O Confronto Mortal Entre Uma Aranha-Camelo e Um Milípede

Um vídeo invulgar revela a velocidade surpreendente da aranha-camelo, num confronto com um milípede, com um desfecho trágico.terça-feira, 17 de julho de 2018

Com predadores icónicos como leões, leopardos e chitas a vaguear pela savana africana, é fácil nem sequer reparar nas capacidades inatas de alguns predadores de porte mínimo que habitam a região: as aranhas-camelo.

Também conhecidas por escorpiões-do-vento, as aranhas-camelo não são nem aranhas, nem escorpiões, embora sejam muitas vezes identificadas incorretamente como tal. As aranhas-camelo pertencem a um grupo de aracnídeos conhecidos por solpugídeos. Embora não possam tecer teias ou produzir veneno, as aranhas-camelo são incrivelmente rápidas e possuem um conjunto de mandíbulas grandes e recortadas, capazes de reduzir a pedaços um pequeno lagarto, com surpreendente facilidade.

Durante um safári na Reserva de Caça de Londolozi, contígua ao Parque Nacional Kruger, na África do Sul, o guia Guy Brunskill avistou uma aranha-camelo envolvida num confronto épico com um milípede e puxou da câmara.

Embora possa não parecer, o vídeo de Brunskill não foi acelerado. A aranha-camelo é efetivamente tão rápida como revelam as imagens. Fazendo uso de quatro pares de patas muito ágeis, este aracnídeos podem alcançar velocidades até 16 quilómetros por hora.

Mas a velocidade não é o único atributo das aranhas-camelo. Estas criaturas possuem igualmente um par de mandíbulas recortadas, cujo tamanho pode alcançar um terço do comprimento do seu corpo. As mandíbulas estão cobertas por vários espigões muito afiados, que permitem que as aranhas rasguem a camada externa de pequenos lagartos, térmitas e outros artrópodes.

PENSADAS PARA A VELOCIDADE

As aranhas-camelo usam a sua extraordinária velocidade para emboscar as suas presas e, uma vez sob o seu controlo, usam as poderosas mandíbulas para rasgar os corpos das vítimas.

Num post de um blogue que descrevia a cena, Brunskill manifestou a sua admiração por este predador. “É intrigante observar a forma como um aracnídeo tão pequeno e único se adaptou para dominar as suas vítimas, fazendo uso da velocidade.”

As patas ligeiras permitiram que a aranha-camelo acabasse rapidamente com o milípede, mas o ambientalista e explorador da National Geographic Alberto Borges duvida que tenha sido essa a razão que levou a aranha-camelo a agir com tamanha rapidez.

A aranha-camelo concorre com escorpiões, centopeias gigantes, aranhas-lobo nos desertos e tarântulas nas florestas húmidas, enquanto predador de topo, escreveu Alberto numa mensagem de correio eletrónico. “Por isso, tem de consumir rapidamente a sua presa ou arrisca-se a perder o alimento para os seus concorrentes.”

Os cientistas identificaram mais de 1000 espécies de aranhas-camelo, a maior das quais pode atingir os 15 centímetros de comprimento. Estes sinistros seres rastejantes habitam os desertos, as estepes e as savanas em África, no Médio Oriente, na Ásia Central, na região sudoeste dos Estados unidos, no México e Aa américa do Sul. Em 2004, a fotografia de uma aranha-camelo no Iraque causaou sensação na internet.  

Os cientistas sabem pouco sobre estas criaturas, porque as aranhas-camelo habitam regiões inóspitas e passam grande parte das suas vidas no subsolo, o que torna difícil o seu estudo.

À DEFESA

Em comparação com a aranha-camelo, o milípede do vídeo está em clara desvantagem. Os seus recursos para afastar os predadores limitam-se ao espesso exoesqueleto e às glândulas, que segregam um líquido com um odor nauseabundo. Inicialmente, o milípede começa por enrolar-se sobre si mesmo, adquirindo uma forma circular, como se pode observar no vídeo.

“Os milípedes aprenderam que, para se manterem vivos, têm de se enrolar sobre si mesmos, mantendo a cabeça fora do alcance das mandíbulas dos predadores”, refere Borges.

Mas, segundo este ambientalista, a manobra não foi suficiente para deter a aranha-camelo, que foi rápida o suficiente para ferrar as suas mandíbulas no corpo do milípede, quando este começa a enrolar-se.

As aranhas-camelo assemelham-se aos leões, preferindo matar as suas presas antes de as comer. Essa é talvez a razão pela qual lhes cortam a cabeça. Após matarem as suas presas, as aranhas-camelo preenchem as cavidades dos corpos das criaturas mortas com fluídos digestivos, que liquefazem as entranhas, transformando-se numa espécie de sopa que as aranhas podem sorver.

Vídeos como este podem pertubar as pessoas mais sensíveis, mas servem um propósito científico superior. Estas imagens reais e inusitadas das aranhas-camelo podem auxiliar os cientistas a testar as suas teorias sobre o comportamento destes aracnídeos esquivos.

A experiência “mostra-nos que há ainda muito para ver e para nos encantar, se mantivermos os olhos abertos”, diz Brunskill.

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