Animais

Descoberta Tarântula Azul Cintilante

A espécie recém-descoberta de aracnídeo, nativa das florestas tropicais do Sri Lanka, é grande o suficiente para abraçar um punho humano.terça-feira, 3 de setembro de 2019

Por Nadia Drake
As fêmeas desta espécie recém-descoberta têm pernas azuis cintilantes. Os machos têm tons de castanho.

O Sri Lanka é o lar de uma nova espécie de tarântula – e as suas fêmeas são felpudas, com tons de turquesa.

Os cientistas encontraram os aracnídeos numa zona isolada na região sudoeste da floresta tropical – uma área cercada por plantações de chá e borracha. Estas aranhas, velozes e agressivas, vivem em tocas tubulares revestidas de seda e capturam insetos que vagueiam perto dos seus lares subterrâneos. Medindo aproximadamente 12 centímetros, não são propriamente pequenas, e as suas manchas azuis também não são particularmente subtis.

E foram essas cores azuis vibrantes que chamaram a atenção do biólogo Ranil Nanayakkara que classificou as criaturas – agora chamadas Chilobrachys jonitriantisvansicklei – como sendo potencialmente novas para a ciência.

"Quando as encontrámos pela primeira vez, fiquei sem palavras", diz Nanayakkara sobre as fêmeas. "Os machos são mais pequenos e castanhos".

A Chilobrachys jonitriantisvansicklei é a segunda espécie do género Chilobrachys encontrada no Sri Lanka; a primeira, um aracnídeo castanho chamado C. nitelus, foi identificado há 126 anos. A vizinha Índia é o lar de mais de duas dezenas de espécies de Chilobrachys intimamente relacionadas e, embora muitas tenham um tom castanho, existem muitas com adornos fora do vulgar.

Nanayakkara, caçador de aranhas prolífico da Universidade de Kelaniya, no Sri Lanka, recolheu alguns destes aracnídeos numa expedição feita em 2015, e passou dois anos a fazer comparações físicas detalhadas entre esta espécie e as outras espécies conhecidas de Chilobrachys. No fim do estudo, concluiu que esta aranha era única. Nanayakkara e a sua equipa apresentaram os resultados do estudo no British Tarantula Society Journal, e o nome da espécie é uma homenagem a Joni Triantis Van Sickle, cofundador da NGO Idea Wild.

A descoberta destaca a riqueza da vida selvagem diversa que existe no Sri Lanka, e também levanta uma questão: quantas espécies de aranhas faltam descobrir?

Expansão da árvore genealógica
Embora estas aranhas sejam novas no Sri Lanka, os especialistas dizem que são necessárias mais investigações genéticas para esclarecer a posição da C. jonitriantisvansicklei na árvore genealógica.

"Aceito que esta seja uma espécie nova", diz Robert Raven, curador de aracnídeos no Museu de Queensland, na Austrália. "Mas, considerando que algumas espécies, como a C. andersoni, são generalizadas, a possibilidade de esta nova espécie ser uma das espécies indianas anteriormente nomeadas é algo que precisa de ser analisado.”

O sequenciamento genético pode confirmar se estas aranhas são únicas ou não; e esta análise também é crucial para compreender a evolução dos aracnídeos e planear estratégias de conservação. Raven diz que em áreas como o Sri Lanka, os altos níveis de biodiversidade costumam ser associados a pequenas populações – "e de acordo com os números avançados pelos cientistas, estas populações podem ser ainda mais pequenas".

Para já, os cientistas não sabem se a C. jonitriantisvansicklei é particularmente rara ou se está ameaçada, mas outras aranhas do Sri Lanka estão catalogadas como ameaçadas de extinção.

Tesouro de aranhas
Esta não é a primeira vez que Nanayakkara identifica uma tarântula do Sri Lanka que se torna no centro das atenções

Em 2013, descreveu uma nova espécie de tarântula maciça que vive nas árvores, chamada Poecilotheria rajaei. Com padrões geométricos entrelaçados e um conjunto de pernas que conseguem envolver um rosto humano, esta aranha, chamada aranha-tigre, foi muito falada na comunicação social.

O facto de estas aranhas grandes poderem estar escondidas à vista de todos no Sri Lanka não é particularmente surpreendente, diz Suresh Benjamin, do Instituto Nacional de Estudos Fundamentais do Sri Lanka, que não participou neste estudo.

Apesar de este país ser um tesouro de biodiversidade, desde a sua independência em 1948 apenas uma fração da sua riqueza foi estudada em detalhe, diz Benjamin.

Por exemplo, das 593 espécies de aranhas atualmente identificadas na ilha, 108 foram descritas nas últimas duas décadas. O único guia para as aranhas do Sri Lanka foi publicado há mais de um século, acrescenta Benjamin.

Posto isto, é de esperar que apareçam mais aranhas recém-descobertas nas notícias.

 "Os trabalhos de campo que realizámos durante os últimos anos", diz Benjamin, "revelaram a presença de uma fauna de aranhas abundante e inexplorada, que vivem em fragmentos de floresta da ilha".

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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