Cria de Pinguim-de-Magalhães Nasce no Oceanário de Lisboa

Nasceu Zazu, o pinguim-de-Magalhães mais novo do Oceanário de Lisboa e a cria mais recente de um casal de pinguins com cerca de 30 anos.

Tuesday, November 3, 2020,
Por National Geographic
Zazu fotografado com quatro meses de vida.

Zazu fotografado com quatro meses de vida.

Fotografia de Oceanário de Lisboa

No dia 18 de maio deste ano, pouco tempo após o período de confinamento do país, nasceu uma cria de pinguim-de-Magalhães no Oceanário de Lisboa. A cria da espécie está classificada como “Quase Ameaçada”, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Trata-se de um Spheniscus magellanicus macho, de penugem juvenil acinzentada e bege e é fruto de um casal de pinguins com cerca de 30 anos de idade, Buzzard e Joy, que residem neste Oceanário desde 1998. A cria recebeu o nome Zazu, após uma votação lançada nas redes sociais pelo Oceanário.

Apesar de ter nascido com apenas 90 gramas, pesava mais de um quilograma ao final de duas semanas. Deixou o ninho, após oito semanas, com 3,5 quilos e sob cuidados parentais. No mês de setembro regressou ao habitat do Antártico, onde os progenitores fazem ninho anualmente, para integrar a colónia de 30 indivíduos. Uma vez que a área de isolamento se encontra junto à exposição do habitat, apenas foi necessário abrir as barreiras físicas que separam as áreas e permitir que a ave, com gentileza e assertividade, se dirigisse em direção à colónia, movida pela sua natural curiosidade.

O pinguim-de-Magalhães é uma ave adaptada para mergulhar e não para voar. Possui um esqueleto sólido e não oco, como é comum nas aves. Possui duas camadas de penas, distribuídas de modo a reduzir o atrito na água, bem como a mantê-la protegida das temperaturas frias em que habita. Tem entre 35 e 45 centímetros de altura e um peso que pode oscilar entre os três e os 4,5 quilos.

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O habitat do pinguim-de-Magalhães
O processo de habituação à presença humana decorreu durante três semanas, seguido da preparação para integrar a colónia da espécie. 

Os pais deste novo pinguim-de-Magalhães são um dos casais mais antigos da colónia do Antártico e, durante toda a sua vida, já tiveram vários pintos. Alguns integram a colónia do Oceanário de Lisboa e outros foram cedidos a outras instituições parceiras, num trabalho coordenado de gestão de populações.

O habitat do pinguim-de-Magalhães situa-se nos oceanos Pacífico e Atlântico, na zona costeira. Na época de reprodução, que ocorre entre setembro e abril, a espécie dirige-se a terra para nidificar. Quando um casal é formado, mantém-se por toda a vida, partilhando não apenas a incubação como os cuidados parentais.

A principal diferença na espécie que vive em cativeiro para a que vive no seu habitat natural prende-se com a habituação à presença humana. As aves criadas em cativeiro não serão tão reativas aos humanos. A ausência de predadores também contribui para a diminuição do estado de alerta, no entanto, promove um aumento da longevidade desta espécie. O facto de serem alimentados à mão também os distingue, embora se verifique que mesmo em cativeiro estas aves caçam e mantêm os seus instintos naturais.

No Oceanário de Lisboa, a alimentação desta espécie é composta por variedades de peixe, tais como capelin, espadilha, arenque e smelt, em porções que variam de acordo com a sua recetividade por parte das colónias, bem como a disponibilidade desses peixes.

Do acasalamento à reprodução
Na época de acasalamento, caso o pinguim-de-Magalhães ainda não tenha uma parceira, faz um chamamento semelhante ao zurro de um burro para atrair as fêmeas solteiras. Estas vocalizações podem também ser utilizadas em comportamentos de defesa do território.

A fêmea põe dois ovos e ambos são incubados durante 40 dias. Os ninhos são feitos em buracos forrados com penas e paus, que têm por objetivo proteger os pintos do vento e da chuva fria.

Em cativeiro, o processo de reprodução começa com a abertura dos ninhos no primeiro dia de março. Os ninhos são colocados ao dispor da colónia, bem como algum material para a construção do ninho, no interior das caixas para tal efeito.

Faz-se uma monitorização dos casais que tenham nidificado, com o objetivo de apurar o dia das posturas. Após 10 dias da sua postura, todos os ovos são verificados em contraluz para apurar a sua fertilidade, o que se pode repetir mais do que uma vez, caso existam dúvidas sobre a sua condição.

Quando ocorre o nascimento, a cria é pesada de 48 em 48 horas para monitorização do seu estado de saúde, bem como da evolução do seu peso. A cria permanece ao cuidado dos seus progenitores durante cerca de oito semanas, sendo a perca da primeira penugem o fator para que estes a libertem, privando a cria de regressar ao ninho.

Nesta fase, a ave é recolhida para uma área isolada da colónia, onde permanece na companhia de outro adulto, com objetivo de aprender a comer à mão e praticar os seus primeiros mergulhos. O seu peso e estado de saúde continuam a ser monitorizados, embora com menos frequência e, quando a cria já se aproxima do aquarista e toma a iniciativa de comer, está apta a regressar à colónia.

A distribuição da espécie e o risco de ameaça
Nem todos os pinguins que nascem no Oceanário se mantêm na colónia. Alguns constituem colónias em outros aquários e zoos europeus, o que se revela importante para a manutenção da variabilidade genética dentro das colónias e no conjunto da população presente nas diferentes instituições europeias.

Embora a perda de habitat ainda não seja um problema, a pressão já se faz sentir. Face às ameaças de que a espécie é alvo, a Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem e outras organizações ambientais, colocaram em prática algumas ações. Entre elas encontra-se a proteção dos principais locais de reprodução e nidificação, a monitorização das populações de pinguins e, também, a alteração das rotas dos navios petroleiros na Argentina, que coloca a espécie em risco devido aos sucessivos derrames de petróleo.

O Oceanário de Lisboa participa em programas de reprodução de espécies marinhas da EAZA – Associação Europeia de Zoos e Aquários, que têm como objetivo a gestão de populações de espécies em aquários públicos europeus. O oceanário português dedica-se à conservação ex situ, ou seja, à conservação fora do local de origem, participando em diversos projetos de conservação a nível europeu. Como tal, integra o programa de reprodução de aves marinhas como é o caso dos pinguins-de-Magalhães.

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