Duas novas espécies de esquilo-voador descobertas nos Himalaias

Estes roedores, que vivem em altitudes superiores a 4.500 metros, têm caudas felpudas que funcionam como leme para navegar entre penhascos rochosos.

Publicado 9/06/2021, 11:45 WEST
esquilo-voador-lanoso

O esquilo-voador-lanoso, Eupetaurus cinereus (na imagem), vive nas montanhas do sudoeste da China, uma zona de grande biodiversidade.

Fotografia de Quan Li

Não é fácil viver entre as faces rochosas e fustigadas pelo vento dos Himalaias, lar das montanhas mais altas do mundo. Para além de enormes pedregulhos e cavernas, são poucas as árvores que fornecem proteção contra predadores e rajadas mais fortes.

Entre os seus habitantes mais resilientes está o esquilo-voador-lanoso (Eupetaurus cinereus) que, com 2,2 quilos e 90 centímetros de comprimento, é um dos maiores esquilos do mundo. É também um dos mamíferos menos conhecidos na Terra: descrito pela primeira vez há 130 anos, este roedor do tamanho de um gato doméstico foi considerado extinto até ser “redescoberto” na década de 1990.

Kristofer Helgen, cientista-chefe e diretor do Museu e Instituto de Investigação Australiano, sente-se atraído por animais que existem sobretudo enquanto pontos de interrogação científicos.


Intrigado com alguns avistamentos recentes de esquilos nos Himalaias, Kristofer – Explorador da National Geographic – e os seus colegas decidiram conhecer melhor esta espécie misteriosa e examinaram espécimes em museus e recolheram dados de avistamentos sobre a espécie, como por exemplo imagens de armadilhas fotográficas.

Os resultados desta investigação revelaram uma reviravolta inesperada. O esquilo-voador-lanoso trata-se na verdade de duas espécies distintas que vivem a milhares de quilómetros de distância no teto do mundo: o esquilo-voador-lanoso de Yunnan (Eupetaurus tibetensis) e o esquilo-voador-lanoso tibetano (Eupetaurus nivamons).

Um esquilo com paraquedas incorporado
Voar não é só para os pássaros. Uma membrana elástica e uma cauda em forma de leme ajudam este pequeno mamífero a navegar pelas copas das árvores, evitando predadores terrestres com facilidade.

O Eupetaurus tibetensis vive na intersecção entre a Índia, o Butão e o Tibete, e o Eupetaurus nivamons vive a milhares de quilómetros a leste, na província de Yunnan, no sudoeste da China, de acordo com o estudo publicado recentemente na Zoological Journal of the Linnean Society.

“Esta descoberta é muito entusiasmante”, diz John Koprowski, especialista em esquilos da Universidade de Wyoming que não esteve envolvido na investigação. “O facto de existirem dois animais relativamente grandes que passaram despercebidos mostra o quão pouco sabemos sobre o mundo natural.”

Nenhum zoólogo se atreveu a descrevê-lo’

O habitat rochoso do esquilo-lanoso, em elevações de mais de 4.500 metros, é remoto e desabitado, parte da razão pela qual poucos cientistas ocidentais viram sequer este animal na natureza. A propensão noctívaga da criatura e o seu pelo castanho acinzentado, que se mistura com as rochas, torna ainda mais difícil a sua deteção. Quando o zoólogo Oldfield Thomas identificou este esquilo em 1888, disse que “nenhum zoólogo se atreveu a descrevê-lo”.

Em 1994, o zoólogo Peter Zahler “redescobriu” o animal num canto remoto do Paquistão, permitindo aos cientistas aprender mais sobre esta espécie elusiva – descobriram que vive apenas em zonas com pinheiros e folhas de zimbro, e que os seus dentes têm sulcos para triturar folhas e extrair nutrição.

“Esquilos-voadores” também é um nome um tanto ou quanto errado: estes animais planam entre rochas e penhascos usando a pele esticada que têm entre as patas dianteiras e traseiras.

O Estranho Comportamento dos Esquilos Decifrado

As suas caudas longas e felpudas, que muitas vezes são tão longas quanto o próprio corpo, agem como um leme e podem funcionar como guarda-chuva durante uma chuvada repentina. O tamanho avolumado do corpo destes roedores também conserva o calor nas montanhas geladas, assim como o seu pelo denso e felpudo.

Revelar os segredos dos esquilos

Quanto mais Kristofer Helgen e o seu colega Stephen Jackson aprendiam sobre estes esquilos, mais acreditavam que os Himalaias podiam ser o lar de mais esquilos-voadores do que se pensava.

Quando ambos os investigadores visitaram oito museus no mundo inteiro para examinar 24 espécimes de esquilo-lanoso – o mais recente dos quais tinha quase 50 anos – Kristofer e Stephen descobriram que as formas cranianas dos esquilos apresentavam diferenças enormes e que o animal que se iria chamar Eupetaurus tibetensis tinha uma ponta preta na cauda, que estava ausente nas outras espécies. As análises de ADN confirmaram que esta espécie era na verdade duas espécies diferentes.

“Estas espécies têm estado à espera na gaveta de um museu há cem anos para revelar os seus segredos”, diz Melissa Roberts Hawkins, curadora de mamíferos e especialista em esquilos do Instituto Smithsonian.

Melissa diz que é essencial observar a estrutura corporal e genética para estudar os esquilos-voadores, “porque dois esquilos podem parecer muito diferentes e pertencer à mesma espécie, e dois outros esquilos podem parecer idênticos, mas estar separados por vários milhões de anos de evolução”.

Como estas informações foram obtidas a partir de um número limitado de espécimes de museu, Kristofer diz que os tamanhos populacionais destas espécies e respetivas ameaças são desconhecidos.

“Isto é apenas o começo”, diz Kristofer. “Agora que foram nomeados, os cientistas podem aprender mais sobre a forma como vivem.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados