Ataques de Tubarão: Após as Dentadas Recentes, eis as Respostas

Os encontros com os grandes peixes são raros, mas podem ser mortíferos. Eis como pode reduzir o risco e o que deve ter em mente.segunda-feira, 24 de junho de 2019

Por Brian Clark Howard

Há mais de um século que os ataques de tubarão aumentam acentuadamente.

"Desde o ano 1900, o número de ataques de tubarão não provocados em todo o mundo tem crescido a um ritmo constante, com cada década a registar mais ataques do que a década anterior", relata o International Shark Attack File do Museu de História Natural da Flórida.

Nos últimos verões, foram observados vários ataques de tubarão nos Estados Unidos, desde a Carolina do Norte ao Havai. Ainda assim, as autoridades dizem que as praias continuam a ser seguras, dado que estatisticamente estes incidentes são muito raros. Um nadador no oceano tem apenas uma em 11.5 milhões de probabilidades de ser mordido por um tubarão, de acordo com o museu.

Nos últimos anos, as autoridades marítimas da Carolina do Norte têm afirmado que qualquer tubarão "com um comportamento agressivo", como nadar a menos de 30 metros da costa, pode ser eutanasiado. Essa ordem provocou críticas de especialistas em tubarões que alegam que o tubarão, ou os tubarões, envolvidos em ataques não estariam provavelmente muito tempo na área.

Eis algumas coisas que deve saber sobre tubarões e ataques de tubarão:

Que tipos de tubarão atacam humanos?
George Burgess, que estuda ataques de tubarão no Museu de História Natural da Flórida, diz que os incidentes costeiros são geralmente provocados por tubarões-tigre ou tubarões-touro. Estas duas espécies encontram-se geralmente ao largo da costa e mordem ocasionalmente pessoas.

Os grandes tubarões-brancos, imortalizados no filme Tubarão, também são ocasionalmente responsáveis por ataques a pessoas. Em anos mais recentes, os outros tubarões envolvidos em incidentes pelo mundo fora incluem tubarões-mako, tubarões-enfermeiro, tubarões-limão e tubarões-galha-preta.

Porque é que os tubarões atacam pessoas?
Burgess escreve de forma muito clara no seu website que “os humanos não fazem parte do cardápio dos tubarões. Os tubarões mordem humanos por curiosidade ou para se defenderem”.

Com o passar do tempo, a maioria dos incidentes começou a ser chamada de ataques “provocados”, casos onde alguém foi mordido enquanto fazia pesca submarina, tentava apanhar um tubarão ou enquanto tentava libertar um tubarão de redes ou de detritos. Nos ataques não provocados, os peixes costumam confundir as pessoas com as suas presas normais, geralmente devido à fraca visibilidade. Os surfistas costumam estar mais envolvidos nestes incidentes, provavelmente porque passam longos períodos de tempo dentro de água, e chapinham da mesma forma que as presas de tubarão.

Porque estão os ataques de tubarão a aumentar?
Os registos em anos individuais têm poucos ataques de tubarão, fazendo com que as análises estatísticas a curto prazo sejam precárias, mas as tendências a longo prazo demonstram um acréscimo nos incidentes. Segundo o Museu de História Natural da Flórida, parte dessa situação pode dever-se ao facto de atualmente os registos serem mais detalhados.

O museu também diz que a explicação mais provável para o crescimento no número de ataques “está ligada aos períodos de tempo cada vez maiores que os humanos passam no mar, aumentado as oportunidades de interação entre ambos os lados”.

De acordo com o Global Shark Attack File, este ano já ocorreram 36 ataques de tubarão em todo o mundo.

O que devo fazer em caso de ataque de tubarão?
Bata-lhe no nariz, que geralmente é suficiente para terminar o ataque, diz o museu. Depois, dirija-se para terra.

Se isso não resultar, arranhe-lhe os olhos e as aberturas das guelras, duas zonas sensíveis. “Se estivermos a ser atacados, não devemos agir passivamente, os tubarões respeitam o tamanho e o poder.”

Como posso reduzir as possibilidades de um ataque?
As pessoas não se podem esquecer de que nadar no oceano será sempre “uma experiência de vida selvagem”, diz Burgess. Mas existem métodos mais eficazes para reduzirmos ainda mais as probabilidades de sermos atacados. Por exemplo, evitar zonas de reprodução de tubarões é uma boa ideia, tal como foi descoberto recentemente pelos turistas no Recife, no Brasil.

O investigador em segurança de tubarões, Christopher Neff, sugere que se evite nadar durante ou depois de tempestades, pois a água pode ficar turva e atrair os peixes que os tubarões comem, levando a alimentações frenéticas. Neff também sugere que se evite nadar ao amanhecer e ao anoitecer, pelas mesmas razões, bem como nadar perto da presença de focas e de outras espécies de presas, ou onde os pescadores deitam fora os restos de engodo.

Também não é boa ideia dar comida aos tubarões, pois estes podem ficar confusos e associar pessoas a comida.

Existem mais algumas dicas de segurança?
Os tubarões são atraídos pelo sangue e devemos evitar nadar com feridas abertas. Os objetos brilhantes também podem atrair tubarões, que são naturalmente curiosos.

Neff sugere que se evite nadar sozinho, ou muito longe da costa. E também refere que as pessoas devem evitar chapinhar em demasia.

“Existem algumas histórias onde as brincadeiras de ‘ataques de tubarão’ na água acabaram por atrair um tubarão para a área”, diz Neff.

Os tubarões de A a Z

Os fatos anti-tubarão e os repelentes resultam?
Existem algumas empresas que comercializam roupas de mergulho e pranchas de surf projetadas com padrões para repelir tubarões, orcas e peixes-leão. Mas a eficácia de tais produtos ainda está por comprovar.

“Duvido muito que isso resulte”, disse à National Geographic o ecologista de tubarões, Bradley M. Wetherbee, da Universidade de Rhode Island.

Outras investigações já analisaram a eficácia de repelentes químicos e elétricos, mas são necessários mais estudos para comprovar os seus resultados.

É eficaz eutanasiar os tubarões junto à costa?
Não, diz Burgess. Os tubarões são peixes altamente migratórios que podem nadar milhares de quilómetros numa estação, portanto, segmentá-los num único lugar não faz sentido. Algumas tentativas recentes de abate de grandes tubarões-brancos, com o intuito de reduzir os ataques na Austrália Ocidental, foram fortemente criticadas pelos cientistas.

Os abates de tubarões realizados no Havai, na década de 1950, “não demonstraram efeitos mensuráveis na taxa de ataques de tubarão", disse Chris Lowe, professor de biologia marinha na Universidade Estadual da Califórnia, em Long Beach, que analisou os dados obtidos durante esses abates.

A economia influência os ataques de tubarão?
Sim. Quanto mais os turistas enchem as praias, mais os ataques de tubarão tendem a ocorrer, já que as pessoas e os peixes têm mais possibilidades de se encontrar. Em 2011, um ano de recessão marcado pelos baixos níveis de turismo, os EUA registaram apenas 29 ataques de tubarão não provocados, em comparação com uma média de 39 ataques na década anterior.

Matamos mais tubarões ou os tubarões matam mais humanos?
Os humanos matam mais tubarões, de longe. Os especialistas estimam que anualmente matamos cerca de 100 milhões de tubarões, um empreendimento que muitos consideram insustentável e que ameaça diversas espécies. Os tubarões reproduzem-se lentamente, sendo particularmente vulneráveis à pesca excessiva.

Os tubarões são perseguidos pelas suas barbatanas, consideradas uma iguaria em alguns países asiáticos, e também são caçados pela sua carne e peles. E também ficam frequentemente enleados em equipamentos de pesca – "capturas colaterais" indesejadas.

Se existem tantos tubarões em perigo, porque aumentam os ataques?
Um número crescente de países, desde os Estados Unidos ao Sul do Pacífico, está a aprovar e a aplicar sanções sobre a pesca de tubarão, e os peixes estão a mostrar alguns sinais localizados de recuperação. Contudo, o panorama geral de conservação é muito ténue, sobretudo com a pesca ilegal. 
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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