A Que se Deve a Coloração Azul-Bebé Desta Lagosta Rara?

A suave paleta cromática de uma lagosta pode ser o resultado de uma mutação genética ou de uma dieta alimentar pouco comum.terça-feira, 26 de junho de 2018

Lagosta Ultra-Rara Parece Algodão Doce Azul
Lagosta Ultra-Rara Parece Algodão Doce Azul

Em novembro último, o pescador de lagostas canadiano Robin Russell puxava a tarrafa de pesca, quando foi surpreendido por uma raridade de suaves matizes: entre os vários espécimes, com uma coloração de laranja torrado, salpicada por apontamentos castanhos, espreitava uma lagosta, com uma carapaça em tons suaves de azul-bebé, rosa e violeta.

Inicialmente, sem saber o que fazer com a lagosta, apelidada de Lucky, Russell acabou por doá-la ao Centro de Ciências Marinhas de Huntsman, em Saint Andrews, em New Brunswick. Mas, recentemente, o post de Russel no Instagram sobre a invulgar coloração de Lucky ressurgiu e está a causar furor online.

Embora não existam dados concretos sobre o número real destas variantes, a lagosta é, certamente, um achado raro. Criaturas com colorações semelhantes tendem a aparecer uma vez a cada quatro ou cinco anos, afirma Michael Tlusty, professor associado sobre soluções alimentares e sustentabilidade da Universidade de Massachusetts, em Boston.

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A coloração da lagosta deve-se a um pigmento denominado astaxantina, um antioxidante que se acredita ter relevância biológica. “Os humanos chamam-no de super alimento”, realça Tlusty, acrescentando que “não acredito em super alimentos”.

O pigmento muda de cor dependendo da forma como é torcido. Na pele, o pigmento circula livre, à solta, retendo uma cor vermelha brilhante. Mas no interior da carapaça, as proteínas prendem a astaxantina. “Estas proteínas agarram a astaxantina e torcem-na, e ela adquire um tom azul”, explica Tlusty. Na camada externa da carapaça, as proteínas voltam a torcer a astaxantina, e ela adquire uma tonalidade amarela.

A acumulação de vermelhos, azuis e amarelos produz aquela coloração alaranjada, salpicada de castanho, própria das lagostas na natureza. Quando são cozidas, as lagostas voltam a adquirir a coloração avermelhada. Efetivamente, a cozedura desnatura as proteínas que torcem o pigmento, que retorna à cor vermelha original.

No caso raro desta lagosta, é provável que tenha pouco pigmento. Embora apresente as cores do arco-íris em tons suaves, esses tons são muito esbatidos, afirma Tlusty. A razão por detrás desta ausência de cor é, contudo, pouco clara. A excentricidade pode ser resultado de uma mutação genética ou a dependência do animal de uma fonte alimentar, com baixo pigmento.

O JOGO DOS PIGMENTOS

Na verdade, Tlusty fez criação de lagostas brancas no passado, ainda que sem intenção. Tlusty dedicou 20 anos à investigação da lagosta no Aquário de New England, tendo feito criação de crias de lagosta para servir o propósito. Numa tentativa de conter os custos, Tlusty optou por alimentar as lagostas com comida mais barata, sem astaxantina.

As lagostas eram perfeitamente saudáveis, mas de coloração branca.

“Muitos animais alimentam-se disto e incorporam esta cor na sua pigmentação”, afirma Tlusty. “Os flamingos fazem-no, os salmões fazem-no, assim como as lagostas.” Mas, se alguma destas criaturas tiver uma dieta livre de quaisquer pigmentos, as colorações evoluem para branco.

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É possível que Lucky se alimentasse dos iscos que os pescadores largavam no mar, afirma Tlusty, em vez de seguir uma dieta comum própria das lagostas, que inclui criaturas ricas em astaxantina, como caranguejos e camarões.

Uma mutação genética também pode explicar a coloração de algodão-doce, afetando as proteínas que torcem os pigmentos. Estas mutações podem produzir algumas colorações excêntricas: lagostas de coloração azul brilhante ou amarela, lagostas malhadas ou até mesmo lagostas com dois tons claramente definidos.

Uma forma de compreender este mistério cromático é observar a evolução de Lucky durante o processo de crescimento. Se a dieta alimentar for a razão por detrás da cor invulgar, uma alimentação rica em pigmentos poderá conferir à carapaça uma coloração laranja acastanhada na próxima muda.

Mas, se a coloração invulgar se dever a uma mutação genética, uma dieta alimentar rica em pigmentos não determinará a mudança de tonalidade, e esta criatura exuberante continuará a gozar do estatuto de raridade.

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