Animais

Donos Ansiosos Tornam os Seus Cães Ansiosos?

Um novo estudo explora se animais de estimação e donos partilham personalidades. Segunda-feira, 18 Março

Por Linda Lombardi

Por vezes achamos divertido quando os cães e os seus donos parecem ter semelhanças – ambos têm membros esguios ou cabeleiras fartas, digamos assim. Mas um estudo recente descobriu que os cães têm parecenças com os seus donos de uma forma completamente diferente: na verdade, as suas personalidades tendem a ser semelhantes.

William J. Chopik, psicólogo social da Universidade Estadual do Michigan e autor principal do estudo, estuda como as relações humanas mudam com o tempo. Intrigado com o vínculo que as pessoas partilham com os seus cães, começou a examinar essas relações e as suas dinâmicas.

O seu estudo fez com que os proprietários de 1681 cães avaliassem, em questionários uniformizados, as suas próprias personalidades e as personalidades dos seus cães. Ele descobriu que os cães e os seus donos partilham traços de personalidade. Uma pessoa que é muito agradável tem uma propensão maior para ter um cão que é extremamente ativo e excitável – e menos agressivo – do que alguém que é menos agradável. O estudo também descobriu que donos conscientes classificaram os seus cães como sendo mais recetivos aos treinos, enquanto que os donos neuróticos classificaram os seus cães como sendo mais acanhados. Por outro lado, "se alguém é tranquilo, o seu cão é tranquilo", diz Chopik.

Chopik destaca o desafio óbvio na condução deste estudo: podemos questionar as pessoas sobre elas próprias, mas com um cão, só podemos confiar nas observações feitas pelos donos sobre o seu comportamento. Mas os preconceitos dos donos – a ideia de que os donos podem projetar as suas próprias personalidades nos seus cães – não parecem interferir. Estudos semelhantes descobriram que outras pessoas (estranhos, amigos, pessoas que passeiam cães) tendem a avaliar a personalidade de um cão, da mesma forma que os donos o fazem.

Por que razão existem estas semelhanças? O estudo não aborda causas, mas Chopik tem uma teoria. "Deve-se em parte ao cão que o dono escolhe, e em parte àquilo que o cão se torna devido ao dono", diz.

Chopik diz que ao adotar um cão, as pessoas tendem a escolher aqueles que se encaixam naturalmente nos seus ritmos diários. "Queremos um cão indisciplinado que precisa de muita interação, ou um cão que seja mais tranquilo para um estilo de vida mais sedentário?", diz. "Temos tendência a escolher cães que combinam connosco."

Portanto, seja através de métodos de treino conscientes ou através das simples interações do dia a dia, moldamos o seu comportamento – e eles mudam à medida que nós mudamos. "As mudanças no nosso estilo de vida têm repercussões", diz.

A psicóloga Zazie Todd, autora do website Companion Animal Psychology, diz que é importante realçar que os cinco principais traços amplamente utilizados na avaliação das personalidades das pessoas (extroversão, afabilidade, consciência, emotividade negativa e mente aberta) não são os mesmos cinco fatores de avaliação de personalidade usados em cães (medo, agressividade em relação às pessoas, agressividade com outros animais, atividade/excitabilidade e capacidade de resposta ao treino). "Mas existem algumas ligações muito interessantes" entre os traços humanos e caninos, diz, e as qualidades costumam equiparar-se.

“Apesar de avaliarmos as coisas de formas diferentes, encontramos correlações”, diz Chopik. “Isto faz com que a deteção de parecenças seja mais difícil, mas encontramo-las na mesma.”

Por exemplo, apesar da "extroversão" não ser um traço que designe claramente a personalidade de um animal, as pessoas extrovertidas são normalmente mais ativas e enérgicas, ou seja, um cão que seja muito ativo e excitável pode ser considerado um paralelo próximo.

Investigações futuras poderão eventualmente separar as duas causas possíveis das ligações de personalidade. Por outras palavras, o fator ovo e galinha. Por exemplo, donos amigáveis e extrovertidos têm probabilidades maiores de escolher um cão com um aspeto menos ameaçador? Ou será que um estilo de vida extrovertido se reflete num cão com o passar do tempo? "As pessoas que são mais agradáveis podem sair mais vezes com os seus cães, fazendo com que estes sejam mais sociáveis e estejam mais habituados a coisas diferentes", diz Todd. "Pode ser que as pessoas estejam a moldar as personalidades dos seus cães, e essa é a possibilidade mais interessante para mim."

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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