Larva de besouro: o primeiro inseto autorizado para consumo na Europa

A larva de besouro é agora o primeiro inseto consumível aprovado na Europa, aproximando-se a alguns alimentos de partes da Ásia, África, Austrália e Nova Zelândia.

Publicado 3/03/2021, 16:42
Depois de uma vasta cultura alimentar de insetos em países asiáticos e africanos, entre outros, agora a ...

Depois de uma vasta cultura alimentar de insetos em países asiáticos e africanos, entre outros, agora a Europa aprovou a larva de besouro como o primeiro inseto consumível na Europa.

Fotografia de JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK

A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla inglesa) anunciou a autorização das larvas de besouro para consumo. Este é o primeiro inseto comestível aprovado na Europa, para ser utilizado como ingrediente na alimentação humana.

A larva de besouro é, atualmente, utilizada na produção de rações para animais, nomeadamente os de estimação. Agora, estas larvas podem ser utilizadas em receitas com caril e ser transformadas em farinha para confeção de massas, bolos, bolachas ou pão.

O seu consumo pode ser feito a partir das larvas húmidas ou secas. As larvas de besouro, larvas-de-farinha ou Tenebrio molitor, são ricas em proteína, gordura e fibra. A EFSA reconhece-as como seguras para consumo após uma aplicação da empresa francesa de criação de insetos, a EAP Group SAS – Micronutris, agora conhecida como Agronutris.

A Europa dá luz verde preliminar e rende-se pouco a pouco

No mesmo comunicado, a agência alertou ainda que são necessárias mais pesquisas para apurar possíveis reações alérgicas a estes insetos. A União Europeia exige essas pesquisas como etapa necessária antes que cada um dos Estados Membros decida se permite que as larvas de besouro sejam vendidas a consumidores finais.

A comunidade científica e a indústria de alimentos no setor de insetos comestíveis, mostram-se bastante interessados, contudo, a introdução destes na alimentação europeia é lenta, graças a algumas barreiras como o preconceito e as barreiras psicológicas que são necessárias ultrapassar.

Este tipo de alimento atrai recordes de financiamento de capital de risco e capta a atenção de grandes empresas, como a Cargill Inc. e Nestlé SA. A Hubert também anuncia a intenção de expandir este tipo de produto para a nutrição desportiva, mediante a aprovação da EFSA.

A empresa Ynsect SAS, que por enquanto se dedica em exclusivo à criação de minhocas para alimentar peixes e animais de estimação tem atraído os olhares atentos do mercado financeiro. Entre os financiadores encontram-se a Astanor Ventures, a Upfront Ventures Management, e a FootPrint Coalition, num investimento total de cerca de 185 milhões de euros.

A larva de besouro junta-se ao cardápio

A EFSA tem também outras pesquisas sobre insetos no cardápio humano e deverá examinar se os grilos e gafanhotos também são adequados para o consumo. Insetos como estes são já consumidos em diversas partes do mundo, como na Ásia, África, Austrália e Nova Zelândia, sendo muito comum comer-se barras de insetos.

Vários mercados orientais já utilizam e oferecem aos seus consumidores larvas de besouros fritas, larvas cozidas, escorpiões crocantes, entre uma vasta palete de sabores e de nutrientes que os insetos podem dar.

No mercado europeu, já é possível, em determinados locais, encontrar produtos deste tipo, o que não quer dizer que a oferta de produtos desta espécie se vá tornar vulgar nos supermercados, pelo menos num futuro próximo.

Indústria tem interesse no investimento em produtos mais sustentáveis

Os insetos surgem como a solução para vários problemas que atualmente enfrentamos. Como os maiores estimuladores da natureza, os insetos vêm colmatar as grandes quantidades de terra e água que as fontes convencionais de proteína, como a soja e a carne, consomem e o impacto severo que causam nos ecossistemas.

Os insetos podem transformar resíduos de frutas e vegetais em valiosa massa corporal rapidamente e com baixo impacto sobre os recursos. A título de exemplo, uma tonelada de insetos pode ser cultivada em apenas quatorze dias e, numa área de terra de apenas 20 metros quadrados.

As regras são bastante apertadas na União Europeia e, até agora, a única autorização que surge é para a criação de um produto alimentar feito a partir das larvas de besouro, que é a farinha amarela, na sua forma completa e como aditivo em pó.

Alguns sociólogos ouvidos pela Reuters, indicam que existem razões cognitivas que tornam a ideia de consumir insetos repelente, no entanto, com o tempo e a exposição, é um comportamento que pode alterar-se.

O mercado reconhece a potencialidade dos insetos na alimentação

No primeiro semestre do ano de 2013, a Food and Agriculture Organizations of the United Nations (FAO) defendeu, num relatório, que os insetos consumidos anualmente por 2 mil milhões de pessoas são uma alternativa promissora à produção convencional de carne, com vantagens quer para a saúde, quer para o ambiente.

Espera-se, ainda, uma forte concorrência neste mercado. A indústria afirma que o mercado europeu de produtos alimentícios à base de insetos deve crescer rapidamente, alcançando cerca de 260 mil toneladas no ano de 2030.

Desde 2018, a EFSA já recebeu 156 pedidos de avaliações de segurança desde alimentos derivados de algas a uma variedade de espécies de insetos, com o intuito de os reconhecer como novos alimentos. As larvas de besouro são, efetivamente, o primeiro passo.

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