Tubarões-Baleia Podem Viver Até aos 100 Anos

Novo estudo revela que o maior peixe do oceano é mais vulnerável à extinção do que se pensava.

Friday, October 30, 2020,
Por Liz Langley
Um tubarão-baleia a nadar ao largo da Península de Yucatán. Estes gigantes oceânicos podem pesar mais ...

Um tubarão-baleia a nadar ao largo da Península de Yucatán. Estes gigantes oceânicos podem pesar mais de 20 toneladas.

Fotografia de Brian J. Skerry, Nat Geo Image Collection

Com um padrão maravilhoso de manchas brancas às listas, o tubarão-baleia, com 18 metros de comprimento, é o maior e um dos mais impressionantes peixes do oceano. Embora seja adorado por ecoturistas e se encontre nos oceanos temperados pelo mundo inteiro, sabe-se muito pouco sobre este gigante – incluindo a sua longevidade.

As investigações feitas recentemente sobre outras espécies de tubarões revelaram longevidades espantosas: o tubarão da Gronelândia, por exemplo, pode viver mais de 300 anos, mais do que qualquer outro vertebrado na Terra.

Estas descobertas devem-se em grande parte aos métodos avançados que são usados para determinar a idade de um tubarão, como o rastreio do carbono-14 que se encontra nos esqueletos de tubarões, um tipo raro de isótopo radioativo que é um subproduto das detonações de bombas da era da Guerra Fria. A medição das quantidades deste elemento pode informar os cientistas sobre a idade de um tubarão com mais precisão do que as abordagens anteriores, que contavam os anéis de crescimento, semelhante ao que acontece com as árvores, nas vértebras de um tubarão-baleia. Isto porque a quantidade de tempo que cada anel representa é um tema há muito debatido.

Agora, os investigadores usaram a datação por radiocarbono para identificarem os restos mortais de um tubarão-baleia que viveu 50 anos, a maior longevidade de sempre para a espécie, diz o líder do estudo, Mark Meekan, biólogo marinho do Instituto Australiano de Ciências Marinhas.

Mark acrescenta que é possível que estes tubarões enormes consigam viver até aos 100 anos.

Mark diz que o seu estudo, publicado no dia 6 de abril na revista Frontiers in Marine Science, é crucial para a conservação desta espécie em perigo de extinção.

A longevidade do tubarão-baleia faz com que a espécie como um todo seja mais vulnerável a ameaças como a pesca, tanto legal como ilegal, ao aquecimento do oceano e a colisões com navios.

Análise de bomba
Entre 1955 e 1963, os testes de bombas atómicas feitos nos Estados Unidos e noutros países duplicaram a quantidade de carbono-14 que existe naturalmente na atmosfera terrestre.

Este excesso foi absorvido pelo oceano e por tudo o resto na cadeia alimentar – incluindo os esqueletos cartilaginosos dos tubarões-baleia.

Com a comparação entre a quantidade de carbono-14 presente nos oceanos durante determinados anos e a quantidade de isótopo recolhido nas sucessivas faixas de crescimento vertebral, os investigadores conseguem discernir a idade de um tubarão.

“Basicamente, mostramos que temos um registo temporal nas vértebras. Contamos as faixas e parecem ser anuais”, diz Mark.

Mark Meekan e os seus colegas recolheram amostras vertebrais de dois esqueletos de tubarão, um que tinha sido capturado legalmente em Taiwan em 2005, que tinha 35 faixas de crescimento; e outro de um animal que encalhou no Paquistão em 2012. Este último tinha 50 faixas de crescimento.

Como este tubarão de 50 anos encontrado no Paquistão tinha apenas 10 metros de comprimento, e dado que estes animais podem crescer até perto do dobro deste tamanho, os tubarões-baleia maiores são sem dúvida mais velhos do que os dois espécimes testados, diz Mark.

‘Dados reais de animais reais’
“Este estudo é realmente importante porque elimina algumas das questões sobre a idade e padrões de crescimento dos tubarões-baleia”, diz Taylor Chapple, cientista de investigação especializado em tubarões na Universidade Estadual do Oregon.

Os conservacionistas precisam de saber a taxa de crescimento de uma espécie, diz Taylor, porque uma espécie de crescimento mais lento é mais suscetível à extinção do que uma espécie que se reproduz rapidamente. A população global de tubarões-baleia caiu em mais de 50% nos últimos 75 anos, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Para além de serem uma parte vital do ecossistema oceânico, os tubarões-baleia também sustentam a indústria do ecoturismo, que em muitos lugares oferece oportunidades de observação ou mergulho a uma distância de segurança dos animais. Porém, em alguns locais, como em Oslob, nas Filipinas, a observação de tubarões é polémica devido às práticas de alimentação ou de aproximação dos animais.

“O ecoturismo mantém muitas pessoas fora da pobreza em muitos países em desenvolvimento, sobretudo no Sudeste Asiático”, diz Mark Meekan.

“Temos uma responsabilidade não só para com os tubarões, mas também para com estas comunidades, para garantir que têm um futuro.”


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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