Abutres em Portugal: Factos e Mitos

Abutres que atacam rebanhos e fêmeas parturientes, ou que atacam em conjunto animais vivos – conheça factos e mitos sobre os Abutres em Portugal.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019,
Por National Geographic
Um abutre (Gyps sp.) prepara-se para pousar num campo com vegetação.
Um abutre (Gyps sp.) prepara-se para pousar num campo com vegetação.
Fotografia de CHRIS JOHNS

Existem regularmente 3 espécies de abutres em Portugal: Grifo (Gyps fulvus), Abutre-preto (Aegypius monachus) e Abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus). Os abutres são animais maioritariamente necrófagos, isto é, que se alimentam de carcaças de animais mortos.

Ultimamente têm crescido em Portugal e em Espanha os rumores de que os abutres caçam animais vivos em bando deixando os donos de animais de pasto assustados. Mas será que é mesmo assim? Conheça melhor as três espécies de abutres em Portugal:

Conheça os Abutres de Portugal:
Grifo (Gyps fulvus):

O grifo é uma ave de grande porte, podendo a envergadura chegar aos dois metros e meio. É de cor castanha clara com a cabeça branca, mas em voo podem identificar-se pelas penas GGGG que são castanhas escuras no centro e pretas nas extremidades. A presença deste abutre em Portugal é comum, no entanto o seu estado de conservação no país é “Quase Ameaçado”.

Abutre-preto (Aegypius monachus):
O Abutre-preto é comummente confundido com o Grifo pela sua dimensão, no entanto, é ligeiramente maior que o grifo, fazendo dele o maior abutre da Europa. Este abutre tem uma plumagem castanha escura, sem contraste quando em vôo – ou seja, não existe um contraste na cor das penas, quando avistado em voo. Na verdade, não é preto, mas à distância parece ser. O Abutre-preto é uma espécie “Criticamente em Perigo” em Portugal.

Abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus):
O Abutre-do-Egipto, também chamado de Britango, é o menor dos três, sendo uma ave de porte médio. Tem plumagem branca e preta e pode às vezes fazer lembrar uma águia-calçada. No entanto, a sua cauda em forma de cunha delata-o. E se bem que não é raro ocorrerem estes abutres em Portugal, esta é uma espécie migradora que está em território português apenas entre março e setembro. Mesmo assim, esta espécie está “Em Perigo” no nosso país.

Um grupo de abutres de dorso branco no Parque Nacional de Samburu.
Fotografia de MICHAEL NICHOLS

Factos e Mitos acerca dos Abutres em Portugal

MITO: Os abutres são aves predatórias e atacam animais vivos mais fracos.

FACTO: Os abutres alimentam-se quase exclusivamente de carne morta já que são aves tipicamente necrófagas. No entanto, há casos em que abutres se acercam a animais moribundos na expectativa de se alimentarem deles, e se houver escassez de alimento, podem tentar alimentar-se de um animal moribundo (mas ainda vivo). No entanto, não é correta a afirmação de que os abutres são predadores, pois não o são.

MITO: Os abutres atacam fêmeas em parto.

FACTO: Como não são predadores, não atacam animais vivos e/ou saudáveis de forma sistemática, incluindo parturientes. O que poderá acontecer é que crias mortas ou resíduos do parto (como a placenta) atraiam abutres.

MITO: O cheiro a sangue atrai abutres.

FACTO: Os abutres do Velho Mundo – como é o caso destes três que ocorrem em Portugal com regularidade – guiam-se exclusivamente pela vista, tendo um faro muito pouco apurado. Assim, não é o cheiro que os atrai.

MITO: Os abutres atacam em bando.

FACTO: Os abutres não são animais com um comportamento social conhecido. Além disso não “atacam”. O que ocorre na grande maioria das vezes, é que um abutre em alimentação atrai a atenção de outros, pelo que se juntem mais de um em redor de uma carcaça, dando a impressão de que chegaram em conjunto. Pode dizer-se não é incomum os abutres alimentarem-se em conjunto.

MITO: Avistar abutres é mau presságio.

FACTO: Quanto a superstições não podemos opinar, no entanto, podemos dizer que avistar abutres é sinal de um ecossistema equilibrado. De facto, como os abutres se alimentam de animais mortos, têm um papel importante no que respeita à disseminação de doenças contagiosas.

Onde avistar abutres em Portugal?
Os abutres podem ser vistos mais ou menos de norte a sul do país, com preferência pelas zonas fronteiriças e raianas. Miranda do Douro é uma zona privilegiada para avistar abutres já que os três ocorrem aqui frequentemente, no entanto Barca D’Alva e Penedo Durão costumam ter grifos e abutres-pretos com regularidade.

No centro do país, o Tejo Internacional é a melhor opção. Já no Alentejo, Marvão, Barrancos e Castro Verde são os sítios a visitar se pretende avistar principalmente abutres-pretos e grifos. O Cabo de São Vicente é a zona privilegiada do Algarve, onde aparece regularmente o Abutre-do-Egipto.

Se está mesmo no Norte, a Serra da Peneda e a Serra do Gerês são excelentes para ver Grifos, no entanto, as outras duas espécies não são frequentes.

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