O que Precisamos de Saber Sobre os Nossos Gatos e o Coronavírus

Os casos de gatos infetados com coronavírus são raros – e não existem evidências de que a doença possa passar dos animais de estimação para os humanos.

quinta-feira, 7 de maio de 2020,
Por Rachael Bale
No dia 21 de abril de 2020, este gato era examinado na clínica de San Diego ...

No dia 21 de abril de 2020, este gato era examinado na clínica de San Diego Humane Society. Em Nova Iorque, dois gatos tornaram-se nos primeiros animais de estimação nos EUA a acusar positivo para o novo coronavírus, mas de momento os veterinários não recomendam testes generalizados aos animais de estimação.

Fotografia de ARIANA DREHSLER, AFP/GETTY IMAGES

No estado de Nova Iorque, dois gatos domésticos foram os primeiros casos nos EUA a acusar positivo para o coronavírus que provoca a COVID-19, anunciaram os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) no dia 22 de abril. O proprietário de um dos gatos foi diagnosticado com a doença, mas na casa do segundo gato ninguém teve um resultado positivo, portanto, ainda não se sabe como é que o gato contraiu o vírus. Ambos os gatos apresentaram sintomas respiratórios ligeiros e em princípio devem conseguir recuperar.

Os especialistas dizem que é importante realçar que os casos de gatos de estimação que contraíram o coronavírus são muito raros – no mundo inteiro, existem apenas três casos confirmados de gatos domésticos (e dois casos confirmados em cães) que adoeceram. O CDC diz que não existem evidências de que a doença se possa propagar na direção oposta – de animais de estimação para humanos.

“Esta é uma doença transmitida quase exclusivamente de humano para humano”, disse à NBC Michael San Filippo, porta-voz da Associação Americana de Medicina Veterinária (AVMA). “O risco para os animais de estimação é muito baixo e existem apenas alguns casos em que o vírus apareceu em animais de companhia, mas em nenhum dos casos tivemos pessoas que adoeceram devido aos seus animais de estimação.” (E muitas outras doenças humanas, incluindo as constipações comuns, não representam uma ameaça para os animais de estimação, porque são provocadas por vírus específicos da espécie, sendo incapazes de infetar outros animais.)

Um estudo feito recentemente por um laboratório de diagnóstico veterinário no Maine, testou milhares de amostras de cães e gatos e não encontrou sinais da doença. Apesar de a versão inicial de um pequeno relatório de testes – que visava descobrir se o vírus se consegue propagar entre gatos – tenha descoberto que isso é possível, a investigação não sugere que os gatos sejam um vetor na propagação de doenças entre humanos.

Com mais de 3.5 milhões de casos de COVID-19 em todo o mundo, os especialistas dizem que se os animais de estimação fossem um vetor significativo, já saberíamos.

Manter os animais de estimação saudáveis
Muitos donos de animais de estimação estão mais preocupados com o facto de os seus animais poderem adoecer, do que com a possibilidade de contraírem uma doença por causa dos animais.

Mas, para mantermos os nossos animais de estimação saudáveis, devemos tratá-los como se fossem um membro da família: se alguém na nossa casa estiver doente, os animais devem manter-se afastados. Devemos certificar-nos de que o nosso animal de estimação mantém o distanciamento social; o CDC recomenda que os animais de estimação não interajam com ninguém fora de casa. Quando passeamos os nossos cães, devemos manter o afastamento (cerca de 2 metros de distância) de outras pessoas (e animais) e evitar parques para cães. Os especialistas recomendam que se lave as mãos antes e depois de interagirmos com um animal de estimação, como faríamos com um humano.

Neste momento, o CDC e a AVMA não recomendam testes de rotina em animais de estimação. (A AVMA responde aqui às perguntas mais frequentes dos donos de animais.)

FOTOGRAFIAS VINTAGE DE GATOS MIMADOS

Preocupações com animais selvagens
No dia 5 de abril, foi revelado que um tigre-malaio tinha acusado positivo para o coronavírus no Zoo de Bronx; no dia 22 de abril, no mesmo zoo, mais seis tigres e um leão também testaram positivo. Estes são os primeiros tigres e leões conhecidos por terem o vírus.

Sabe-se que os gatos selvagens e domésticos são suscetíveis ao coronavírus felino, uma estirpe diferente, mas até recentemente não se sabia se também podiam contrair o SARS-CoV-2, o coronavírus que causa a COVID-19.

Acredita-se que a estirpe SARS-CoV-2 do vírus se tenha desenvolvido a partir de um coronavírus dos morcegos que é intimamente relacionado. Os investigadores teorizam que a estirpe evoluiu e saltou para um animal hospedeiro intermediário, e depois evoluiu novamente para infetar humanos.

Os cientistas estão a trabalhar arduamente para determinar quais são as outras espécies suscetíveis a infeções pelo SARS-CoV2. Os estudos iniciais estão a tentar identificar qualquer animal que o coronavírus possa infetar, e se provoca ou não doenças nessa espécie. Entre as espécies que os cientistas estudam estão os gatos e os furões, que parecem ser ligeiramente vulneráveis a infeções em laboratório (os outros animais estudados incluem cães, morcegos, civetas e porcos). E os pangolins podem ser portadores de um coronavírus intimamente relacionado, mas não foram encontrados sinais do SARS-CoV-2.

Os virologistas alertam que, apesar de o patógeno conseguir entrar nas células de algumas espécies em laboratório, essa infeção pode não ocorrer fora de um ambiente laboratorial. E também determinaram que os animais infetados em laboratório podem não adoecer. Mas são necessários testes adicionais para desenvolvermos uma compreensão mais aprofundada sobre como se desenvolve nos animais.

Conclusão: Sabemos que os humanos podem transmitir o novo coronavírus a alguns animais, mas não existem evidências de que os animais o consigam transmitir aos humanos. São necessárias mais investigações. Entretanto, a melhor prática é adotar as mesmas precauções com os nossos animais de estimação que usamos entre humanos.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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