ser mortas; por outro, as espécies que são as suas presas estão a ser mortas nestas regiões de savana. As chitas estão a deixar de ter forma de subsistir”, conclui Hunter.

Outra das ameaças à sobrevivência da espécie é a elevada procura de crias de chita como animais de estimação, sobretudo no Médio Oriente, o que se traduz no tráfico ilegal de crias, provenientes do Norte de África.

CATALISADOR DA CONSERVAÇÃO

Algumas chitas já habitam em áreas protegidas, como os parques nacionais, onde se encontram mais seguras, o acesso é mais fácil e onde se espera que estes animais estejam sujeitos a menos fatores de ameaça, diz a investigadora responsável pelo estudo, Sarah Durant, da Sociedade Zoológica de Londres.

Contudo, durante esta nova avaliação, Durant e os seus colegas descobriram que dois terços da população de chitas vivem no exterior destas áreas protegidas, uma vez que estes animais precisam de áreas muito extensas se movimentarem.

“Não podemos ter mais chitas em áreas protegidas... a densidade populacional já atingiu o seu limite máximo,” diz Durant. “A chave da sobrevivência das chitas está na sua sobrevivência fora das áreas protegidas.”

A equipa de investigação, liderada pela Panthera, pela Sociedade Zoológica de Londres e pela Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, espera que os seus resultados incitem a IUCN a reclassificar a chita como espécie em perigo de extinção.

Uma chita e duas crias fixam o olhar na paisagem queniana.
Fotografia de Frans Lanting, National Geographic Creative

Provavelmente, já é demasiado tarde para recuperar e proteger a espécie na África Ocidental ou Central, regiões nas quais estes grandes felinos se encontram, há muito, em declínio, acrescenta Hunter. Porém, há um enorme potencial de recuperação para a população em outras zonas.

O novo estatuto de conservação providenciaria uma plataforma para que estes e outros grupos tentassem reverter esta tendência regressiva, bem como eliminar as ameaças à sobrevivência das chitas. Por exemplo, a reclassificação traria consigo um fluxo de financiamento, apenas disponível para espécies ameaçadas, fundos esses que permitiriam encetar conversações com os governos africanos acerca de programas de conservação da chita.

“A nossa verdadeira esperança”, diz Durant, “é que isto venha a servir de catalisador, para se começar a pensar fora da caixa, em benefício da conservação da chita e da paisagem, para se começar a olhar além do sistema das áreas protegidas e a pensar como poderemos começar a envolver e a motivar as comunidades para este trabalho de conservação. Para o conseguirmos, temos de nos assegurar que temos um enquadramento estratégico e financeiro bem definido e bem implementado, de forma a que todos beneficiem da conservação.”

+ sobre chitas

1:33

Uma Chita Fêmea Luta Contra Quatro Machos em Cortejo Violento

28 Novembro, 2017 - No Parque Kgalagadi Transfrontier, na África do Sul, quatro chitas macho parecem perseguir uma presa. Mas, tal como a videógrafa Ria Van Greunen constatou, estavam na verdade atrás de uma fêmea, conhecida no parque como Corrine. São raros os ataques de chitas macho a fêmeas. Estas lutas entre os dois sexos são uma rara forma de cortejo nas chitas. Corrine sofreu vários ferimentos neste ataque violento. Mas com a sua resiliência, conseguiu recuperar rapidamente.
Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados