Animais

O Que é Preciso Para Que Nos Preocupemos o Suficiente Para Salvar as Espécies Ameaçadas de Extinção?

Um fotógrafo e um cientista esperam que fotografias evocativas possam despertar a paixão pela proteção das espécies de animais ameaçadas.quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Por Jonathan Baillie
Fotografias Por Tim Flach
Bico-de-tamanco, Balaeniceps rex A área de distribuição natural do bico-de-tamanco insere-se na África Oriental desde o sul do Sudão até à Zâmbia. A União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla inglesa IUCN, classificou esta espécie como vulnerável, uma das nove categorias usadas para descrever o status de conservação de uma espécie.
Águia-filipina, Pithecophaga jefferyi A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica esta espécie como gravemente ameaçada de extinção no seu habitat, que abrange as ilhas filipinas de Leyte, Luzon, Mindanao e Samar.
 

Detenhamo-nos sobre o bico-de-tamanco, cuja fotografia abre este artigo. É uma espécie única em vias de extinção, exatamente o tipo de espécie identificada para proteção pelo programa de espécies Evolutionarily Distinct and Globally Endangered, também conhecido por EDGE of Existence. Mas, quando lancei a iniciativa EDGE em 2007, o desafio centrava-se na mobilização das pessoas que nunca tinham ouvido falar destes animais, levando-as a empenhar-se na sua proteção.

Abutre-do-Egito, Neophron percnopterus Esta espécie de abutre distribui-se geograficamente pelo sul da Europa, África, Índia e Nepal. A União Internacional para a Conservação da Natureza classificou esta espécie de ave como ameaçada de extinção.

Idealmente, poderia ter procurado os serviços de uma grande agência de marketing, vocacionada para estas questões da natureza, e perguntado o que fazer para levar as pessoas a relacionarem-se emocionalmente com estas estranhas e extraordinárias criaturas. Mas essa agência não existe. Só agora começámos a desenvolver tanto a arte, como a ciência de trabalhar esta relação vital.

Tim Flach fotografou as aves, cujas imagens integram este artigo. Todas elas marcam presença no seu livro Endangered, para o qual contribuí. Flach tem esse talento único de captar a essência de um animal e uma paixão por criaturas invulgares e obscuras. O livro afigurou-se-nos como uma excelente oportunidade para explorar as imagens de espécies e habitats que poderiam desencadear uma resposta emocional.

Arara-militar, Ara militaris A União Internacional para a Conservação da Natureza classificou a espécie da arara-militar como vulnerável. A sua área de distribuição natural estende-se do México até à Argentina. Esta ave de cativeiro foi fotografada no âmbito de uma coleção privada de aves.
Passenger pigeon (Ectopistes migratorius) This North American bird was hunted to extinction; the last one died in 1914. This specimen is part of the collection of extinction expert Errol Fuller.

Será que as pessoas se relacionariam com espécies de maior porte? Mais coloridas? Ou que tivessem traços semelhantes aos dos bebés humanos, como por exemplo olhos grandes? Seria mais impactante se as espécies fossem fotografadas no estilo retrato ou nos seus habitats naturais? Será que a relação com o público poderia ser desencadeada por via da identificação com emoções ou comportamentos aparentemente partilhados, tais como gestos maternais, medo e vulnerabilidade?

As fotografias de Flach contribuíram para abrir o debate. Hoje, nós, na National Geographic, através do nosso programa de bolsas Making the Case for Nature, convidamos especialistas a apresentar as suas ideias para levar a população humana a criar novas formas de relacionamento com o mundo natural. É um assunto crítico e o nosso futuro depende dele.  

Jonathan Baillie é o diretor científico e o vice-presidente executivo para a ciência e a exploração, na National Geographic Society.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em nationalgeograhic.com. 

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