Fotografia Viral Gera Atípica Discussão em Torno da Anatomia de um Esquilo

Há coisas que é preciso ver para crer — como este esquilo que, no Japão, deixou o Twitter em grande agitação.

Publicado 30/10/2018, 16:29
Nas Montanhas Rochosas (as Rocky Mountains), situadas na América do Norte Ocidental, este Esquilo-Vermelho, ao contrário ...
Nas Montanhas Rochosas (as Rocky Mountains), situadas na América do Norte Ocidental, este Esquilo-Vermelho, ao contrário do esquilo cuja fotografia se tornou viral, está claramente a cuidar das suas crias
Fotografia de SUMIO HARADA, MINDEN PICTURES/NAT GEO IMAGE COLLECTION

No Parque Zoológico de Inokashira, nos arredores de Tóquio, um visitante avistou algo insólito: um esquilo que apresentava volumosas glândulas mamárias — isto é, mamas.

A fotografia, publicada no Twitter no início do mês, já foi partilhada mais de 47 mil vezes, tendo recebido cerca de 141 mil “gostos”.

Mas o que se passa realmente nesta fotografia?

Não é o que parece, afirma Jessica Haines, ecologista da Universidade MacEwan, em Edmonton, Canadá. “Os mamilos dos esquilos podem estar localizados em qualquer zona do peito”, explica-nos Haines, que investiga Esquilos-Vermelhos em Alberta. Por outras palavras, não estão perfeitamente centrados na região superior, como os dos humanos.

Além disso, os esquilos não têm só dois mamilos. O número de glândulas mamárias varia consoante a espécie, podendo chegar às dez no caso de alguns animais.

E para os que estão a pensar que o esquilo que recentemente se tornou famoso poderia estar em período de lactação — sim, trata-se de uma fêmea —, Haines excluí prontamente essa hipótese. A justificação passa pelo facto de quando os progenitores se encontram em período de amamentação, os mamilos ficarem mais alongados, e os esquilos perderem o pelo na região que os circunda. Tudo isto faz com que seja muito fácil reconhecer uma fêmea em período de amamentação — e concluir que não é o caso.

“Muitos de nós [cientistas que estudam os esquilos], estamos tão familiarizados com estes animais que conseguimos detetar à vista desarmada mamilos de grandes dimensões em esquilos que se encontram em cima das árvores, a uma distância de 9 ou 10 metros”, afirma Ben Dantzer, biólogo da Universidade do Michigan.

Dantzer acredita que no caso desta fotografia o segredo passa por uma pose incomum combinada com algum excesso de gordura. Mas isto também é estranho, porque os esquilos que trepam às árvores não costumam engordar quando vivem na natureza. Em vez de acumularem gordura nos seus corpos, os esquilos escondem sementes e nozes — isto é, as calorias nelas contidas —no solo e nas fendas das árvores.

“Basta-me olhar para esta fotografia para suspeitar que este esquilo vive perto de humanos e come muitos restos de comida repleta de gorduras que estes deitam fora”, afirma Dantzer.

Se por um lado pode parecer um pouco infantil que nos foquemos sobretudo no peito deste esquilo, por outro esta fotografia garante-nos uma oportunidade de celebrar as muitas estratégias que os mamíferos desenvolvem para alimentar as suas crias.

Os humanos do sexo feminino apresentam duas glândulas mamárias, localizadas na zona do peito, claro. Mas sabia que os elefantes, os híraxes e os manatins alimentam as suas crias da mesma forma?

Muitos outros mamíferos, contudo, apresentam glândulas mamárias na região inferior do tronco — vulgo, barriga —, como os cães, os gatos e os cavalos. As vacas têm as glândulas mamárias junto à região pélvica, mas, neste caso, as quatro glândulas independentes fundem-se numa única estrutura, o úbere.

“Cada uma das quatro glândulas apresenta o seu próprio sistema lobular e ductal”, afirma Amy Skibiel, fisiologista da Universidade do Idaho, especializada na área da lactação.

Por incrível que pareça, algumas espécies de morcegos conjugam o melhor dos dois mundos, apresentando tanto mamilos peitorais como pélvicos. No entanto, apenas os mamilos peitorais são capazes de produzir leite. Os segundos são conhecidos como ‘falsos mamilos’, e servem para as crias de morcego se agarrarem à mãe durante o voo.

E depois ainda há os monotrématos, como os ornitorrincos e os equidnas, que não têm mamilos.

“Os monotrématos apresentam aquilo a que chamamos uma aréola, que é uma espécie de tecido mamário”, afirma Skibiel. O leite, de certa forma, escorre através deste tecido, e as crias lambem-no.”

Veja: Como os esquilos alternam entre a curiosidade e a cautela enquanto buscam e armazenam os seus alimentos.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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