As baleias-jubarte não conseguem engolir um humano. Descubra porquê.

Apesar dos relatos ocasionais de baleias que engolem pessoas, isso é incrivelmente raro – e para todas as espécies, exceto uma, engolir um humano é fisicamente impossível.

Publicado 17/06/2021, 11:21 WEST
baleia-jubarte

Uma baleia-jubarte alimenta-se nas águas de Cape Cod. Através de um método conhecido por alimentação de “rede-bolha”, as baleias trabalham em conjunto para desorientar as suas presas, expelindo bolhas em espiral em torno de um cardume de peixe. À medida que este anel de bolhas força os peixes para a superfície, outras baleias aguardam para os engolir.

Fotografia de Brian Skerry, Nat Geo Image Collection

Na sexta-feira, um mergulhador foi notícia quando descreveu a sua sobrevivência milagrosa depois de ter sido “engolido” por uma baleia-jubarte em Cape Cod, Massachusetts, nos EUA. Michael Packard disse ao Cape Cod Times que sentiu um empurrão e que, “quando me apercebi, já estava tudo negro”. Michael lembra-se de ter feito um grande esforço dentro da boca da baleia durante cerca de 30 segundos antes de esta emergir e o cuspir.

Embora uma baleia-jubarte consiga facilmente colocar um humano no interior da sua enorme boca – que pode ter cerca de três metros – é cientificamente impossível para estas baleias engolir um humano, de acordo com Nicola Hodgins, da Whale and Dolphin Conservation, uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido.

A garganta de uma baleia-jubarte tem aproximadamente o tamanho de um punho humano e só consegue esticar até cerca de 40 centímetros de diâmetro para acomodar uma refeição maior.

No caso de Michael, diz Nicola, “ele provavelmente foi engolfado em vez de engolido, antes de a baleia se aperceber do erro e o cuspir imediatamente” – provavelmente uma experiência traumatizante tanto para Michael como para a baleia, que estava apenas a tentar comer um pouco de peixe.


“[Michael] estava no lugar errado à hora errada”, diz Nicola.

Não é a primeira vez que humanos acabam supostamente na boca de uma baleia: em 2020, canoístas ficaram presos na boca de uma baleia-jubarte na Califórnia, assim como um operador turístico na doca de Port Elizabeth, na África do Sul, em 2019. A Bíblia também conta a história de Jonas, que foi engolido por uma baleia para o salvar de afogamento. Até o pai de Pinóquio, Gepeto, foi engolido por uma baleia na clássica obra literária infantil.

A ideia de baleias a engolir humanos faz parte da mitologia há muito tempo – tanto que muitas pessoas acreditam que é verdade. No entanto, é cientificamente impossível para todas, exceto uma espécie de baleia – o cachalote – engolir algo tão grande como uma pessoa.

O que as baleias gostam realmente de comer

Nas raras ocasiões em que um humano se encontra dentro da boca de uma baleia, é quase certamente um acidente – em parte porque os humanos não são o que as baleias comem.

As baleias dentadas, como os cachalotes, têm dentes e alimentam-se de presas que incluem lulas e peixes. Por outro lado, as baleias de barbatanas – como as baleias-jubarte, baleias-azuis, baleias-cinzentas e as baleias-de-minke – têm cerdas especiais na boca em vez de dentes e comem presas minúsculas, como plâncton, krill e pequenos peixes.

Conhecidas por barbatanas, estas cerdas são feitas de uma proteína forte, porém flexível, chamada queratina – a mesma proteína que temos no cabelo e nas unhas – e estão dispostas em placas como se fossem um pente. Quando se alimenta, a baleia engole muita água do mar e usa as cerdas como uma peneira para reter os alimentos na boca, enquanto empurra a água para fora pelas ranhuras.

Das 90 espécies de baleias de que há conhecimento na Terra, os cachalotes são a única espécie com uma garganta grande o suficiente para, tecnicamente, engolir um humano. Estes mamíferos de 20 metros de comprimento têm esôfagos grandes para comer presas maiores, como a lula-gigante, que às vezes é engolida de uma só vez. Na verdade, já foram encontradas lulas-colossais – que podem atingir os 14 metros de comprimento – no interior do estômago de um cachalote.

Apesar de ser fisicamente possível, as probabilidades de um cachalote engolir um humano são de “um num milhar de milhões”, em parte porque estes encontros são muito raros.

“A maioria das pessoas nunca terá a oportunidade de ver um cachalote na vida”, diz Rob Deaville, do Programa de Investigação de Arrojamento de Cetáceos da Sociedade Zoológica de Londres. Embora os cachalotes estejam amplamente distribuídos pelo mundo inteiro, são animais de mergulhos profundos que vivem principalmente em mar aberto e que passam regularmente o tempo em profundidades de mais de 3.000 metros.

Ameaças para as baleias

Portanto, não há necessidade de entrar em pânico da próxima vez que estiver a nadar no oceano, sobretudo porque as baleias não são agressivas para os humanos. Em vez disso, diz Rob Deaville, são as baleias que devem medo dos humanos devido à “enorme variedade de pressões e ameaças que o homem representa”.

Os humanos podem prejudicar as baleias através da pesca, poluição, destruição de habitat, emaranhamento em redes de pesca, colisões com navios e muito mais. Os comportamentos irresponsáveis de turistas – como aproximar-se demasiado – também podem ser aflitivos para as baleias.

Se alguma vez encontrar estes gigantes gentis, os especialistas recomendam que siga as diretrizes de observação responsável de vida selvagem – incluindo dar aos animais bastante espaço, observar à distância (com binóculos, se possível) e evitar quaisquer ações que os intimidem ou assustem.

Em relação a Michael Packard, o mergulhador disse ao Cape Cod Times que planeia voltar a mergulhar assim que sarar dos seus ferimentos, que incluem lesões nos tecidos moles, mas nenhum osso partido.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados