Lince Ibérico: Depois de Mais um Atropelamento, Qual o Ponto de Situação?

O Mistral foi a vítima mais recente. Dias mais tarde, Opala aparece morta. Afinal, como tem evoluído a espécie em Portugal?

Monday, February 18, 2019,
Por National Geographic
Lince-Ibérico
Lince-Ibérico
Fotografia de Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico

O ano não começou propriamente bem para a população de lince-ibérico do Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG). Desde o início do ano, já dois linces-ibéricos foram encontrados mortos em Portugal. Em Espanha, soma-se mais um.

TRÊS LINCES DESDE O INÍCIO DO ANO

Mistral e Opala. São os nomes dos dois linces, macho e fêmea, encontrados mortos em janeiro de 2019 em Portugal.

Mistral, nascido em Espanha em 2015, e libertado em Mértola em 2016, morreu, provavelmente, atropelado na EN122. O seu corpo foi encontrado dia 3 de janeiro.

Opala, libertada no PNVG há apenas dez meses, também nascida em Espanha em 2017, foi encontrada morta uma semana mais tarde, a dia 9. Não se sabe, ainda, o que levou à morte da fêmea de lince-ibérico, mas o seu cadáver estava já em avançado estado de decomposição.

Segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a taxa de sobrevivência dos linces ibéricos reintroduzidos em Portugal desce para os 72%, após a morte de Mistral e Opala.

Com mais um lince-ibérico morto em janeiro, em Espanha, perto de Huelva, sobe para três o número de fatalidades neste ano que acabou de começar. Este exemplar era bastante jovem, com apenas ano e meio, e foi atropelado a dia 18.

AS MORTES DMINUÍRAM EM 2018

O ano de 2018 fechou com notícias más para a população de linces da península ibérica: um lince-ibérico foi encontrado morto em Espanha, e no seu cadáver mais de 300 chumbos. Já em Portugal, registaram-se duas fêmeas afogadas em Serpa, outra atropelada entre Tavira e Olhão, e um macho atropelado em Mértola.

Em total, cerca de 31 linces-ibéricos morreram em 2018, sendo que 27 das mortes se deram por atropelamento. 2017 foi bem mais negro, com 58 mortes registadas.

Estes números indicam uma clara melhoria, no entanto ainda há muito que fazer para voltar a ter a distribuição histórica do lince-ibérico na península. A conservação do monte Mediterrânico, que é o habitat natural do lince, a preservação da espécie Oryctolagus cuniculus, ou coelho-bravo, elemento fundamental na dieta deste felino, e terminar com a caça furtiva são exemplos do que ainda há por fazer nesta jornada que é tirar o lince-ibérico de perigo de extinção.

 

Uma cria de Lince-Ibérico
Fotografia de Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico

DEPOIS DO INCÊNDIO, LINCES VOLTAM A SILVES

Agosto de 2018 foi crítico para os linces-ibéricos do PNVG. O incêndio de Monchique ameaçou o Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico (CNRLI) e os linces residentes, cerca de 30, foram evacuados e transportados para centros de reprodução em Espanha, entre 8 e 9 de Agosto.

Os parques em que se encontravam os linces-ibéricos sofreram extensos danos, e foram necessárias obras de recuperação extensas. Concluídas as obras, era urgente aliviar a sobrecarga de linces nos centros de conservação espanhóis, pelo que em dezembro de 2018, 29 linces foram devolvidos ao CNRLI, em Sines.

O LINCE-IBÉRICO PROSPERA NO PAÍS

A reintrodução do lince-ibérico em Portugal começou em 2015, no âmbito do projeto LIFE+Iberlince. O objetivo deste projeto é recuperar a distribuição histórica da espécie – que já chegou a ocupar praticamente toda a Península Ibérica e a estender-se para França.

Desde então, apesar de todas estas tristes notícias, há também notícias boas: estatísticas recentes contam cerca de 650 linces-ibéricos na Península Ibérica. Em 2018 nasceram 125 linces, e atualmente o PNVG conta com 33 animais libertados, e 45 nascidos em meio natural.

Segundo o ICNF, o ano de 2018 foi favorável ao lince-ibérico em Portugal, apesar de “o risco de atropelamento continuar a ser uma ameaça para a espécie em toda a Península Ibérica”. No ano passado nasceram 29 crias, e com as 11 fêmeas reprodutoras estabilizadas, o PNVG torna-se uma das áreas de reintrodução “com maior sucesso a nível ibérico”.

NASCIMENTOS ESPERADOS PARA MARÇO

E as boas notícias não param por aqui. Depois da devolução dos linces ao CNRLI, foram emparelhados os primeiros casais a 27 de dezembro, tendo o último ocorrido a 17 de Janeiro. O resultado são cinco fêmeas gestantes – Juromenha, Jabaluna, Era, Káida e Biznaga -, com datas previstas de parto para o mês de Março.

Assim, a chegada da Primavera trará, esperamos, pelo menos 5 crias novas de lince-ibérico. Mais 2 fêmeas, Flora e Juncia, poderão vir a ser inseminadas artificialmente.

Segundo um comunicado do ICNF, possivelmente, em Mértola, aguardamos a exposição sobre a história do lince-ibérico em Portugal, e sobre a sua reintrodução e evolução até ao presente.

Fique atento!

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