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Como Salvar a Girafa, o Animal Mais Alto do Mundo

Os conservacionistas consertam esforços para salvar as girafas de uma extinção silenciosa.quarta-feira, 6 de junho de 2018

Por Ami Vitale
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Embora toda a criança em idade escolar saiba qual é o animal mais alto do mundo, as girafas são, muitas vezes, esquecidas quando o tema é a conservação.

Nos últimos 15 anos, a população de herbívoros africanos diminuiu drasticamente de uns estimados 155 000 indivíduos para cerca de 97 000 atualmente, uma quebra que alguns cientistas designam por extinção silenciosa. “O desaparecimento e a fragmentação dos habitats destes mamíferos, combinados com a caça furtiva, contribuíram para este declínio, mas, em face da ausência de um plano de conservação a longo prazo, é difícil conhecer as verdadeiras causas, que estão na génese deste problema, e a sua dimensão.”

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Para agravar a situação, os cientistas sabem muito pouco sobre o comportamento das girafas: a forma como vivem, o espaço necessário à sua sobrevivência, onde se movimentam e até mesmo a razão pela qual os seus pescoços são tão compridos.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, todas as girafas pertencem a uma única espécie, que se divide em nove subespécies. Mas um estudo divulgado em 2016 desafia esta noção, sugerindo a existência de quatro espécies distintas, que se distribuem por áreas diferentes do continente africano.  

Se assim for, as espécies de girafas reticuladas e do norte podem integrar, cada uma, uma população inferior a 10 000 indivíduos à superfície da Terra.

Conhecidas pelo inconfundível padrão da sua pelagem, as girafas reticuladas habitam, sobretudo, as paisagens do norte de África, com algumas populações residuais a viver, possivelmente, no sul da Etiópia e da Somália. A população de girafas reticuladas registou uma quebra acentuada na ordem dos 80% na última década, em virtude da destruição dos seus habitats e da caça furtiva.

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David O'Connor, um ecologista e conservacionista do Jardim Zoológico de San Diego, Julian Fennessy, diretor executivo da Fundação para a Conservação das Girafas, com sede na Namíbia, e do Northern Rangelands Trust, um grupo comunitário conservacionista do norte do Quénia, e a The Nature Conservancy convergem esforços para conhecer e compreender as causas que estão na génese do declínio acelerado da população de girafas reticuladas.

Os técnicos do Serviço da Vida Selvagem do Quénia aguardaram que a medicação sedativa fizesse efeito. Cinco a dez minutos após a administração da droga, a girafa começou a vacilar, evidenciando sinais de entorpecimento. A equipa envolveu então as pernas da girafa com uma corda, derrubando-a em segurança.

Na primeira semana de junho, os cientistas capturaram um total de 11 girafas distribuídas pelo Parque de Conservação da Vida Selvagem de Loisaba e pelo Parque de Conservação de Leparua, tendo fixado às estruturas ósseas, semelhantes a dois cornos, que se situam na zona superior da cabeça das girafas, pequenos localizadores de GPS, alimentados a energia solar.

O processo não é, contudo, simples. No último trabalho que desenvolveu no terreno, o veterinário Mathew Mutinda do Serviço da Vida Selvagem do Quénia atingia, com um dardo sedativo, ora o ombro, ora os quartos traseiros das girafas reticuladas, a partir de um veículo automóvel ou de um helicóptero. Entorpecida, a girafa começava então a vacilar, elevando e projetando as pernas, à semelhança dos movimentos de um cavalo Lipizanner. Numa corrida contra o tempo, quatro homens envolviam, agilmente e sem alarido, uma corda em torno das pernas do animal, derrubando-o em segurança. Dez minutos após a administração da medicação, os especialistas fixavam os localizadores nos ossículos da cabeça do animal e libertavam-no na natureza.

Estes localizadores de GPS permitem a recolha de informação crítica, que contribuirá para conhecer os habitats preferidos das girafas reticuladas, a forma como se distribuem pela paisagem, entre outros elementos. Conhecer as áreas vitais para estes herbívoros de grande porte nas diferentes alturas do ano e a forma como se distribuem na paisagem são elementos essenciais para assegurar a sobrevivência da espécie.

Caso o tempo venha a revelar o sucesso desta iniciativa, as girafas identificadas com localizadores podem ajudar as comunidades e os projetos de conservação a proteger estas torres icónicas da vida animal em solo africano.

Uma girafa órfã é alimentada pelo seu cuidador da tribo Samburu no Parque de Conservação da Vida Selvagem de Namunyak, no Quénia. Os Samburu são, tradicionalmente, pastores nómadas. Os elementos desta comunidade no Quénia empenham-se a fundo na criação e administração do projeto de conservação da vida selvagem em Namunyak.

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