Lince-Ibérico Reproduz-se em Centros de Portugal e Espanha

Em Espanha e em Portugal, cinco fêmeas lince-ibérico deram à luz novas crias. Esperam-se até 45 crias no ano de 2020.

terça-feira, 19 de maio de 2020,
Por National Geographic
Plano de recuperação do Lince-ibérico.

Plano de recuperação do Lince-ibérico.

Fotografia de Junta de Andalucia

No início do século XIX, a espécie do lince-ibérico, denominado Lynx pardinus, estava estimada em cerca de 100.000 animais, distribuídos por Portugal e Espanha. No início do século XXI, já só restavam menos de 100.

Num trabalho em conjunto, Portugal e Espanha criaram o Programa Ex-Situ de reprodução em cativeiro, cujo objetivo consiste em recuperar habitats e reproduzir animais.

Depois de vários anos categorizados como espécie criticamente em perigo, pela União Internacional para a Conservação da Natureza, a espécie do lince-ibérico desce, desde 2015, para a categoria em perigo de extinção. Chegou a ser considerada a espécie de felino mais ameaçada do mundo.

O que coloca o lince-ibério sob ameaça
- Destruição de habitat por incêndios florestais;
- Escassez de alimento por surtos de doenças nas espécies presas;
- Combinação dos dois anteriores, por efeito da desertificação;
- Efeitos exacerbados pelas alterações climáticas.

No ano de 2019 nasceram, ao todo, 50 crias de lince-ibérico e apenas 35 sobreviveram. Destas, 30 estão a ser libertadas na natureza, desde o início de 2020, quer em Portugal quer em Espanha.

À semelhança dos anos anteriores, cerca de 90% das crias que nasçam no ano de 2020 serão preparadas para a sua libertação na natureza, mais concretamente, no Vale do Guadiana, Andaluzia, Castela-La Mancha e Extremadura espanhola.

As crias que permanecem em cativeiro, passam a integrar o grupo reprodutor do Programa de Conservação Ex-situ, com o objetivo de manter uma adequada diversidade genética e equilíbrio demográfico.

É com base nos parâmetros reprodutivos registados entre 2005 e 2019, nesse mesmo programa, que se estima que para 2020 nasçam até 45 crias.

As novas crias de lince-ibérico
O primeiro nascimento do ano ocorreu a 21 de março, resultante do emparelhamento de Coscoja com o macho Plumón. O segundo parto ocorreu logo no dia seguinte, desta vez longe do raio de alcance das câmaras de vigilância o que, até ao momento, ainda não permitiu verificar quantas crias nasceram.

Estes primeiros nascimentos de lince-ibérico, das fêmeas Coscoja e Cynara, ocorreram no Centro de La Olivilla, em Andaluzia, Espanha.

O centro iniciou-se a 18 de janeiro de 2007, com os seus primeiros exemplares de lince-ibérico, Camarina e Cuco. Em março de 2009, presenciou-se ao nascimento da primeira ninhada. Desta, de nome Dama, nasceram mais duas crias.

São cinco os centros de reprodução de lince-ibérico em Portugal e Espanha:
La Olivilla
– Andaluzia, Espanha. Aberto desde 2007, tem oito casais reprodutores;
Centro Nacional de Reprodução de Lince-ibérico – Silves, Portugal. Aberto desde 2009, tem seis casais reprodutores;
El Acebuche – Parque Nacional de Doñana, Espanha. Aberto desde 1992, tem seis casais reprodutores;
Zarza de Granadilla – Cáceres, Espanha. Tem cinco casais reprodutores;
Zoobotanico de Jerez – Cádiz, Espanha. Aberto desde 2005, tem um casal reprodutor.

Existem, de momento, 26 casais reprodutores, nos cinco centros de reprodução em cativeiro. O número de casais por cada centro, foi definido tendo em conta as instalações que cada um oferece e as necessidades dos animais, para serem libertados nas várias áreas de reintrodução.

Plano de recuperação do Lince-ibérico.

Fotografia de Junta de Andalucia

Silves – o centro de reprodução em Portugal
O centro de Silves conta com quase 11 anos de atividade. Durante esse período já acolheu 122 animais, nascidos no mesmo, dos quais 89 sobreviveram e 73, destes, foram reintroduzidos na natureza. A reintrodução, pelo solo lusitano, dá-se no Vale do Guadiana, em Mértola e Serpa.

Ainda de acordo com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, os animais não reintroduzidos na natureza, foram integrados no programa de cria em cativeiro como reprodutores. Os que não puderam ser libertados nem incluídos no programa, por problemas genéticos, foram encaminhados para zoos ou aguardam colocação em zoos ou parques zoológicos de visita.

No Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico de Silves, os seis casais residentes são: Fado e Biznaga, Hermes e Jabaluna, Drago e Fresa, Fresco e Juncia, Madagáscar e Juromenha e, Madagáscar e Era.

O número de crias vivas no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico aumentou para 11, das quais 9 nasceram num espaço de 35 horas em Silves. Tal aconteceu após ter findado o período de gestação que, na espécie lince-ibérico, varia entre 63 e 66 dias. Duas fêmeas passaram pelo processo de inseminação artificial, visto que ainda não tiveram sucesso na reprodução natural.

Como pode ver um lince-ibérico
Naturalmente que a entrada a visitantes no centro de Silves está vedada, de forma a garantir a tranquilidade dos linces-ibéricos que nele habitam. Contudo, desde o ano de 2014 que existe um observatório no cimo de um monte, para poder ver os felinos.

O observatório fica próximo do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, a cerca de 20 minutos de São Bartolomeu de Messines.

Através de um caminho de terra batida, estão disponíveis painéis informativos sobre o habitat e sobre a espécie do lince-ibérico. A estrutura de observação surge debruçada sobre o vale.

A observação dá-se através de um telescópio fixo que permite, então, observar a espécie que vive no centro.

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