Animais

86 Tigres Resgatados no Templo do Tigre Morrem sob Custódia Governamental

Desde 2016, morreram mais de metade dos grandes felinos apreendidos na polémica atração turística da Tailândia.quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Por Dina Fine Maron
Em 2016, foram apreendidos 147 tigres numa operação do governo tailandês, no Templo do Tigre, na província de Kanchuanaburi, após alegações de abuso de animais e criação de animais para o comércio ilegal de partes de tigre.

Três anos depois da apreensão de 147 tigres no famoso Templo do Tigre, na Tailândia, as autoridades governamentais estão a informar que 86 dos animais resgatados já morreram. A causa oficial para estas mortes, segundo o governo tailandês, deve-se a uma doença viral exacerbada pela endogamia de grandes felinos.

Durante os anos que antecederam a retirada dos tigres do templo budista, formalmente conhecido por Wat Pa Luangta Bua Yannasampanno, a instalação era uma atração turística muito conhecida, onde os visitantes tiravam selfies com os tigres e alimentavam as suas crias com biberões. No entanto, um trabalho feito pela National Geographic e pela organização australiana Cee4Life revelaram práticas controversas, incluindo o abuso de animais e a criação acelerada de tigres para fornecer partes dos seus corpos para o comércio ilegal.

Estes relatórios aumentaram a pressão do público para encerrar as instalações, mesmo quando centenas de "quintas de tigres" estavam a surgir no Sudeste Asiático. Em 2016, os tigres – uma mistura de espécies e subespécies – foram apreendidos no Templo do Tigre, localizado a cerca de 160 km a oeste de Banguecoque, e colocados sob custódia do governo.

Nas infames instalações, os tigres eram um enorme atrativo turístico para os visitantes que queriam tirar selfies com os grandes felinos.

Mortes agonizantes
Sybelle Foxcroft, cofundadora da Cee4Life, começou a investigar o templo em 2007 enquanto trabalhava na sua tese de mestrado, vindo depois a colaborar com a National Geographic com os seus relatórios de 2016.

Sybelle disse que as notícias da morte dos animais a deixaram devastada, mas que não eram surpreendentes. Quando visitou o templo, viu em primeira mão os sinais do grave comprometimento neurológico dos tigres e sustenta que as doenças foram obtidas lá, não nas instalações do governo.

“Em 2015, um tigre em particular, Mek Jnr, apresentava sintomas graves e ia contra as paredes, tinhas as pernas traseiras muito fracas e estava desorientado”, escreveu Sybelle no site da Cee4Life.

“E mais uma vez, escrevi publicamente sobre o Mek Jnr e implorei ao Templo do Tigre para o ajudarem, mas ignoraram tudo e alegaram que o animal estava bem. Mas ele estava longe de estar bem e acabou por morrer de agonia.”

“E também sei que, se o Templo do Tigre tivesse continuado e os tigres não fossem resgatados, acabariam por morrer das mesmas doenças, mas a diferença é a de que no Templo do Tigre teriam esfolado os cadáveres e usado as partes dos corpos para vender."

No Templo do Tigre, os visitantes pagavam para alimentar estas crias com biberões.

Condições deploráveis?
Os tigres, desde que foram resgatados do templo em 2016, vivem em dois santuários de vida selvagem administrados pelo governo tailandês. Através de um comunicado de imprensa, o Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas da Tailândia disse que os animais morreram de paralisia na laringe, um distúrbio respiratório viral provavelmente exacerbado pelo fraco sistema imunitário dos animais. Alguns tigres também sofreram complicações devido à chamada esgana, uma condição que pode afetar cães e tigres.

Mas, de acordo com as informações da Reuters, o zelador do templo, Athithat Srimanee, nega que os animais tenham morrido devido à consanguinidade e às infeções adquiridas no templo; em vez disso, Athithat alega que os animais morreram devido às más condições nas instalações governamentais, como jaulas pequenas.

"A morte de mais de metade dos animais resgatados do Templo do Tigre é completamente escandalosa", diz Will Travers, Presidente da Born Free Foundation, um grupo que se opõe à retirada de animais selvagens da natureza. "É imperativo que se faça uma investigação completa e independente, que reporte ao Gabinete do Primeiro Ministro, e as conclusões devem ser colocadas no domínio público".

Em comunicado, o governo tailandês afirma que continua a prestar assistência aos 61 tigres ainda vivos e que as condições onde os tigres se encontram são seguras, projetadas para reduzir o stress, e são feitas análises regulares por veterinários. Não foi divulgado se existem planos para transferir os animais para outras instalações.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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