7 Vitórias da Vida Selvagem em 2018

Elefantes, rinocerontes, baleias e outras espécies ameaçadas receberam um incentivo este anoquinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Devido à premência da caça ilegal, os elefantes africanos estão a evoluir para um estado em que nascem sem presas. O tráfico de jaguares está a prosperar na América do Sul, os pescadores estão a disparar e a alvejar leões-marinhos-da-Califórnia, ao largo da costa do estado de Washington, e mesmo com as quintas de bílis de urso a serem encerradas por todo o Vietname, os exploradores estão a consentir que os ursos aprisionados morram à fome.

Mas os últimos 12 meses também testemunharam algumas luzes de esperança:

As maiores casas de leilões internacionais já não estão a vender chifres de rinoceronte. Este outono, em resposta à pressão exercida pelos grupos ambientalistas, tanto a Bonhams como a Sotheby cancelaram a venda de chifres de rinoceronte em Hong Kong, e assumiram o compromisso de não voltar a vender artefactos feitos, no seu todo ou em parte, a partir de chifres de rinoceronte. A China Guardian Hong Kong, outra casa de leilões, também afirmou que no futuro irá evitar a venda de chifres de rinoceronte. A casa de leilões Christie, segundo um representante da empresa, também baniu a venda dos mesmos em 2012. Agora, quase todas as casas de leilões internacionais de topo já não apoiam a oferta de chifres de rinoceronte para venda. (Até à data, a Poly Auction é a única grande casa de leilões em Hong Kong que ainda não baniu por completo a venda de chifres de rinoceronte. Num depoimento enviado por correio eletrónico, a Poly Auction afirmou que tem cumprido de forma estrita a lei de Hong Kong nas suas vendas e que “se opõe a todos os objetos e artefactos provenientes de vida selvagem ou plantações ilegais, e que fará esforços para os rejeitar no mercado de leilões.”) Desde há muito tempo que Hong Kong tem sido um mercado famoso pela venda de chifres de rinoceronte; a lei nacional permite a venda de chifres dentro de certas circunstâncias, tais como o acompanhamento de documentação que prova a sua antiguidade. Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) proíbem o comércio internacional de chifres de rinoceronte desde 1977.

O Japão já não pode matar baleias-sei e vender a sua carne sob pretexto de investigação científica. A comunidade internacional agiu em outubro para ajudar a proteger as baleias-sei, um dos cetáceos mais rápidos do mundo. A comissão permanente do CITES concluiu que as ostensivas capturas “científicas” desta espécie ameaçada no Pacífico Norte eram na realidade para fins comerciais e deviam terminar. Anualmente, o Japão mata cerca de uma centena de baleias-sei em nome da investigação científica e depois vende a carne, argumentando que as vendas servem para financiar mais pesquisas. Em resposta à decisão do CITES, o país concordou em não autorizar a matança de mais baleias-sei até à próxima grande reunião do CITES, em maio de 2019.

As ações de conservação estão a permitir a recuperação de algumas baleias. As interdições internacionais na pesca comercial baleeira no Pacífico Norte e hemisfério sul estão a ajudar a recuperação de algumas populações de baleias. A população mundial de baleias-comuns, há muito catalogada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como espécie “ameaçada”, quase duplicou desde 1970. No início deste ano, a UICN baixou a classificação de alerta da baleia-comum para vulnerável. Outra espécie de baleia que historicamente era selecionada pela sua gordura, óleo e carne – a baleia-cinzenta – também viu a sua classificação baixar, passando de espécie em vias de extinção para espécie ameaçada.

Hong Kong prometeu eliminar gradualmente o comércio de marfim. No início de 2018, a cidade-estado aprovou um programa para acabar com as vendas de marfim de elefante até ao final de 2021. Hong Kong é um polo fundamental nas vendas de marfim, e os grupos ambientalistas afirmam que o encerramento deste mercado – a par da decisão de Hong Kong em aplicar castigos mais severos para os contrabandistas – pode ajudar a combater anualmente a caça ilegal de dezenas de milhar de elefantes africanos.

O embargo comercial da China ao comércio de marfim faz agora parte da lei nacional. Grande parte da procura de marfim a nível mundial vem da China continental, onde um embargo ao comércio de marfim entrou em vigor no último dia de 2017, fazendo de 2018 o primeiro ano completo da sua proibição. Segundo a sondagem feita aos consumidores pela Traffic, a World Wildlife Fund e a GlobeScan,  esta medida parece estar a mudar as mentalidades em relação à compra de marfim. Estas são as boas notícias. Mas as más notícias são que os compradores mais persistentes relatam que continuam a comprar marfim ao mesmo ritmo – limitam-se a viajar para fora da China para o fazer – sublinhando a necessidade de esforços globais mais fortes para restringir este negócio.

A floresta tropical da Amazónia tem agora mais uma área massiva de terra protegida. Serranía de Chiribiquete, na Colômbia, que foi alargada em mais de três milhões de acres no início do ano, tem agora um total de 10 546 692 de acres. O maior parque nacional de floresta tropical protegido do mundo também foi declarado Património Mundial da UNESCO. Localizada no canto noroeste da bacia do Amazonas, Serranía de Chiribiquete alberga pinturas rupestres famosas, espécies ameaçadas como as onças-d’água, ursos-formigueiro-gigantes, macacos-barrigudos e tapires terrestres. Os grupos ambientalistas esperam que o parque permaneça um bastião contra a desflorestação na Amazónia, apesar de outras partes da floresta tropical estarem a perder árvores. De acordo com o governo brasileiro, entre agosto de 2017 e julho de 2018, mais de 7 mil quilómetros de floresta tropical do país foram destruídos, em grande parte devido aos madeireiros ilegais. O presidente recém-eleito, Jair Bolsonaro, também fez campanha no sentido de enfraquecer as leis de controlo ambiental.

A China reinstituiu o embargo à utilização, para fins medicinais, de chifres de rinoceronte e ossos de tigre. Em outubro, Pequim anunciou que ia levantar o embargo à utilização destes produtos animais na medicina tradicional. Não existem provas científicas de que os ossos de tigre ou os chifres de rinoceronte possam melhorar a saúde humana e não foram dadas explicações para esta decisão. Os grupos ambientalistas realçaram o crescente número de quintas de tigres – e o elevado custo de manutenção destes animais – como fatores-chave para as ações do governo. Mas depois dos protestos dos grupos ambientalistas por todo o mundo, o governo reverteu a sua decisão. Um alto funcionário disse aos media do estado, que a China iria adiar o levantamento do embargo sobre o uso legal de partes de tigre e de rinoceronte na medicina tradicional, ficando a aguardar “estudos mais aprofundados”.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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