Animais

‘Vaquita’ do Mar Perto da Extinção

No Golfo da Califórnia, só restam 19 vaquitas. O que conseguem os conservacionistas aprender antes de a espécie desaparecer por completo?segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Por Annie Roth
Uma “vaquita” do mar a espreitar à superfície.

Um dos animais marinhos mais ameaçados de extinção é uma toninha conhecida por vaquita. Esta espécie só existe no Golfo da Califórnia, ao largo do México. Ninguém sabe exatamente quantos animais destes existem atualmente, mas os investigadores estimam que, em 2018, restavam menos de 19. A menos que se consiga abrandar o declínio da espécie, as vaquitas ficarão provavelmente extintas antes de 2021, o que levanta a questão: como é que deixámos isto acontecer?

A vaquita, uma criatura atarracada com cerca de um metro e meio de comprimento, é o cetáceo mais pequeno de uma família que inclui baleias, golfinhos e toninhas. A pigmentação escura em torno dos seus olhos confere-lhe uma aparência bovina – e claro, em espanhol, o nome do significa "vaca pequena".

Quando os cientistas descobriram a espécie, na década de 1950, perceberam imediatamente que estava em apuros. As vaquitas afogavam-se regularmente nas malhas das redes destinadas a camarões e peixes da espécie Totoaba macdonaldi, um peixe cuja vesícula gasosa é considerada uma iguaria na China. Em 1975, depois da Totoaba ter sido declarada ameaçada, o México proibiu a sua pesca. Mas apanhar este peixe é mais fácil, mais lucrativo e menos arriscado do que o narcotráfico, pelo que a sua captura ainda persiste – e as mortes das vaquitas são danos colaterais.

Em 2005, o governo do México reservou parte do golfo para as vaquitas terem um refúgio. Mas a sua população continuou a decrescer – passou de mais de 200 indivíduos em 2008, para menos de 30 em 2016. Incapaz de proteger as vaquitas no seu estado selvagem, o governo fez uma tentativa sem precedentes de proteção em cativeiro. Em 2017, uma equipa internacional de cientistas, veterinários e conservacionistas reuniu-se no México para organizar o VaquitaCPR, um projeto multimilionário para transferir metade das vaquitas que ainda restavam para cercados marítimos protegidos, até que a sua segurança na natureza estivesse garantida. A equipa capturou duas fêmeas – mas quando ambas começaram a demonstrar sinais de stress, foram libertadas. Uma não sobreviveu e o VaquitaCPR foi descontinuado.

Esta jovem fêmea, denominada V01F, foi capturada durante o projeto VaquitaCPR, um esforço de emergência para colocar alguns dos cetáceos ameaçados em cercados marítimos protegidos.
A V01F aparentava estar muito tensa com a experiência, pelo que os conservacionistas decidiram devolvê-la à natureza.

Matthew Podolsky, biólogo de vida selvagem, diz que, "mesmo que a vaquita não tivesse morrido e o esforço de captura tivesse sido bem-sucedido, a raiz do problema ainda continuava lá": os pescadores pobres, os cartéis gananciosos e as autoridades corruptas estão mais preocupados em apanhar Totoabas do que em proteger as vaquitas. Podolsky é o corealizador de Sea of Shadows,, um documentário da National Geographic sobre ativistas e investigadores infiltrados que trabalham para ajudar a salvar a espécie.

Nesta luta contra a extinção, Podolsky vê uma história de advertência sobre a importância de proteger os animais raros ao primeiro sinal de problemas – e não quando restam apenas alguns.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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