Estes Animais Comem Quantidades Absurdas de Comida

Os humanos no Dia de Ação de Graças não se comparam a glutões como os colibris, que ingerem duas vezes o peso do próprio corpo num dia.

Publicado 30/11/2018, 16:04 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
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Colibri-de-pescoço-vermelho a bebericar néctar de uma dormideira, provavelmente a primeira de muitas que vai visitar. Os colibris são capazes de comer o equivalente ao dobro do seu peso corporal todos os dias.
Fotografia de George Grall, Nat Geo Image Collection

Depois do dia de Ação de Graças nos EUA, momento em que os norte-americanos se reúnem para valorizarem o que têm e verem o abdómen a expandir-se como um peixe-balão.

Começámos a pensar quais seriam os animais, além dos humanos, que têm por hábito “encher a barriga” e porquê?

NADA PARA PICAR DURANTE O VOO

Muitas aves comem abundantemente para sobreviverem a voos longos sobre oceanos ou desertos, afirma Dan Roby, ecologista de vida selvagem do Serviço Geológico dos Estados Unidos e da Universidade do Estado de Oregon, por e-mail. Os cientistas designam estes períodos de alimentação intensa por “hiperfagia.”

Com uma das migrações mais longas do mundo, a mariquita-de-perna-clara tem de encher bem o depósito antes de viajar. Estas pequenas aves procriam no Alasca, e, todos os anos, voam do extremo norte do planeta para Nova Inglaterra, onde "duplicam o peso armazenando uma quantidade de gordura equivalente ao reduzido peso do seu corpo", diz Roby, "antes de um voo de 80 horas, sem escalas, sobre o Oceano Atlântico até à Venezuela.

Da mesma forma, os fuselos duplicam o seu peso armazenando gordura suficiente para serem capazes de fazer um voo ininterrupto de 10 dias do Alasca até à Nova Zelândia, o mais comprido do reino animal.

Várias espécies de chapins que vivem acima do circulo Ártico consomem enormes quantidades de alimentos para "terem gordura suficiente armazenada para manterem a temperatura do corpo e não congelarem durante as longas noites de inverno."

Para as aves não se trata verdadeiramente de excesso de gula, como acontece com os humanos nesta época do ano, mas de guardar gordura suficiente para sobreviverem a períodos longos de jejum por vezes combinados com um exercício intenso.

"Neste contexto, «comer demasiado» é uma adaptação vital para muitas aves", afirma Roby.

Os fuselos são trota-mundos que se empanturram para obterem energia para um voo de 10 dias do Alasca até à Nova Zelândia.
Fotografia de Saverio Gatto, Alamy

APETITE DE BALEIA

Há também animais que comem grandes quantidades regularmente.

O maior animal do planeta, a baleia-azul, devora quatro toneladas de peixe por dia. Parece muito, mas este animal tem um corpo de 200 toneladas para alimentar, pelo que não é uma percentagem alta do seu peso corporal.

Por sua vez, o musaranho-anão-de-dentes-vermelhos, da Grã-Bretanha, pesa menos de 300 gramas, mas é capaz de comer “1,25 vezes o seu peso corporal", indica o biólogo Elmer Finck da Universidade Fort Hays State, em Oklahoma.

Em geral, afirma, se compararmos consumo com tamanho do corpo, "os animais pequenos comem mais do que os grandes."

Os minúsculos colibris, por exemplo, têm um metabolismo rápido que exige que ingiram cerca de duas vezes o seu peso corporal de néctar todos os dias, afirma Finck. É necessária muita energia para que se movimentem tão rapidamente quanto o fazem; os seus corações batem 1200 vezes por minuto  durante o voo.

Outros animais, como os grandes felinos, ingerem quantidades enormes, mas alimentam-se menos vezes. "Os grandes felinos selvagens não caçam todos os dias, pelo que há dias em que não comem", diz Susan Bass do Big Cat Rescue em Tampa, Florida. Mas uma boa caçada mantê-los-á alimentados durante dias, sendo que alguns guardam a carne para comerem mais tarde.

 

Os tigres são capazes de ficar duas semanas sem comer e, quando caçam uma presa, podem tirar a barriga de misérias, chegando a comer 40 kg num dia.
Fotografia de Theo Allofs, Minden Pictures/Nat Geo Image Collection

Segundo Bass, "os leopardos são capazes de trepar árvores com um animal duas vezes mais pesado nos dentes" para o manter longe de outros predadores.

Afton Tasler, produtor de media da Big Cat Rescue, garante que os tigres podem comer 16 a 40 kg de uma vez, uma quantidade superior à dos leões, que "partilham as presas com a alcateia."

LANCHE DE SERPENTE

Os pitões-birmaneses comem uma vez por mês, às vezes menos, mas tiram o máximo proveito da ocasião.

De acordo com um estudo realizado em 2013 sobre os genes do pitão-birmanês, alterações nas atividades dos genes durante a digestão permitem que o metabolismo da serpente aumente e alguns dos órgãos cresçam radicalmente – até 150 por cento em 24 a 48 horas –, voltando ao normal depois da digestão. Esta  “remodelação física” permite às serpentes a digestão de alimentos maiores do que elas próprias.

Só em 2017 foram registadas em vídeo várias espécies de pitões a devorar e a regurgitar animais enormes, incluindo ovelhas.

E, de repente, uma tarte a mais não parece nada de extraordinário.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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