Animais

Há uma Nova Espécie de Tubarão Miniatura que Brilha no Escuro

Para além da bioluminescência, este habitante dos mares profundos reconhece-se pelo seu rostro invulgarmente longo.terça-feira, 19 de junho de 2018

Por Sarah Gibbens
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Pesando pouco menos de um quilograma e medindo cerca de 37 centímetros, esta é uma das espécies de tubarão mais singulares a ser identificada pelos cientistas nos últimos tempos.

Embora este tubarão seja facilmente reconhecido pelo longo focinho e corpo pequeno, a caraterística mais distintiva desta espécie talvez seja o facto de ela brilhar no escuro.

Denominado Etmopterus lailae pelos cientistas, este tubarão pertence à família dos tubarões-lanterna e foi descoberto a mais de 300 metros de profundidade, ao largo das ilhas do sotavento havaiano, no oceano Pacífico.

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Stephen M. Kajiura, professor na Universidade Atlântica da Florida, foi um dos investigadores responsáveis pela identificação deste tubarão aquando da sua descoberta, há quase 17 anos.

“Existem apenas 450 espécies de tubarões conhecidas em todo o mundo e não é frequente depararmo-nos com uma nova espécie. Uma boa parte da biodiversidade é ainda desconhecida, daí que seja incrivelmente emocionante termo-nos cruzado com esta pequena nova espécie de tubarão num oceano gigantesco” disse Kajiura num comunicado de imprensa da universidade.

A identificação de uma nova espécie pode ser tão complexa que os investigadores só se aperceberam que tinham, efetivamente, descoberto um novo tipo de tubarão quando submeteram os seus resultados para revisão científica e receberam respostas que salientavam o facto daquele animal não se encaixar em nenhuma das classificações de tubarões-lanterna já existentes. Para determinar se se tratava, de facto, de uma nova espécie, Kajiura e outros investigadores da Universidade Internacional da Florida e da Universidade de Rhode Island mediram exaustivamente os dentes, as vértebras e os intestinos do animal e observaram marcas consistentes na sua cauda o que o distingue das outras espécies de tubarão.

Posteriormente, os investigadores confirmaram as diferenças comparando as suas descobertas com espécimes de instituições de investigação de todo o mundo. Os primeiros resultados foram publicados na revista Zootaxa, em fevereiro passado, antes ainda da notícia ter sido veiculada pelas instituições dos respetivos investigadores, durante este mês.

“O aspeto e as caraterísticas singulares desta nova espécie distinguem-na, efetivamente, dos restantes tubarões-lanterna,” acrescenta Kajiura nesse mesmo comunicado de imprensa.

As caraterísticas físicas deste tubarão evoluíram pela necessidade de adaptação a um ambiente nas águas profundas. Uma vez que a quantidade de luz que consegue penetrar até aos fundos oceânicos é mínima, para procurar alimento, este animal mais a um complexo sistema olfativo, que se encontra alojado no seu rostro excecionalmente longo do que à visão.

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Os investigadores têm várias teorias que explicam a razão pela qual o abdómen deste tubarão é bioluminescente, que vão desde assegurar que o animal está a copular com um parceiro da mesma espécie, até atrair os pequenos peixes e camarões dos quais ele se alimenta. Um estudo sobre os fundos oceânicos, publicado em março, sugere que cerca de 75% das criaturas das profundezas oceânicas poderão ser bioluminescentes. (Veja como os tubarões usam a biofluorescência nos mares profundos.)

Apesar de cobrirem mais de 70% da superfície terrestre, uma grande parte dos oceanos permanece ainda inexplorada. A National Oceanic and Atmospheric Administration (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional) estima que 95% da massa oceânica de todo o planeta nunca tenha sido vista por olhos humanos.

Em junho, um navio de investigação australiano deu início a uma viagem de um mês, cujo propósito era explorar e recolher espécimes das profundezas oceânicas que rodeiam o continente. De entre as descobertas efetuadas, contam-se um aterrador peixe-lagarto de dentes pontiagudos, bem como um peixe 'sem cara'.

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