Animais

Um Peixe Colorido Salpica Tudo Ao Ser o 9000º Animal no Photo Ark

Apesar da recente recuperação, o barbo bandula, um peixe colorido em risco de extinção que vive num riacho do Sri Lanka, enfrenta ainda muitas ameaças. Terça-feira, 8 Janeiro

Por Annie Roth

Na história da humanidade, o ritmo a que as espécies entram em extinção nunca foi tão acelerado como agora – e ninguém está mais ciente disso que o fotógrafo da National Geographic,Joel Sartore.

Sartore é o fundador da Photo Ark, um projeto documental com 25 anos que visa fotografar animais em cativeiro que estão em risco de desaparecer na natureza. Este inédito arquivo de biodiversidade global contém imagens de animais ameaçados, grandes e pequenos, desde o imponente elefante-africano ao humilde rato de St. Andrews Beach.

Depois de 13 anos a adicionar animais novos ao seu arquivo, a arca de Noé da atualidade de Sartore contém agora 9000 espécies. (Veja qual foi a 8000ª espécie do PhotoArk)

A memorável 9000ª adição foi nada mais nada menos que o barbo bandula. Se nunca ouviu falar dele, não está sozinho. Fora de cativeiro, e fora de uma área protegida recentemente criada, este peixe em risco de extinção só existe num pequeno riacho, com menos de um quilómetro, numa zona rural do Sri Lanka. Pensa-se que a sua população tenha menos de 1500 indivíduos.

Apesar destes pequenos peixes medirem pouco mais de 3 centímetros de comprimento, são surpreendentemente ornamentados. O barbo bandula é "um dos barbos mais bonitos que existem por aí", diz Madhava Meegaskumburra, professor de biologia evolutiva no Colégio Florestal da Universidade de Guangxi. Tal como acontece com a maioria dos barbos, os machos desta espécie têm cores mais vivas do que as fêmeas. "Os machos parecem brasas vermelhas brilhantes por entre a vegetação aquática das águas límpidas do riacho", diz Madhava.

Os barbos, parentes pequenos da carpa e do vairão, encontram-se em riachos de água doce em regiões tropicais pelo mundo fora. No último século, o crescimento da agricultura industrial colocou em risco muitos dos riachos dos quais os barbos e outros peixes de água doce dependem. Como se não bastasse, os barbos selvagens são muitas vezes removidos da natureza para abastecer o comércio de peixe ornamental.

O BARBO EM APUROS

Infelizmente, outros peixes de água doce enfrentam ameaças semelhantes o que, enquanto grupo, representa a maior táxon ameaçada do mundo, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). "Enquanto continuarmos a poluir e a modificar o seu habitat limitado, ou a fazer colheitas diretas e a explorá-los em números insustentáveis, vamos continuar a assistir ao declínio de espécies de peixe de água doce", diz Gary Longo, ictiólogo na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA.

“Os peixes de água doce são particularmente vulneráveis à extirpação ou extinção, devido à sua proximidade com os humanos e ao seu habitat relativamente pequeno, em tamanho, quando comparado com o das espécies marinhas”, diz Longo. “São como um canário numa mina de carvão que nos diz como estamos na forma como cuidamos do ambiente. Infelizmente, já há muitos canários mortos.”

Quando o barbo bandula foi descoberto em 1991, a sua população estava estimada em cerca de 2000. Mas uma década após a sua descoberta, os seus números caíram para menos de 300, segundo um relatório da IUCN publicado em 2014.

O único riacho no qual se conhece a existência do barbo bandula, localizado perto da aldeia de Galapitamada, no distrito de Kegalle, no sudoeste do Sri Lanka, corre através de campos de arroz e plantações de borracha. Os fertilizantes e pesticidas destas operações agrícolas costumavam fluir livremente para o riacho mas, felizmente para os barbos, a sua situação melhorou.

A RECUPERAR

Em 2013, o Ministério do Ambiente do Sri Lanka implementou um plano de ação para salvar o barbo bandula. O plano, que concedeu proteção a grande parte do habitat do peixe e estabeleceu mecanismos comunitários para conservar a espécie, foi totalmente bem recebido pela população local.

Cinco anos mais tarde, de acordo com a última avaliação da IUCN, a população já tinha aumentado para 1300 indivíduos. Adicionalmente, alguns jardins zoológicos e aquários, incluindo o Zoo Plzeň, na Répública Checa, onde Sartore fotografou a espécie, começaram a criar barbos bandula em cativeiro com o objetivo de os preservar.

“Esta é uma criatura pequena, das menores entre nós, e o facto de as pessoas se preocuparem ao ponto de a quererem preservar enche-me de esperança”, diz Sartore. “Se as pessoas param para prestar atenção a um pequeno peixe, então talvez prestem atenção aos assuntos maiores também.”

Os “assuntos maiores” a que Sartore se refere incluem alterações climáticas, perda de habitat e poluição desmedida. (Veja as metas que Portugal estabeleceu.)

Fazer algo tão simples como comer menos carne ou limitar a utilização de fertilizantes no seu jardim pode reduzir significativamente o impacto nos ecossistemas de água doce dos quais dependem os barbos e inúmeras outras espécies, diz Sartore.

Com a sua 9000ª espécie agora documentada, Sartore diz que quer que o seu arquivo animal massivo “inspire o público a preocupar-se com a conservação e a mudar o seu comportamento enquanto ainda há tempo”.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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