Os Perigos das Corridas de Cavalos

Em 2018, nos EUA, morreram perto de 500 cavalos de corrida puro-sangue. Eis porquê.

Thursday, February 6, 2020,
Por Rachel Fobar
Os cavalos de corrida – como os que vemos nesta imagem a competir na Preakness Stakes ...
Os cavalos de corrida – como os que vemos nesta imagem a competir na Preakness Stakes 2017, em Baltimore, Maryland – acabam frequentemente por morrer devido a lesões.
Fotografia de Rob Carr, Getty

Apesar da sua popularidade, as corridas de cavalos são um desporto perigoso, tanto para o cavalo como para o jóquei. Nos EUA, nas primeiras quatro semanas da temporada de corridas, morreram cinco cavalos no Santa Anita Park, uma pista de corridas na Califórnia, incluindo outros três durante o fim de semana de 18 e 19 de janeiro.

De acordo com a Base de Dados de Lesões Equinas do Jockey Club, em 2018, nos EUA, morreram 493 cavalos de corrida puro-sangue (os dados de 2019 ainda não foram divulgados) e mais de 40 morreram entre dezembro de 2018 e finais de janeiro de 2020, todos no Santa Anita Park.

Grande parte destas mortes resulta de lesões, seguidas de distúrbios respiratórios ou digestivos e problemas em vários órgãos.

De facto, durante os últimos meses, grande parte das mortes de cavalos no Santa Anita Park deveu-se a lesões.

Rick Arthur, diretor médico equino do California Horse Racing Board, diz que estas mortes se podem dever ao facto de as corridas de cavalos serem cada vez mais competitivas.

Os cavalos não descansam o tempo que precisam, sobretudo em regiões temperadas como o sul da Califórnia, onde os animais correm durante o ano inteiro, diz Arthur.

“É difícil manter um atleta completamente no topo da sua forma física durante 12 meses seguidos.”

Esta vaga de mortes sem precedentes no Santa Anita Park também colocou o foco sobre a segurança deste desporto.

Por exemplo, em março de 2019, os legisladores bipartidários dos EUA apresentaram um projeto de lei federal para criar um padrão nacional e uniformizado referente aos testes de dopagem em cavalos de corrida. Nos EUA, a indústria de corridas de cavalos é atualmente supervisionada pelos estados.

O Jockey Club, que trabalha para melhorar a criação de cavalos de corrida puro-sangue, apoia este projeto de lei.

“Chegou o momento de nos unirmos ao resto do mundo, implementando as melhores medidas de proteção de saúde e segurança para os nossos atletas equinos”, disse a organização através de um comunicado.

Lesões mortais
Para os humanos, uma perna partida pode ser facilmente recuperável, mas para os cavalos, resulta geralmente numa pena de morte.

Isto acontece porque os cavalos têm pouco tecido mole nas pernas, fazendo com que o osso rasgue a pele ou corte a circulação nesse membro, ficando assim suscetível a infeções.

Em casos mais extremos, o osso parte-se, tornando quase impossível a sua recuperação.

E mesmo que se consiga recuperar, o osso não consegue suportar o peso do animal durante várias semanas. Quando os cavalos não conseguem distribuir o seu peso de uma forma relativamente uniforme, correm o risco de sofrer uma laminite, uma inflamação potencialmente fatal no tecido dentro do casco.

Geralmente, se um cavalo não conseguir ficar de pé com as quatro patas, não vai sobreviver e tem de ser sacrificado, diz Arthur.

E quando um cavalo cai, o jóquei também se pode magoar. Uma análise de 2013, com cerca de 5 anos de dados sobre corridas de cavalos na Califórnia, revelou que, entre as 360 quedas relatadas, os jóqueis sofreram 184 lesões.

O estudo constatou que muitas destas quedas aconteceram durante as corridas devido a “lesões catastróficas ou à morte súbita do cavalo”.

A controvérsia das drogas
De acordo com os defensores dos animais, os treinadores também pioram uma situação que já de si é perigosa, drogando os cavalos com substâncias ou analgésicos que aumentam o seu desempenho.

Um relatório de março do Jockey Club diz que estas drogas permitem aos cavalos correr mais depressa e suportar as dores. Por exemplo, a droga furosemida, mais conhecida pelo nome de marca Lasix, é uma droga que melhora o desempenho, mas está camuflada sob medicação terapêutica.

Apesar de este fármaco ser usado para tratar hemorragias pulmonares, também provoca micção e, consequentemente, perda de peso. Os cavalos mais leves são mais rápidos, e o Lasix já demonstrou que ajuda os cavalos a correrem entre três a cinco comprimentos mais depressa. Mas a legalidade de cada medicamento varia de estado para estado.

Embora muitos ativistas dos direitos dos animais acreditem que estas drogas devem ser proibidas, existem outras pessoas na indústria das corridas de cavalos que acreditam que a resposta passa por uma autorregulação mais rigorosa.

Com esse objetivo em mente, a legislação proposta para as corridas de cavalos iria estabelecer um órgão independente e autorregulador – afiliado à Agência de Antidopagem dos EUA – para regular a medicação dos cavalos de corrida, catalogar as substâncias permitidas, ou não, e proibir as medicações nas 24 horas seguintes a uma corrida.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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