Descoberto Um Dos Sapos Mais Pequenos de Sempre

"Astronomicamente pequenos", os recém-descobertos anfíbios de Madagáscar têm cérebros mais pequenos que uma cabeça de alfinete.quarta-feira, 10 de abril de 2019

Por Michelle Z. Donahue

De quantas maneiras se pode dizer “pequenino”? E que tal miniatura, minúsculo ou mínimo?

Estes adjetivos não só descrevem três novas espécies de sapos de Madagáscar, como também servem de nomes científicos oficiais.

Mini mum, Mini ature e Mini scule “são astronomicamente pequenos”, diz Mark Scherz, biólogo evolucionista da Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique, que descreveu estas e outras duas novas espécies de sapos num novo estudo, publicado no dia 27 de março, na revista PLoS ONE. Mini é uma espécie completamente nova de sapos.

“Os seus cérebros são mais pequenos que uma cabeça de alfinete. É espantoso que tenham os mesmos órgãos que nós temos nos nossos corpos, mas num ‘pacote’ que cabe quatro vezes na unha de um polegar.”

O mais pequeno, Mini mum, tem aproximadamente o tamanho de um agrafo, ou cerca de 8 a 10 milímetros de comprimento; o maior, Mini ature, mede 14.9 milímetros – aproximadamente o comprimento de um cartão microSD. O sapo mais pequeno que se conhece no mundo – e vertebrado – é um sapo do tamanho de uma mosca doméstica, com cerca de 7.7 milímetros de comprimento.

Cada um dos três anfíbios existe apenas num lugar em Madagáscar. Mini mum, em específico, tem uma população e alcance extremamente limitados, levando os autores do estudo a recomendar a espécie para a lista de espécies em perigo crítico de extinção.

UMA FAMÍLIA DE MICRO-SAPOS

Os novos sapos fazem parte de um grupo informal chamado “micro-sapos”, que pertence à família Cophylinae. A sua descoberta eleva o número total de micro-sapos de Madagáscar para 108; em média, 10 novas espécies são identificadas e descritas anualmente no país.

Scherz e os seus colegas descobriram mais de 40 micro-sapos desde que começaram a estudar a espécie em 2014.

E claro, encontrar uma nova espécie não é um feito qualquer.

Identificar diferenças superficiais em sapos de aparências semelhantes, em animais de tamanhos normais, já é um desafio; em micro-sapos, é praticamente impossível. Mas, com a ajuda de trabalhos moleculares e genéticos, as análises de microtomografia permitiram a Scherz e à sua equipa examinar pequenas diferenças nos dentes e nos ossos dos vários animais, ajudando a comprovar que eram, de facto, espécies únicas.

Encontrar os animais também não é fácil, dado que vivem em folhas em decomposição, em florestas isoladas no sudeste da ilha, e dentro das densas bases de touceiras, no norte montanhoso.

O QUE SIGNIFICA UM NOME?

Jim Hanken, biólogo evolucionário de Harvard que estuda anfíbios sul-americanos em miniatura, diz que a nova análise oferece boas evidências a nível ósseo, dentário e molecular para justificar a criação de um género completamente novo.

Ele também aprecia a leviandade dos nomes dos sapos, mas advertiu que os nomes engraçados podem tornar-se confusos – como acontece frequentemente quando os animais são reagrupados em novas famílias, ou o nome escolhido foi previamente atribuído a outro organismo.

Foi o que aconteceu a uma salamandra da América do Sul, chamada originalmente de complexo de Édipo (com uma parente chamada Édipo Rei), que teve de mudar de nome para Oedipina, para evitar o uso múltiplo – e a piada perdeu o efeito.

“Quando fazemos estas coisas engraçadas, existe sempre o risco de alguém as renomear”, diz Hanken.

Scherz diz que escolheu os nomes Mini mum, Mini ature, e Mini scule para despertar o interesse do público.

“Existe muita coisa na ciência que é seca”, diz. “Se existir algo que possamos fazer para tornar a ciência mais acessível, devemos fazê-lo.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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